Dark Horse: ONG usou emenda de vereador para pagar advogado de Frias
Defensor do deputado federal Mario Frias (PL-SP) em processos também foi contratado por ONG de Dark Horse para evento em SP
atualizado
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A ONG da produtora do filme Dark Horse contratou o advogado do deputado federal Mario Frias (PL-SP) para prestar serviços em um evento bancado com uma emenda de vereador pela Prefeitura de São Paulo.
O Instituto Conhecer Brasil (ICB) foi alvo de uma operação da Polícia Civil sob suspeita de possíveis desvios no serviço de instalação de pontos wi-fi na cidade de São Paulo. Uma das suspeitas é que o contrato possa ter sido usado para bancar o filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que é produzido por Frias.
Paralelamente ao contrato de wi-fi, o ICB também atua na execução de eventos pagos com emendas parlamentares. O escritório Fábio Lago Meirelles foi contratado para prestar serviços no evento Rumos da Inovação na Educação do Futuro Agora (Riefa), realizado no ano passado.
Meirelles foi contratado pelo ICB para atuar em serviços contábeis e jurídicos do evento, por R$ 50 mil.
O advogado Fabio Lago Meirelles defende o deputado federal em ações na Justiça Eleitoral e também na Justiça comum, com processos entre 2022 e 2026. Entre os processos em que Meirelles atuou, por exemplo, está a defesa de Mario Frias em uma ação da cantora Ludmilla contra o político, por postagens em rede social. Frias venceu a ação.
Uma reportagem do jornal O Estado de S.Paulo já havia apontado que uma emenda de Frias teria sido usada para pagar o mesmo advogado, em valor de R$ 80 mil.
Evento inflacionado
Conforme o Metrópoles revelou, o evento patrocinado pela prefeitura que contou com a atuação de Meirelles, o Riefa, custou R$ 750 mil, bancado com emenda do vereador André Santos (Republicanos). As empresas de um dos conselheiros do ICB, Eduardo Ferreira Franco, receberam R$ 445 mil referentes a valores para vídeo, conteúdo para metaverso, locação de equipamentos e cenografia.
A edição de 2025 do Riefa foi inflacionada em relação ao ano anterior. Os gastos com palestrantes passam de R$ 66 mil para R$ 170 mil, alta de 157,6%, enquanto os investimentos em produção de vídeo sobem de R$ 48 mil para R$ 148 mil, crescimento de 208,3%. Já o conteúdo voltado ao metaverso mais que dobra, avançando de R$ 85,5 mil para R$ 181,5 mil, aumento de 112,3%.
Apesar do alto investimento, o público foi limitado. A reportagem verificou, na página do YouTube, com cerca de 4 mil inscritos, que a transmissão ao vivo dos dois dias de evento no ano passado não chegou a 2 mil visualizações. Os cortes dos palestrantes variaram entre 30 e 1,2 mil visualizações.
O que dizem os envolvidos
O ICB afirmou que cumpriu integralmente o mandado judicial expedido pelas autoridades, afirmando ter colaborado de forma “transparente, respeitosa e imediata” com os procedimentos realizados. Segundo a entidade, desde o início colocou-se à disposição para fornecer documentos, informações e esclarecimentos necessários à apuração dos fatos.
Em nota, o instituto disse ainda que contratou perícia e auditoria especializadas para dar suporte técnico e jurídico às investigações e que está colaborando com os órgãos responsáveis. A organização declarou confiar que os procedimentos em curso irão demonstrar a “regularidade das ações desenvolvidas”, a “correta aplicação dos recursos” e a “inexistência de desvio de finalidade” nos projetos executados. Também afirmou que seguirá à disposição da Justiça e dos órgãos de controle, defendendo que a análise técnica e documental contribuirá para o “completo esclarecimento dos fatos”, com observância do devido processo legal, da transparência e do compromisso com a verdade.
A reportagem procurou o deputado Mario Frias, o escritório de Fábio Lago Meirelles e o vereador André Santos, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. O espaço está aberto.