Enel: Tarcísio defende Nunes e diz que SP não será “campo de bonsai”

Prefeito de São Paulo foi acusado pelo ministro de Minas e Energia de fazer “politicagem” sobre o fim do contrato da cidade com a Enel

atualizado

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Em sua diplomação, o prefeito Ricardo Nunes ao lado do governador Tarcísio de Freitas - Metrópoles
1 de 1 Em sua diplomação, o prefeito Ricardo Nunes ao lado do governador Tarcísio de Freitas - Metrópoles - Foto: Rodrigo Freitas/Metrópoles

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), saiu em defesa do prefeito paulistano, Ricardo Nunes (MDB), após críticas do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, sobre as quedas de energia elétrica e a disputa com a concessionária Enel na cidade. Durante audiência na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (11/3), Silveira afirmou que Nunes faz “politicagem” com o tema.

“Eu queria que ele perguntasse para as pessoas que ficam, às vezes, uma semana sem energia, se é a politicagem. Quando a gente tem qualquer evento climático, a gente tem interrupção do serviço”, afirmou Tarcísio.

Na crítica, Alexandre Silveira afirmou que é preciso boa vontade do prefeito para podar as árvores da cidade, que seriam uma das causas da queda de energia. O governador, no entanto, rebateu a fala.

“A empresa não se preparou. Ele diz que o problema é a arborização de São Paulo. O que eles querem? Que a gente transforme a cidade num campo de bonsai? Não, isso também não vai acontecer”, disse em referência à técnica de cultivo das “árvores em miniatura”.

Tarcísio de Freitas também comentou a eventual renovação do contrato com a Enel, possibilidade defendida por Silveira nesta quarta-feira. “Quem aqui pode dizer que é vantajoso para o estado de São Paulo, para a região metropolitana de São Paulo, para esses 24 municípios, prorrogar o contrato com uma empresa que não quis saber de prestar um bom serviço? É uma empresa geradora de caixa. Ela gera muito caixa e ela não faz o investimento necessário. As pessoas estão passando dificuldade. Ficam, às vezes, três, quatro, cinco dias sem energia. Perdem tudo o que têm na geladeira. Isso não é politicagem.”

Nunes rebate ministro

O prefeito também rebateu os comentários de Silveira. “Me causa muita infelicidade essa pessoa tratar um tema tão importante dessa forma. Não é a primeira vez que ele faz isso. Em outra oportunidade, ele já havia dito que eu e o governador poderíamos chorar, que o contrato seria renovado. Acho que ele está esquecendo de ver o que é importante nesse processo, que são as pessoas que ficam sem energia”, afirmou.

Ao citar as eleições de 2026, o prefeito sugeriu que Silveira “não estará mais no cargo de ministro” no ano que vem e disse não entender o motivo para ele buscar agilizar a renovação. Nunes também lembrou uma reunião que teve com o governador e o ministro, em dezembro de 2025, para discutir a situação da empresa no estado. Após o encontro, Silveira afirmou que solicitaria caducidade do contrato com a Enel. “A gente precisa ver o que aconteceu nesse meio tempo, o que fez ele mudar de ideia”, reagiu Nunes.

“Eu, como prefeito, e o governador, no exercício da função que nos foi concedida pelo voto, vamos defender o interesse de São Paulo, independentemente de a empresa ser a Enel ou qualquer outra. É o que deveria estar fazendo esse senhor, na função de Ministro, mas não, ele está defendendo o interesse de empresa. Nós temos que defender o interesse da população“, acrescentou.

“Politicagem”

Silveira alfinetou Nunes durante uma audiência na comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados.

“No caso específico de São Paulo, existe uma politicagem por parte do prefeito de São Paulo, disse isso a ele. São Paulo é uma das metrópoles mais arborizadas do Brasil e é impossível resolver o problema de São Paulo, já que não temos uma rede elétrica subterrânea, é uma rede elétrica exposta”, afirmou.

O prefeito, no entanto, afirmou que menos de 20% dos casos de falta de energia na cidade têm relação com a queda de árvores.

Contrário à caducidade do contrato, Silveira indicou que a concessão no Estado pode ser renovada.

Segundo ele, por se tratar de um acordo firmado há muitos anos, a empresa tende a cumprir grande parte das cláusulas previstas. O ministro lembrou que o caso está sendo analisado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), mencionando a possibilidade de renovação da concessão.

“Só não vou afirmar que a empresa cumpre tudo, pois isso cabe à Aneel. Tenho orientado a Aneel a despolitizar essa gestão para que a gente avance na renovação também de São Paulo, porque é fundamental que a gente respeite a segurança jurídica”, disse o titular de Minas e Energia.


Aneel adiou decisão sobre caducidade

  • No final de fevereiro, o colegiado da Aneel decidiu adiar a análise do fim do contrato de concessão da Enel na capital e região metropolitana paulista.
  • A análise do mérito da caducidade foi adiada por 60 dias e deve ser vista em abril.
  • O mérito do tema – isto é, se o fim da concessão é aplicável ou não – é julgado pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.
  • De 2018, quando começou a concessão, a 2023, a companhia recebeu multas que totalizam R$ 320,8 milhões. A empresa também acumula quase R$ 80 milhões em multas, desde 2019, no Programa de Proteção ao Consumidor (Procon).
  • Além disso, três dos maiores apagões que atingiram São Paulo recentemente ocorreram durante a concessão da Enel: novembro de 2024, outubro de 2024 e dezembro de 2025.
  • Em nota, a Enel tem argumentado que apresentou melhoria expressiva nos indicadores de atendimento emergencial, que alcançaram desempenho inclusive superior à média nacional, e feito investimentos expressivos nos serviços da empresa aplicados à cidade.

 

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