De anistia da Covid à Sabesp privatizada: os projetos da Alesp em 2023
Em meio a cobranças por emendas, cargos e dificuldades de articulação política, governo Tarcísio aprovou 18 projetos na Alesp em 2023

São Paulo – Em seu primeiro ano de governo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) enviou 26 projetos à Assembleia Legislativa (Alesp) e viu 18 deles serem aprovados em meio a dificuldades de articulação, pressão sobre cargos e liberação de emendas.
As propostas aprovadas incluem polêmicas como a privatização da Sabesp, uma das promessas de campanha do governador, e a anistia às multas aplicadas durante a pandemia de Covid, o que beneficiou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), padrinho político de Tarcísio.

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Ver todasAlém disso, também foram aprovados reajustes salariais no funcionalismo público, construção de moradias em São Sebastião, em área afetada pelas fortes chuvas de fevereiro no estado, e a liberação de crédito para viabilizar o trem intercidades, que consta no pacote de privatizações de Tarcísio.
Embora o Palácio dos Bandeirantes veja sucesso na aprovação dos projetos, deputados da base e da oposição entendem que o governo enfrentou muito desgaste para emplacar alguns dos projetos na Alesp.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPAo longo do ano, os ruídos entre os deputados e o Palácio dos Bandeirantes foram amplificados por disputas internas entre secretários de Tarcísio, descontentamento de deputados bolsonaristas, cobranças de partidos do “Centrão” paulista por cargos no governo e pedidos para liberação de emendas voluntárias, distribuídas de acordo com critérios políticos.
O Metrópoles listou cinco dos projetos mais relevantes votados na Alesp em 2023 e que necessitavam de ao menos 48 votos dos 94 deputados para aprovação. Confira, abaixo, quais foram eles:
Aumento salarial das polícias: o 1º teste na Alesp
Primeiro teste de fogo de Tarcísio na Alesp, o projeto foi entregue no início de maio e foi alvo de manifestações de policiais, que fizeram protestos dentro da Assembleia, e de reclamações de deputados da base, descontentes com a impossibilidade de incluir novas emendas ao texto.
A votação foi travada duas vezes por partidos de oposição e só ocorreu após Tarcísio admitir falhas na interlocução com os parlamentares e convocar alguns deputados para discutir o projeto de lei. Quando foi aprovado, na última semana de maio, recebeu 84 votos a favor e nenhum contrário.
Polêmica de Zema atrasou adesão a consórcio
A adesão de São Paulo ao Consórcio de Integração do Sul e do Sudeste (Cosud), que reúne os sete estados das duas regiões, ocorreu em meio a polêmicas após o governador mineiro Romeu Zema (Novo) defender a união do Cosud para barrar, na reforma tributária, perdas financeiras nas regiões.
A fala de Zema foi considerada segregadora, e serviu de justificativa para que deputados de oposição, especialmente do PT e do PSol, votassem contra o projeto. Após quatro tentativas adiadas por falta de quórum, em votações travadas pelos deputados, a adesão ao Cosud ocorreu em setembro com 53 votos a favor e 15 contra.
Anistia favoreceu Bolsonaro
Com 52 votos a favor, 26 contra e duas abstenções, a Alesp aprovou, em outubro, uma anistia às multas para quem descumpriu medidas sanitárias durante o período mais crítico da pandemia de Covid no estado.
A proposta, que tratava sobre o parcelamento da dívida ativa, incluiu um artigo que concedia anistia às multas aplicadas a quem desrespeitou a obrigatoriedade do uso de máscaras em locais públicos. Bolsonaro acumulava dívidas de mais de R$ 1 milhão por multas recebidas entre julho de 2021 e junho de 2022 pelo não uso das máscaras.
Maior desafio, privatização da Sabesp enfrentou greves e protestos
A privatização da Sabesp, maior desafio do governo Tarcísio na Assembleia, foi aprovada por 62 votos a favor e um contra, na primeira semana de dezembro, após greves de funcionários da estatal e de serviços de transporte como Metrô e CPTM, uma audiência pública e a liberação de R$ 265 milhões em emendas aos deputados.
A votação em si foi polêmica e envolveu empurra-empurra entre deputados, pancadaria e bombas de gás jogadas no plenário em meio a um tumulto entre policiais e manifestantes (veja abaixo), e não contou com a presença de deputados de oposição.
Reforma administrativa aprovada às vésperas do recesso
Proposta que extingue 5,4 mil cargos políticos e dá fim a “penduricalhos” na máquina estatal, a reforma administrativa foi aprovada na última semana de trabalho na Alesp com 60 votos a favor e 18 contrários.
Apesar dos votos contrários da oposição, a votação transcorreu com relativa tranquilidade em meio a um acordo feito com os deputados governistas para acelerar todas as votações e antecipar o recesso legislativo, que se iniciaria no dia 20 de dezembro, para o dia 15 do mesmo mês.



