“Ninguém escolhe sobrenome”: irmã defende sobrinha de Marcola foragida
Suspeita de envolvimento com o PCC e familiar de Marcola, Paloma Sanches Herbas Camacho foi alvo de mandado de prisão nessa 5ª (21/5)
atualizado
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Alvo da operação que prendeu a influenciadora Deolane Bezerra e que investiga um esquema de lavagem de dinheiro do PCC, Paloma Sanches Herbas Camacho (foto em destaque) foi defendida pela irmã nas redes sociais. “Ninguém escolhe qual sobrenome ter”, diz um trecho da postagem dedicada à sobrinha de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder da facção. O pai de Paloma também é investigado.
“Como eu queria poder te proteger de tudo isso, como eu queria que sua dor acabasse, como eu queria que fosse um pesadelo, queria poder tirar sua dor, sua agonia e sentir tudo isso. Eu estou aqui, sua família está aqui. Não importa o que digam, nós sabemos quem é você, sabemos do seu caráter, quem te ama sabe da tua essência”, escreveu a irmã, que trabalha com Paloma em um salão de beleza. O estabelecimento e a irmã não foram citados na investigação.
“Essa vergonha, essa humilhação, não serão em vão. Vão te deixar mais forte, determinada e com ainda mais vontade de vencer. Minha maior dor está sendo ouvir mentiras sobre você e não poder te defender. E saber que você está passando por coisas que jamais deveria. Ninguém escolhe pai, ninguém escolhe qual sobrenome ter. E se for para ter justiça, que seja por VERDADES! Vai ficar tudo bem, e vamos vencer isso juntas, como sempre foi”, continuou.
Nas redes sociais, o perfil do salão de beleza escreveu que o estabelecimento “nasceu de um sonho, muita dedicação e trabalho. Nada além disso”. A postagem diz que os atendimentos continuam.
Segundo a investigação, Paloma atuava como intermediadora entre a cúpula do PCC e os operadores de um esquema de lavagem de dinheiro a partir de uma empresa de transportes de fachada. Ela é sobrinha de Marcola, chefe da facção, e filha de Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, apontado como líder do esquema. Além dos dois, um sobrinho de Marcola também foram alvos da operação dessa quinta-feira.
Entenda papel do clã Camacho no esquema
- Marco Willians Herbas Camacho (Marcola): preso em uma penitenciária federal, é apontado como líder máximo do PCC e controlador da transportadora envolvida no esquema de lavagem de dinheiro.
- Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, irmão de Marcola: também detido no sistema federal, exercia controle direto sobre a transportadora e definia percentuais e destinação dos recursos por meio de sua filha. Conforme o relatório, Alejandro exercia liderança central no esquema, mesmo após o encarceramento.
- Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha de Marcola: filha de Alejandro, atuava como mensageira e gestora indireta da parte do patrimônio correspondente ao pai. Intermediava ordens da cúpula do PCC para os operadores do esquema com a transportadora, indicando contas bancárias, divisões percentuais e valores a serem pagos.
- Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, sobrinho de Marcola: filho de Alejandro, era beneficiário direto da lavagem de dinheiro. A quebra de sigilo revelou movimentação de cerca de R$ 746 mil em créditos efetivos, dos quais boa parte era proveniente de depósitos em espécie não identificados. Leonardo aparece em conversas como destinatário de repasses determinados pelo pai.
Marcola e Alejandro já estavam detidos em presídios federais. Segundo as autoridades, Paloma está foragida após viagem para Madri, na Espanha. A operação ainda não localizou Leonardo, que foi para a Bolívia.
Além do clã Camacho, foram alvos da operação a influenciadora Deolane Bezerra, que teria recebido repasses do esquema, e Everton de Souza, apontado como operador financeiro do PCC. Deolane e Everton foram presos nessa quinta-feira.
Operação começou com bilhetes em presídio
A Operação Vérnix foi deflagrada contra um esquema de lavagem de dinheiro do PCC. A ação é desdobramento de uma investigação iniciada após trocas de bilhetes dentro de uma penitenciária. Segundo documento obtido pelo Metrópoles, as mensagens foram localizadas na caixa de esgoto de uma cela na Penitenciária II “Maurício Henrique Guimarães Pereira”, em Presidente Venceslau.
Os bilhetes foram descobertos em 2019, após dois detentos darem descarga nos papéis durante uma vistoria na cela. Os manuscritos revelaram elementos relacionados à dinâmica interna do PCC, ao tráfico de drogas dentro da penitenciária, à atuação de lideranças do crime organizado e a planos de atentados contra agentes públicos, incluindo um ex-diretor do presídio.
Um dos manuscritos sugeria uma cobrança de Marcola sobre a execução do plano de ataque. O bilhete indicava que “aquela mulher da transportadora” havia fornecido o endereço atualizado de um dos alvos do atentado.
Em busca da “mulher da transportadora”, a Polícia Civil identificou uma empresa de transportes sediada em endereço ao lado do presídio e deflagrou, em 2021, a Operação Lado a Lado, que apreendeu um celular e analisou mais trocas de mensagens de pessoas ligadas à facção. O conteúdo revelou indícios de repasses financeiros a Deolane Bezerra e apontou estreitos vínculos pessoais e comerciais da influenciadora com um dos gestores fantasmas da transportadora.
Entenda o envolvimento de Deolane Bezerra
- Segundo a investigação, Deolane desempenhava um papel fundamental, ao fornecer uma camada de aparente legalidade para os recursos ilícitos do PCC.
- A projeção pública da influenciadora, além de suas atividades empresariais formais e da movimentação de seu patrimônio, era utilizada para ocultar e dissimular a origem criminosa do dinheiro, dificultando a identificação do vínculo com a facção.
- Deolane, segundo os investigadores, tinha vínculos pessoais e negociais estreitos com um dos “gestores fantasmas” de uma transportadora em Presidente Venceslau. A empresa já havia sido identificada como braço financeiro do PCC em uma operação anterior.
- Os investigadores ainda apontam que a influenciadora apresentou movimentações financeiras expressivas e um fluxo vultoso de dinheiro que não tinha lastro econômico compatível com suas atividades.
- A estrutura envolvia o recebimento de valores de origem não esclarecida por meio de empresas, além da aquisição ou vinculação a bens de alto padrão, como imóveis e veículos de luxo.
A quebra de sigilos revelou um alto fluxo de dinheiro sem lastro compatível, além de movimentações bancárias atípicas, contas utilizadas para passagem de valores e operações com empresas sem capacidade financeira aparente.
As investigações prosseguiram e resultaram na Operação Vérnix. Após pedido da Polícia Civil com apoio do Ministério Público paulista, a Justiça determinou o bloqueio de valores superiores a R$ 327 milhões, além do sequestro de 17 veículos – incluindo modelos de luxo avaliados em mais de R$ 8 milhões – e quatro imóveis ligados aos investigados. Seis prisões preventivas foram decretadas.
Com a operação, as autoridades buscam interromper o fluxo financeiro ilícito, preservar ativos de possível origem criminosa e atingir a estrutura econômica do PCC.





















