
Demétrio VecchioliColunas

Apagão em São Paulo atingiu o dobro do número de imóveis divulgado
Mais de 4 milhões de imóveis ficaram sem luz no dia 10 de dezembro, afirma a Enel. Estado e prefeitura falavam em 2,2 milhões
atualizado
Compartilhar notícia

O apagão que atingiu a Região Metropolitana de São Paulo no dia 10 de dezembro — e que provoca a discussão sobre a caducidade do contrato de concessão da Enel SP — atingiu 4,4 milhões de imóveis, o dobro do número que se tinha conhecimento até aqui.
A informação consta em carta da Enel Brasil à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) acessada pela coluna e confirmada com exclusividade pela empresa italiana à reportagem.
No documento, a Enel diz que “a consolidação dos dados contidos em ambos os arquivos permite à Aneel alcançar o total de aproximadamente 4,4 milhões de clientes interrompidos no dia 10/12/2025“. Até aqui, o número conhecido, dito publicamente inclusive pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), era de 2,2 milhões de imóveis afetados.
De acordo com a Enel, só no dia 10 de dezembro houve o restabelecimento de energia elétrica em 3,2 milhões de imóveis por equipes de campo e mais 1,1 milhão de consumidores atendidos de forma automática. Só entre 8 e 12 de dezembro, o call center da Enel recebeu 1,8 milhão de chamadas.
À coluna a empresa, que vem reiteradamente pedindo à Aneel que seus relatórios sobre o apagão sejam mantidos sob sigilo, explicou que 2 milhões era o número de clientes que ficaram sem luz ao mesmo tempo, não durante todo o dia.
“Com relação ao número de clientes impactados nos dias do ciclone, os cerca de 2 milhões informados pela Enel dizem respeito ao pico de clientes registrados, em tempo real, simultaneamente. Foram 12 horas seguidas de fortes ventos e, na medida em que a empresa reconectava clientes desligados, outros eram impactados sucessivamente com a força do vendaval. O número acumulado de clientes desligados ao longo do dia 10 foi significativamente maior”, disse a empresa.
Criticada pelo prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), por supostamente mentir o número de equipes nas ruas, a Enel também enviou à Aneel uma série de gráficos com as curvas das equipes hora/hora por tipo de veículo. O documento mostra que, na madrugada do dia 11 de dezembro, quando milhões de paulistanos estavam sem luz, o número de veículos leves em operação se aproximava de zero. Vide dados abaixo:
À coluna a Enel disse que a concentração das equipes durante o dia é para “ampliar a produtividade”. “A Enel esclarece que a empresa chegou a ter 1,7 mil equipes distribuídas durante todo o dia (número de equipes é correspondente ao número de veículos). A quantidade de equipes se concentrou principalmente durante o dia, dada a natureza do evento e para que fosse amplificada a produtividade das equipes.”
Pelo gráfico, o total de veículos nas ruas só chegou perto de 1.500 simultaneamente por volta das 16h do dia 11. No dia seguinte, a mobilização não chegou a 1.400 veículos. No dia 13, o máximo foi de cerca de 1.000.
Após a publicação deste texto, a Enel enviou nota afirmando que para citar número de equipes/veículos, é necessário somar os números no decorrer de 24h, conforme os turnos. “Essas imagens mostram que até 1,7 mil equipes estavam em campo ao longo dos dias 10, 11 e 12 de dezembro.”








