“Não tem nem o que falar com o governador”, diz Nunes após operação
Polícia investiga contrato da prefeitura com empresa de dona da produtora de filme de Bolsonaro. Antes, Nunes alegou “perseguição política”
atualizado
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O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), baixou o tom nesta quinta-feira (4/6) após levantar a hipótese de ter havido “perseguição política” em operação da Polícia Civil que apontou suspeitas em contrato de R$ 108 milhões da gestão municipal com o Instituto Conhecer Brasil (ICB) para instalação de pontos de wi-fi na capital.
A declaração sobre possível motivação política na investigação das suspeitas de desvios de recurso municipal havia sido rebatida pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que reforçou a autonomia da corporação estadual.
“Desde domingo, eu não falo com o Tarcísio. A operação aconteceu na segunda-feira, mas também não tenho o que falar, né? Porque a Polícia Civil tem a sua autonomia, é uma polícia de Estado, não tem nem o que falar com o governador. Está tudo tranquilo”, afirmou Nunes ao ser questionado nesta quinta-feira (4/6) pelo Metrópoles.
O reencontro entre Nunes e o governador ocorreu durante a Marcha para Jesus, realizada em São Paulo nesta quinta.
O Instituto Conhecer Brasil é representado por Karina Ferreira da Gama, também é dona da produtora Go Up Entertainment, que produziu a polêmica cinebiografia de Jair Bolsonaro, Dark Horse.
Tanto Karina quanto o ICB e a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT) foram alvos na segunda-feira (1/6) da operação Wi-Fi Livre SP, que apura suspeitas de irregularidades no contrato do instituto com a Prefeitura de São Paulo. Uma delas é de que parte da verba da prefeitura tenha sido usada para financiar o filme. Dark Horse está no centro do escândalo que envolve o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por cobrar R$ 134 milhões de Daniel Vorcaro, do extinto Banco Master.
Logo após a operação ser deflagrada, o prefeito defendeu o contrato e a empresária Karina. “Eu acho [que Karina é] uma pessoa decente, uma mulher trabalhadora. Uma mulher que, como qualquer outra, está batalhando, e que conhece o Bolsonaro, então está passando por isso”, afirmou o prefeito, em entrevista a jornalistas.
Na ocasião, numa fala confusa, o prefeito também questionou a autonomia da Polícia Civil. “Estão [Polícia Civil do governo paulista] indo atrás de um contrato com a Prefeitura de 2024 por causa do filme? Aí é grave, é perseguição política”, disse o emedebista. “Eu tenho empresa de embalagem, tenho fazenda, tenho várias atividades, e eu sou prefeito. Qual o problema da pessoa ter várias atividades? Se é essa a motivação [a relação de Karina com o filme], aí eu acho grave.”
Ato seguinte, Tarcísio rebateu o prefeito. “Operação da polícia é uma coisa que a gente não interfere. A polícia tem autonomia para fazer as suas investigações, para fazer as suas operações, é uma instituição de Estado. Havia uma investigação em curso, uma demanda do Ministério Público e a polícia cumpriu, e, portanto, tivemos a operação. Sempre vai ser assim”, disse Tarcísio durante coletiva de imprensa em evento de duplicação de rodovia, entre Araras e Rio Claro, no interior do estado, na terça-feira (2/6).
Segundo a Polícia Civil, enquanto a empresa pública Prodam cobrava R$ 306 pela manutenção mensal por ponto, o acordo com o ICB estipulou o pagamento de R$ 1.800 fixos por ponto, um valor injustificadamente superior aos parâmetros de mercado, de acordo com a investigação.
Nunes nega que exista verba municipal no financiamento da produção. “Estão [Polícia Civil do governo paulista] indo atrás de um contrato com a Prefeitura de 2024 por causa do filme? Aí é grave, é perseguição política”, disse o emedebista. “Eu tenho empresa de embalagem, tenho fazenda, tenho várias atividades, e eu sou prefeito. Qual o problema da pessoa ter várias atividades? Se é essa a motivação [a relação de Karina com o filme], aí eu acho grave.”
A 34ª edição da Marcha para Jesus é organizada pelo apóstolo Estevam Hernandes, líder da igreja Renascer em Cristo. A agenda reuniu o pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL); André Mendonça, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF); e o advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, que é evangélico e foi ao ato a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).