Dark Horse: direita engrossa cobrança a Nunes por apuração sobre ONG

Amanda Vettorazzo e Janaína Paschoal enviaram ofícios cobrando esclarecimento de suspeitas em contrato de ONG de produtora de Dark Horse

atualizado

metropoles.com

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Karina Ferreira da Gama / Instagram
Karina Ferreira da Gama produtora de Dark Horse
1 de 1 Karina Ferreira da Gama produtora de Dark Horse - Foto: Karina Ferreira da Gama / Instagram

Vereadoras da direita na Câmara Municipal de São Paulo aumentaram a pressão sobre a gestão Ricardo Nunes (MDB) para que sejam esclarecidas as suspeitas em torno de um contrato de mais de R$ 100 milhões firmado com a ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB). A entidade é presidida por Karina Ferreira da Gama, produtora do filme Dark Horse, longa sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) cercado por suspeitas.

Os questionamentos partem de Amanda Vettorazzo (União) e Janaína Paschoal (PP), ambas de partidos que apoiam o prefeito, em um momento em que Nunes classifica a investigação como “perseguição política”. O contrato prevê a instalação de pontos de wi-fi gratuito pela cidade e virou alvo em operação da Polícia Civil — a suspeita é de que desvios do contrato possam ter financiado parte do filme.

A esquerda já vinha explorando o episódio para desgastar tanto Nunes quanto a campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL), mas agora o caso começa a incomodar aliados do próprio prefeito.

Omissão

Amanda Vettorazzo enviou ofício à Prefeitura de São Paulo no qual aponta suspeitas de irregularidades na contratação. Embora aliada de Nunes, a parlamentar é adversária da família Bolsonaro, posição comum entre os integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL). O documento questiona os critérios de escolha da entidade, a sua qualificação técnica, os pagamentos já realizados, os relatórios de execução e os mecanismos de fiscalização adotados pela prefeitura.

O ofício ainda levanta a hipótese de negligência. Segundo o documento, se confirmada a ausência de verificação adequada da capacidade técnica de organização anteriormente voltada a eventos literários para assumir contrato de infraestrutura tecnológica de R$ 150 milhões, isso configuraria, no mínimo, omissão do poder público.

Janaína Paschoal, que mantém postura mais independente em relação à gestão Nunes, também cobra respostas. Em ofício datado de 3 de junho, a vereadora relata que assessores de seu gabinete tentaram usar o serviço de wi-fi nas regiões leste (Guaianazes) e central antes mesmo de o caso ganhar repercussão na mídia. Nos locais, encontraram sérias dificuldades técnicas, tornando o serviço praticamente inutilizável. O levantamento aponta ainda inconsistências geográficas na lista de pontos cadastrados.

Esse não é o primeiro questionamento de Janaína sobre o instituto. Em requerimento anterior, ela pediu explicações sobre o evento Tech Friday, realizado pela entidade em dezembro de 2025, na região da Santa Efigênia, com custo de R$ 2,5 milhões. Segundo o documento, não há registros fotográficos, comprovantes de público ou qualquer documentação que ateste a realização da feira ou detalhe como o dinheiro público foi empregado.

“Perseguição política”

Na mesma semana em que a ONG foi alvo de mandado de busca e apreensão, Nunes surpreendeu ao elogiar publicamente Karina Ferreira da Gama. “Eu acho uma pessoa decente, uma mulher trabalhadora, que conhece o Bolsonaro e está passando por isso”, disse o prefeito a jornalistas.

O emedebista negou que verbas municipais tenham financiado o filme e atribuiu a linha de investigação da Polícia Civil a motivações políticas. “Estão indo atrás de um contrato com a prefeitura de 2024 por causa do filme? Aí é grave, é perseguição política”, afirmou. O inquérito em curso busca apurar justamente se parte dos recursos públicos pagos à ONG foi desviada para a produção do documentário.

Após o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) destacar a autonomia da polícia, o prefeito acabou baixando o tom.

O que diz a ONG

O ICB, por sua vez, afirma que cumpriu integralmente o mandado judicial expedido pelas autoridades, afirmando ter colaborado de forma “transparente, respeitosa e imediata” com os procedimentos realizados. Segundo a entidade, desde o início colocou-se à disposição para fornecer documentos, informações e esclarecimentos necessários à apuração dos fatos.

Em nota, o instituto disse ainda que contratou perícia e auditoria especializadas para dar suporte técnico e jurídico às investigações e que está colaborando com os órgãos responsáveis. A organização declarou confiar que os procedimentos em curso irão demonstrar a “regularidade das ações desenvolvidas”, a “correta aplicação dos recursos” e a “inexistência de desvio de finalidade” nos projetos executados. Também afirmou que seguirá à disposição da Justiça e dos órgãos de controle, defendendo que a análise técnica e documental contribuirá para o “completo esclarecimento dos fatos”, com observância do devido processo legal, da transparência e do compromisso com a verdade.

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