Justiça mantém decisão para retomada de aborto legal em hospital de SP

Justiça fixou multa de R$ 24,8 milhões após suspensão do aborto legal no Hospital Vila Nova Cachoeirinha. Outras 5 unidades foram afetadas

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Rubens Gazeta/PMSP/Reprodução
Hospital Vila Nova Cachoeirinha, referência em aborto legal - Metrópoles
1 de 1 Hospital Vila Nova Cachoeirinha, referência em aborto legal - Metrópoles - Foto: Rubens Gazeta/PMSP/Reprodução

O Tribunal de Justiça de São Paulo negou o recurso apresentado pela Prefeitura de São Paulo e manteve a decisão que determina a retomada do serviço de aborto legal no Hospital e Maternidade Municipal Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte da capital paulista. A decisão é de quarta-feira (4/3) e obriga o município a restabelecer o atendimento especializado na unidade.

Com a negativa do recurso, a prefeitura deverá garantir novamente o serviço previsto em lei para casos autorizados de interrupção da gravidez, que havia sido suspenso no hospital municipal.

Com isso, os desembargadores da 5ª Câmara de Direito Público mantiveram a sentença que havia considerado ilegal a interrupção do atendimento na unidade da  Vila Nova Cachoeirinha.

O hospital é referência na realização do procedimento nos casos previstos pela legislação brasileira, como gravidez resultante de estupro, risco de vida para a gestante ou diagnóstico de feto anencéfalo.

Na decisão, o relator afirmou que a suspensão do serviço não foi devidamente justificada pela prefeitura. Segundo ele, a administração municipal alegou que a medida fazia parte de uma reorganização da rede de saúde, mas as provas apresentadas no processo indicam que, na prática, houve restrição ao acesso do procedimento previsto em lei.

A interrupção do serviço de aborto que funciona há décadas foi considerada um retrocesso social. De acordo com o entendimento do tribunal, a medida acaba violando direitos fundamentais das mulheres e dificulta o acesso a um atendimento garantido pela legislação


Aborto legal também foi recusado em outras unidades

Durante o julgamento, também foram analisados documentos apresentados pela Defensoria Pública do Estado de São Paulo. As provas apontam que a recusa no atendimento não teria ocorrido apenas no Hospital Vila Nova Cachoeirinha, mas também em outras unidades da rede municipal, como:

  • Hospital da Mulher SECONCI-SP
  • Hospital Fernando Mauro Pires da Rocha
  • Hospital Municipal Dr. Cármino Caricchio
  • Hospital Municipal Tide Setubal
  • Hospital Municipal Mario Degni
  • Hospital e Maternidade de Vila Nova Cachoeirinha

Justiça determina multa de milhões

Em outubro de 2025, a Justiça de São Paulo já havia responsabilizado a prefeitura pelo descumprimento da decisão que garantia o acesso ao aborto legal na cidade. Na ocasião, foi determinado que o município pagasse uma multa de R$ 24,8 milhões após a suspensão do serviço no Hospital e Maternidade Municipal Vila Nova Cachoeirinha.

A decisão foi da juíza Simone Gomes Rodrigues Casoretti, da 9ª Vara da Fazenda Pública, que rejeitou um recurso apresentado pela gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB). Segundo a magistrada, o valor da penalidade foi definido para garantir o cumprimento da decisão judicial e a proteção dos direitos das pacientes. “A multa é compatível com a gravidade da situação e busca assegurar a proteção dos direitos fundamentais das mulheres”, afirmou.

De acordo com o processo, a multa diária de R$ 50 mil, fixada em janeiro de 2024, passou a ser aplicada porque pacientes que deveriam ter sido encaminhadas para outras unidades da rede municipal também tiveram o atendimento negado. A Justiça entendeu que houve descumprimento reiterado da determinação que assegurava o acesso ao procedimento previsto em lei.

Ao final da decisão da retomada do aborto legal, a Justiça manteve a obrigação da prefeitura de garantir o atendimento conforme determinado na sentença original e aumentou para R$ 15 mil os honorários advocatícios que deverão ser pagos pelo município. Em nota,  a Prefeitura de São e Paulo disse que caso está em segredo de justiça e irá avaliar o recurso cabível.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comSão Paulo

Você quer ficar por dentro das notícias de São Paulo e receber notificações em tempo real?