Demétrio Vecchioli

Os planos do Center Norte para construir uma arena na ZN de São Paulo

Projeto do Estádio Center Norte será submetido a consulta pública, mas vizinhança não foi convidada até aqui

atualizado

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Projeto arquitetônico que mostra dois prédios na zona norte de São Paulo
1 de 1 Projeto arquitetônico que mostra dois prédios na zona norte de São Paulo - Foto: Reprodução

O Shopping Center Norte tem planos avançados para construir um ginásio para 21 mil pessoas na Vila Guilherme, na zona norte de São Paulo. Denominado “Estádio Center Norte – Arena Multiuso”, o empreendimento foi desenhado para ser instalado próximo ao Parque da Juventude, com entrada principal pela avenida Zaki Narchi.

Uma audiência pública será realizada no próximo dia 11 de fevereiro para discutir questões relacionadas ao Estudo de Impacto de Vizinhança e Relatório de Impacto de Vizinhança (EIV/RIV), mas vizinhos diretamente impactados não foram convidados até aqui, nem foram apresentados ao projeto, mostrado em primeira mão pela coluna.

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Projeto da arena multiuso que o Center Norte quer construir em São Paulo
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Projeto da arena multiuso que o Center Norte quer construir em São Paulo

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Projeto da arena multiuso que o Center Norte quer construir em São Paulo

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Apesar do nome “estádio”, o empreendimento não terá tamanho suficiente para receber partidas de futebol. O Estádio Center Norte é uma arena multiuso, equipamento que a cidade de São Paulo é carente: um ginásio para mais de 20 mil pessoas que pode ser modulado para receber shows.

Pelo projeto que vai ser levado à audiência pública, seriam construídos dois edifícios entre a Zaki Narchi e a rua Galatéa, com entrada também pela rua Coronel Marques Ribeiro. Um deles seria a arena em si e, o outro, um prédio de estacionamento, com sete andares e 2 mil vagas para veículos. A arena, de 38 metros de altura, teria três lances de arquibancada, além de um andar de camarotes.

Arena e garagem ficariam em terreno que hoje é ocupado parte por uma antiga concessionária Fiat, uma loja de veículos seminovos da Localiza e o estacionamento que serve diretamente ao pavilhão amarelo do Expo Center Norte.

O estudo que vai à audiência pública diz que “a implantação do empreendimento irá gerar impactos diretos, indiretos e cumulativos sobre o meio urbano, físico e socioeconômico”. “No eixo da mobilidade, espera-se aumento significativo do tráfego viário em dias de evento, com potencial de congestionamento nas avenidas Zaki Narchi, Cruzeiro do Sul e Marginal Tietê, além da sobrecarga nas linhas de metrô e ônibus. A concentração de fluxos de pedestres também exigirá melhorias na acessibilidade e segurança viária”, afirma o estudo.

A análise diz ainda que o empreendimento terá efeito positivo sobre a geração de empregos e a dinamização da economia local, mas poderá também intensificar conflitos de vizinhança relacionados a ruído, ocupação do espaço público, comércio informal e demanda por serviços de segurança e saúde.

Mais um capítulo da novela arena multiuso em São Paulo

Construir uma arena do tipo era um projeto do ex-prefeito Fernando Haddad (PT), que chegou a lançar uma consulta pública visando uma concessão na região do Anhembi. O projeto foi abortado pelo seu sucessor, João Doria (PSDB), que depois, já governador, tentou conceder o complexo do ginásio do Ibirapuera sonhando que o estádio Ícaro de Castro Mello fosse demolido e uma arena multiuso construída no lugar. A concessão foi paralisada depois de o complexo ser tombado.

Ricardo Nunes (MDB), por sua vez, anunciou duas vezes a construção de uma arena do tipo. Durante o velório de Pelé, disse que ainda em 2023, iniciaria a construção de uma arena no Parque das Bicicletas, nomeando-a “ginásio Rei Pelé”. Mas o plano nunca foi adiante.

No mesmo ano, Nunes participou do anúncio da construção de uma arena dentro da área de concessão do Anhembi. Na ocasião, a GL Events disse que as obras devem ser aceleradas a partir do segundo semestre daquele ano e o o presidente da SPTuris, Gustavo Pires, revelou tratativas para trazer a NBA a São Paulo.

A GL depois desistiria de tocar a obra e terceirizou a arena para a Revee, empresa ligada ao fundo Reag e desmobilizada depois das investigações da Polícia Federal. A arena no Anhembi nunca foi adiante.

Atualmente a cidade de São Paulo só tem um ginásio capaz de receber eventos de médio e grande porte: o Ibirapuera, que foi construído na década de 1950 e já não suporta mais eventos de primeiro nível. Em 2006, quando recebeu um Mundial Feminino de Basquete, a competição foi marcada por goteiras. Em 2011, há 15 anos, foi palco de seu último grande evento internacional: o Mundial Feminino de Handebol.

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