Após ato de Lula, Aneel diz que “cobra” melhorias da Enel sobre apagão
Apagão, em dezembro de 2025, deixou mais de 2,2 milhões de clientes da Enel sem luz e, em alguns bairros, por dias. Aneel exigi ações
atualizado
Compartilhar notícia

Em resposta a um despacho assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que determinou o aprofundamento das investigações sobre o serviço de energia prestado pela Enel em São Paulo, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) passou a exigir melhorias da concessionária responsável pelo fornecimento de energia na capital e na região metropolitana.
Segundo a agência regulamentadora, a Enel já havia sido alvo de punições após grandes apagões registrados nos últimos anos. Em 2023, a agência constatou que a empresa não cumpriu integralmente os compromissos assumidos depois de uma interrupção de energia e aplicou a maior multa já registrada no setor, no valor de R$ 165 milhões. No ano seguinte, em 2024, uma nova falha levou a Aneel a emitir um termo de intimação, que poderia resultar na recomendação de perda da concessão.
Desde então, a Aneel afirma que passou a acompanhar de perto o desempenho da Enel, exigindo medidas corretivas. A empresa cumpriu determinações consideradas de curto prazo ao longo de 2024, mas, mesmo assim, a agência decidiu avaliar o comportamento da concessionária durante o novo período chuvoso, entre 2025 e 2026. Atualmente, a Aneel realiza as etapas finais da fiscalização, com foco nos episódios mais recentes, para decidir se o processo de caducidade da concessão seguirá adiante e será encaminhado ao Ministério de Minas e Energia.
Ainda, sim, a Aneel afirmou que seguirá fornecendo informações aos órgãos de controle e mantendo uma fiscalização rigorosa sobre a Enel, com o objetivo de garantir a qualidade do serviço, o cumprimento das regras do setor elétrico e a proteção dos direitos dos consumidores.
Mais de 2 milhões de imóveis de SP sem energia
Nos últimos meses, a Enel tem sido alvo de críticas e cobranças após sucessivos episódios de apagões na capital paulista e na região metropolitana de São Paulo. Em dezembro de 2025, fortes chuvas acompanhadas de ventos de quase 100 km/h provocaram a interrupção no fornecimento de energia para cerca de 2,2 milhões de imóveis em diferentes regiões do estado. Na capital, aproximadamente 25,7% dos clientes foram afetados, enquanto cidades da Grande SP ficaram dias sem luz.
O apagão foi atribuído à passagem de um ciclone extratropical, que derrubou árvores, postes e danificou a rede elétrica. A demora no restabelecimento do serviço gerou protestos de moradores, críticas de autoridades e intervenção da Justiça, já que muitos consumidores ficaram mais de 72 horas sem energia.
Os impactos também foram sentidos pela economia capital. De acordo com o Instituto de Economia Gastão Vidigal, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), o comércio da Grande São Paulo pode ter deixado de faturar até R$ 51,7 milhões em apenas um dia de falta de energia.
O que diz a Enel
Em nota, a Enel afirmou que vem cumprindo as obrigações contratuais e regulatórias, além do Plano de Recuperação apresentado à Aneel em 2024, que, segundo a concessionária, resultou em avanços consistentes nos indicadores de qualidade do serviço.
A empresa informou ainda que esses resultados teriam sido comprovados em fiscalizações recentes da agência reguladora. “Ao longo de 2025, a companhia manteve uma trajetória contínua de melhoria, demonstrando que as ações implementadas e acompanhadas mensalmente pelo regulador são estruturais e permanentes”, afirmou a Enel.


















