Empresa de fachada para qual Flávio Bolsonaro emitiu notas recebeu R$ 11 milhões do Master um mês após ser aberta
Copenhagen foi constituída em novembro de 2024 e logo recebeu aportes do Master; duas notas emitidas por Flávio Bolsonaro foram canceladas

A Copenhagen Consultoria e Assessoria S.A, empresa de fachada para a qual o escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) emitiu e cancelou notas fiscais no valor de R$ 1 milhão, recebeu do Banco Master R$ 11,2 milhões no mês seguinte à sua abertura. A emissão das notas fiscais pelo escritório do senador à empresa da teia financeira do Master foi revelada pelo Metrópoles.
Segundo informações da Junta Comercial de São Paulo (Jucesp), a Copenhagen Consultoria e Assessoria foi constituída em 1º de novembro de 2024. No mês seguinte, em dezembro de 2024, o Banco Master realizou os primeiros aportes de R$ 11,2 milhões na empresa.
Já em 2025, a firma recebeu mais R$ 46,6 milhões do banco de Daniel Vorcaro. A Copenhagen é uma das 10 empresas que mais receberam dinheiro do Master nos últimos anos. Os dados são da Receita Federal.

Foi nesse meio-tempo que o filho 01 de Jair Bolsonaro expediu documentos que declaram serviços prestados em favor da Copenhagen. Como revelado pela coluna, o escritório de advocacia de Flávio emitiu duas notas fiscais, em 7 de abril de 2025, referentes a serviços prestados para a empresa de fachada. Na mesma ocasião, os documentos, cada um no valor de R$ 500 mil, foram cancelados.
Embora as notas tenham sido canceladas, dois dias depois, em 9 de abril, o escritório de Flávio faturou uma terceira nota, também de R$ 500 mil, desta vez em favor da Contábil Correa por serviços de assessoria jurídica. A Copenhagem e a Contábil Correa têm em comum a figura de Rogério Lourenço Novo. Ele aparece na Receita Federal como o diretor responsável pela Copenhagen e o único sócio da Contábil Correa.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesRogério ainda figura como membro efetivo do conselho fiscal da Ambipar, outra empresa da teia de Vorcaro.
Nesta quinta-feira (23/7), o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) pediu que a Polícia Federal (PF) incorpore as notas fiscais emitidas por Flávio Bolsonaro às investigações já em curso, e que a corporação aprofunde a apuração sobre a origem e o destino dos recursos.
Na petição, o parlamentar afirma que “a sequência de emissões e cancelamentos das notas fiscais levanta dúvidas que somente uma investigação poderá esclarecer”, defendendo o compartilhamento das informações com inquéritos que já apuram o Banco Master, Daniel Vorcaro e a Trustee DTVM, que administra o fundo Estônia, principal acionista da Copenhagen.
O que diz Flávio Bolsonaro
A assessoria de imprensa de Flávio Bolsonaro enviou a seguinte nota, reproduzida na íntegra:
“Diante de tentativas de vincular falsamente meu nome ao Banco Master, esclareço o que segue:
Firmei contrato de prestação de serviços de assessoria jurídica com a BR Global, nome fantasia da Contabil Correa Contabilidade e Auditoria Ltda., empresa de contabilidade e auditoria que atende mais de 200 empresas e clientes em São Paulo.
Em determinada ocasião, fui consultado sobre a possibilidade de prestar serviços a uma cliente da BR Global, a Copenhagen Assessoria. Apesar da consulta, a contratação não avançou, não tendo o meu escritório recebido qualquer valor da Copenhagen Assessoria, razão pela qual as notas fiscais foram cancelas. Ou seja, estou sendo ‘acusado’ de NÃO receber alguma coisa.
Não tenho e jamais tive conhecimento de qualquer relação ou vinculação entre a BR Global ou a Copenhagen e o Master. Qualquer tentativa de me associar a este banco é capciosa, desprovida de qualquer fundamento fático e será tratada com as medidas judiciais cabíveis, nas esferas cível e criminal, contra quem lhe der causa.
Por fim, como não sou investigado e meus dados são sigilosos, não poderiam estar em nenhuma investigação formal. Recai a suspeita de que órgãos governamentais, com fins eleitoreiros, tenham vazado dados protegidos por sigilo fiscal à imprensa. Conduta gravíssima, ilegal que será objeto de representação aos órgãos competentes para responsabilização dos autores.”
















