Frias pagou R$ 269 mil para empresas ligadas à produtora de Dark Horse
Mário Frias (PL-SP) usou R$ 269 mil de cota parlamentar com empresas ligadas à produtora Karina Ferreira da Gama para manutenção do gabinete

O gabinete do deputado federal Mário Frias (PL-SP) enviou R$ 269,6 mil da cota parlamentar a empresas ligadas a Karina Ferreira da Gama, produtora do filme Dark Horse, para “manutenção de escritório de apoio à atividade parlamentar”.
Nessa segunda-feira (1º/6), a empresária foi alvo de operação da Polícia Civil para apurar contratos com a Prefeitura de São Paulo sobre pontos de Wi-Fi instalados nas periferias da capital paulista.
Uma das empresas que recebeu o pagamento, a Complexsys Apoio Administrativo Ltda, foi alvo de busca e apreensão durante a diligência da Polícia Civil. A empresa recebeu R$ 154 mil entre setembro de 2024 e abril de 2026.
A Complexsys tinha Eduardo Ferreira Franco como sócio até março de 2025. Atualmente, ele é conselheiro do Instituto Conhecer Brasil (ICB), uma entidade sem fins lucrativos presidida por Karina.
Ao Metrópoles, a empresa disse que o contrato de R$ 7,7 mil mensal foi assinado para a contratação do CRM Político, uma ferramenta de automatização no relacionamento com cidadãos. A empresa alega que todos os contratos detêm notas fiscais.
A empresa foi uma das subcontratadas pelo ICB para prestar serviços no termo de colaboração assinado entre a entidade e a Prefeitura de São Paulo para a implantação dos pontos de Wi-Fi. A prestação de contas entregue pelo ICB à gestão Ricardo Nunes (MDB) em junho de 2025 afirma que R$ 2,2 milhões foram pagos à Complexys para a implantação.
Uma reportagem do portal G1 mostrou que uma das notas da Complexys apresentadas pelo ICB à gestão municipal para justificar os gastos com o projeto aparece como cancelada no sistema da prefeitura. A nota era de novembro de 2025 e tinha o valor de R$ 2.040.980,16. O Metrópoles também confirmou a informação.
Já a empresa GT Trend, que foi responsável pela manutenção do escritório do gabinete de Mário Frias, recebeu R$ 115,6 mil entre abril de 2023 e agosto de 2024. A empresa pertence a Wemerson Marinho da Gama, o ex-marido de Karina. Eles se separaram em 2024, ano do fim dos contratos com o gabinete de Frias.
O Metrópoles entrou em contato com o gabinete de Frias, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestação. A reportagem também aguarda retorno da defesa de Karina.
Em nota, o ICB afirma que colaborou “de forma transparente, respeitosa e imediata com todos os procedimentos realizados” durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão nesta segunda.
“Desde o primeiro momento, a instituição colocou-se à disposição das autoridades para fornecer documentos, informações e quaisquer esclarecimentos que sejam considerados necessários para a completa apuração dos fatos”, afirma a empresa. A entidade disse, ainda, que reafirma sua convicção de que os procedimentos vão demonstrar a regularidade das ações desenvolvidas pela instituição e a inexistência de desvio de finalidade nos projetos executados.
“Confiamos que a ampla análise técnica e documental contribuirá para o completo esclarecimento dos fatos de interesse público, sempre observados o devido processo legal, a transparência e o compromisso com a verdade”, termina a nota.

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