Enel sobe o tom e retruca críticas de Nunes e Tarcísio
Enel rebateu críticas do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, e do governador Tarcísio de Freitas sobre a prestação de serviços da empresa
atualizado
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A Enel, distribuidora de energia para a capital e a região metropolitana de São Paulo, subiu o tom em nota à imprensa, nesta terça-feira (24/2) e rebateu as recentes críticas feitas à companhia pelo prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB) e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
A empresa afirma que o atual debate, “politizado e frequentemente instrumentalizado, não contribui para construção de uma solução definitiva e necessária para São Paulo”.
“Só Jesus”
Nunes e Tarcísio apontaram falhas na prestação de serviços da distribuidora e rechaçaram uma fala do CEO, Flavio Cattaneo, em evento da empresa em Milão, na Itália, na manhã de segunda-feira (23/2).
Na ocasião, ele disse que “só Jesus” pode evitar apagões em São Paulo, ocorridos após fortes chuvas e rajadas de vento.
No mesmo dia, Nunes fez duras críticas à concessionária e rebateu a declaração. “Nem Jesus Cristo salva essa Enel”, afirmou, classificando a fala como um deboche e acusando a empresa de tentar transferir responsabilidades.
Segundo Nunes, o problema não está apenas em fatores externos, como a queda de árvores durante temporais, mas na falta de eficiência da companhia.
O prefeito destacou que mais de 80% dos pontos afetados por interrupções recentes não tiveram registros de quedas de árvores, o que, segundo ele, evidencia falhas operacionais e de gestão no sistema de distribuição de energia.
Em agenda em Itaquaquecetuba, na região metropolitana de São Paulo, na manhã desta terça-feira (24/2), Tarcísio apontou que a expressão usada por Cattaneo é “blasfêmia”.
“A pior coisa que existe, o pior pecado que existe é a blasfêmia. Eu acho que a gente não pode usar o nome de Deus em vão. A gente tem que ter respeito ao nosso Senhor salvador”, disse.
Em nota, a Enel declarou que a citação “se referia à limitação humana diante da força dos ventos observada em eventos climáticos extremos”.
“Por isso, a Enel apresentou um conjunto de soluções estruturais para São Paulo, como o avanço no enterramento de redes e o manejo adequado da vegetação urbana, de responsabilidade da prefeitura”, afirmou a empresa.
Críticas à prestação de serviços
Na mesma ocasião, o governador de São Paulo disse que “não tem um estado onde eles prestem serviço que o serviço seja bom”.
Em resposta, a distribuidora de energia elétrica disse que “não é verdadeira a narrativa de que a companhia fracassou em todos os mercados onde atua”.
“A Enel opera distribuidoras em diversos países, muitas delas reconhecidas por indicadores de qualidade entre os melhores do setor em nível global”, menciona a nota.
Tarcísio também afirmou que a empresa deveria admitir caso não tenha condições de realizar os investimentos necessários para atender a população. Provocada, a Enel ressaltou que “não procede a informação de que a companhia não tem capacidadede investimento”.
“Pelo contrário, a companhia está realizando o maior ciclo de investimentos da história da concessão em São Paulo, com aportes robustos e contínuos voltados à modernização da rede e ao aumento da resiliência do sistema elétrico”, diz o comunicado à imprensa.
Investimento de 53 bilhões de euros
Na segunda-feira, a Enel anunciou investimentos de 53 bilhões de euros na companhia para este biênio (2026-2028).
Do total investido neste biênio, pouco mais de 14 bilhões de euros devem ser empregados na América Latina. A empresa não especificou o montante destinado ao Brasil.
Além disso, a companhia deve investir mais de 20 bilhões de euros em energias renováveis – 40% acima do valor destinado a esta área no último ano.
Aneel adia decisão que pode encerrar concessão da Enel
Também nesta terça, uma decisão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) adiou, em 60 dias, a análise da caducidade (fim do contrato) da concessão da Enel em São Paulo. A decisão é considerada um revés para as gestões Nunes e Tarcísio.
Ao contrário do diretor-geral da entidade, Sandoval Feitosa, a maioria decidiu pelo adiamento. Somente após encerrado o prazo, em abril, o mérido do tema – isto é, se o fim da concessão é aplicável ou não – será julgado pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.


















