Apagão em SP: Enel teve falhas em gestão da crise, segundo Aneel
Aneel concluiu que atuação da Enel no apagão que atingiu 4,4 milhões em São Paulo, em dezembro do ano passado, foi “insatisfatória”
atualizado
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A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) concluiu que a atuação da Enel no apagão que atingiu 4,4 milhões em São Paulo, em dezembro do ano passado, foi “insatisfatória”. Entre os problemas apontados, estão falhas na estratégia de gestão de crise, manutenção preventiva precária e inconsistência em registros operacionais.
De acordo com a nota técnica da agência, houve “baixa produtividade” das equipes da Enel no tratamento das interrupções — foram atendidas uma média de 2,82 interrupções por equipe, número considerado insuficiente pela Aneel. Além disso, apesar da concessionária ter disponibilizado 1.500 equipes durante o apagão, verificou-se um “elevado percentual” de equipes que não atuam com frequência no atendimento a ocorrências emergenciais, segundo o relatório.
A Aneel apontou que a Enel manteve um padrão de mobilização concentrado em horário comercial, alocando a maior parte da força de trabalho entre 8h e 17h, com reduções drásticas nos períodos noturno e de madrugada, conforme apurado pelo colunista Demétrio Vecchioli.
“No dia 11/12/2025, por exemplo, enquanto 60% do efetivo atuava no horário comercial, apenas 10% permanecia em campo durante a madrugada, o que resultou em uma resposta insuficiente diante da magnitude do evento”, diz a nota.
A agência estima que cerca de 59% das interrupções tiveram como causa o vento, que estão relacionadas a cabos partidos, toques entre cabos, cabos “frouxos” e falhas de estruturas, conforme o relatório.
A investigação também indica que a Enel recrutou mais veículos de pequeno porte, as motos, que de grande porte, os caminhões, “dificultando assim a execução dos serviços mais complexos de restauração da rede elétrica”.
Segundo a Aneel, a concessionária não apresentou, no momento da inspeção, todos os documentos requisitados. A Enel enviou uma carta para a agência fiscalizadora em que “atualizou” o número de imóveis que ficaram sem luz — inicialmente, foram informados 2,2 milhões, metade do número real.
As cidades mais afetadas pelo apagão, que constam no relatório, foram Pirapora do Bom Jesus, com 147 horas sem luz; Cotia, que atingiu 111 horas; Cajamar, que ficou sem luz por 98 horas; e a capital, com registros que ultrapassaram as 95 horas de apagão.
Nessa quarta-feira (11/2), o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), afirmou que aguarda uma decisão da Aneel em relação ao processo de caducidade do contrato com a Enel. “Essa é uma determinação do presidente Lula. Nós queremos avançar com uma solução, que seja a passagem de controle ou que seja a caducidade e a relicitação da concessão de São Paulo”, disse o ministro.
O que diz a Enel
Em nota, a Enel afirmou que seguirá trabalhando para demonstrar que cumpriu integralmente com os critérios estabelecidos no plano de recuperação apresentado à Aneel em 2024 e no evento climático que atingiu São Paulo em dezembro de 2025.
“Ao longo de todas as fiscalizações, a empresa colaborou de maneira transparente com o regulador, apresentando dados técnicos que comprovam o cumprimento dos indicadores e as ações realizadas nos recentes eventos climáticos”, disse a concessionária.
“Apesar da severidade do evento climático registrado em 10 e 11 de dezembro, com ventos prolongados, a Enel São Paulo restabeleceu o serviço aos clientes mais rapidamente do que em outubro de 2024. Ao longo dos dias, inclusive nas primeiras 24 horas, a distribuidora mobilizou um número superior de equipes em relação aos parâmetros previstos nos planos de contingência e recuperação”, completou.
