Nunes rebate Silveira: “Ele está defendendo interesse da Enel”
Ministro de Minas e Energia afirmou que prefeito de São Paulo faz “politicagem” com apagão e possibilidade de acabar contrato com a Enel
atualizado
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O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), rebateu as críticas do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), sobre os apagões da distribuidora Enel na cidade. Durante audiência na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (11/3), Silveira afirmou que Nunes faz “politicagem” com o tema.
“Me causa muita infelicidade essa pessoa [Silveira] tratar um tema tão importante dessa forma. Não é a primeira vez que ele faz isso. Em outra oportunidade, ele já havia dito que eu e o governador [Tarcísio de Freitas] poderíamos chorar, que o contrato [com a Enel] seria renovado. Acho que ele está esquecendo de ver o que é importante nesse processo, que são as pessoas que ficam sem energia”, afirmou o prefeito.
Nunes também criticou a eventual renovação do contrato, possibilidade defendida pelo ministro nesta quarta-feira. Ao citar as eleições de 2026, o prefeito sugeriu que Silveira “não estará mais no cargo de ministro” no ano que vem e disse não entender o motivo para ele buscar agilizar a renovação.
O prefeito, o ministro e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) se reuniram em dezembro de 2025 para discutir a situação da empresa no estado após um apagão histórico. Após o encontro, Silveira afirmou que solicitaria caducidade do contrato com a Enel. “A gente precisa ver o que aconteceu nesse meio tempo, o que fez ele mudar de ideia”, reagiu Nunes.
“Eu, como prefeito, e o governador, no exercício da função que nos foi concedida pelo voto, vamos defender o interesse de São Paulo, independentemente de a empresa ser a Enel ou qualquer outra. É o que deveria estar fazendo esse senhor, na função de ministro, mas não, ele está defendendo o interesse de empresa. Nós temos que defender o interesse da população“, acrescentou.
“Politicagem”
Silveira alfinetou Nunes durante uma audiência na comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados.
“No caso específico de São Paulo, existe uma politicagem por parte do prefeito de São Paulo, disse isso a ele. São Paulo é uma das metrópoles mais arborizadas do Brasil e é impossível resolver o problema de São Paulo, já que não temos uma rede elétrica subterrânea, é uma rede elétrica exposta”, afirmou.
O prefeito, no entanto, afirmou que menos de 20% dos casos de falta de energia na cidade têm relação com a queda de árvores.
Contrário à caducidade do contrato, em que pese declarações contrárias, Silveira indicou que a concessão no Estado pode ser renovada.
Segundo ele, por se tratar de um acordo firmado há muitos anos, a empresa tende a cumprir grande parte das cláusulas previstas. O ministro lembrou que o caso está sendo analisado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), mencionando a possibilidade de renovação da concessão.
“Só não vou afirmar que a empresa cumpre tudo, pois isso cabe à Aneel. Tenho orientado a Aneel a despolitizar essa gestão para que a gente avance na renovação também de São Paulo, porque é fundamental que a gente respeite a segurança jurídica”, disse o titular de Minas e Energia.
Aneel adiou decisão sobre caducidade
- No final de fevereiro, o colegiado da Aneel decidiu adiar a análise do fim do contrato de concessão da Enel na capital e região metropolitana paulista.
- A análise do mérito da caducidade foi adiada por 60 dias e deve ser vista em abril.
- O mérito do tema – isto é, se o fim da concessão é aplicável ou não – é julgado pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.
- De 2018, quando começou a concessão, a 2023, a companhia recebeu multas que totalizam R$ 320,8 milhões. A empresa também acumula quase R$ 80 milhões em multas, desde 2019, no Programa de Proteção ao Consumidor (Procon).
- Além disso, três dos maiores apagões que atingiram São Paulo recentemente ocorreram durante a concessão da Enel: novembro de 2024, outubro de 2024 e dezembro de 2025.
- Em nota, a Enel tem argumentado que apresentou melhoria expressiva nos indicadores de atendimento emergencial, que alcançaram desempenho inclusive superior à média nacional, e feito investimentos expressivos nos serviços da empresa aplicados à cidade.
