Coronel preso pela morte de esposa PM ganha 4 vezes mais do que ela

Segundo o Portal de Transparência do Governo de São Paulo, o coronel recebe cerca de R$ 30 mil. Ele é investigado por matar a esposa

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Reprodução
Imagem colorida mostra tenente-coronel preso por suspeita de feminicídio
1 de 1 Imagem colorida mostra tenente-coronel preso por suspeita de feminicídio - Foto: Reprodução

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso suspeito de matar a policial militar Gisele Alves Santana, ganha R$ 30.861,87, segundo o Portal da Transparência do governo de São Paulo. O valor corresponde a quatro vezes mais do que recebia a esposa morta, que recebia salário de R$ 7.222,33.

Segundo o Tribunal de Justiça Militar (TJM), o coronel usava de sua posição hierárquica na corporação como instrumento de dominação e violência contra a soldado da Polícia Militar (PM). Testemunhas ouvidas pela investigação contaram que o oficial ia frequentemente ao local de trabalho da vítima e usava de sua autoridade para vigiar as atividades dela.

Além disso, a mulher era proibida de trabalhar com colegas homens e tinha sua patente menosprezada pelo marido. Ele já havia sido condenado por abuso de autoridade contra uma subordinada por um episódio de 2022, quando ainda era major e comandante do 29° Batalhão da Polícia Militar (29° BPM/M).

Coronel preso pela morte de esposa PM ganha 4 vezes mais do que ela - destaque galeria
8 imagens
Gisele Alves Santana e o marido, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos
Caso foi tratado inicialmente como suicídio e, depois, alterado para morte suspeita
Gisele Alves Santana tinha 32 anos
Gisele Alves Santana tinha 32 anos
Soldado da Polícia Militar, Gisele Alves Santana foi encontrada morta
Gisele morreu no imóvel onde vivia com marido, no Brás, no centro de São Paulo
1 de 8

Gisele morreu no imóvel onde vivia com marido, no Brás, no centro de São Paulo

Instagram/Reprodução
Gisele Alves Santana e o marido, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos
2 de 8

Gisele Alves Santana e o marido, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos

Instagram/Reprodução
Caso foi tratado inicialmente como suicídio e, depois, alterado para morte suspeita
3 de 8

Caso foi tratado inicialmente como suicídio e, depois, alterado para morte suspeita

Instagram/Reprodução
Gisele Alves Santana tinha 32 anos
4 de 8

Gisele Alves Santana tinha 32 anos

Instagram/Reprodução
Gisele Alves Santana tinha 32 anos
5 de 8

Gisele Alves Santana tinha 32 anos

Instagram/Reprodução
Soldado da Polícia Militar, Gisele Alves Santana foi encontrada morta
6 de 8

Soldado da Polícia Militar, Gisele Alves Santana foi encontrada morta

Instagram/Reprodução
Gisele Alves Santana foi encontrada morta em um apartamento no Brás
7 de 8

Gisele Alves Santana foi encontrada morta em um apartamento no Brás

Instagram/Reprodução
Gisele teria tentado se separar do tenente-coronel, mas estava em uma relação considerada abusiva por familiares
8 de 8

Gisele teria tentado se separar do tenente-coronel, mas estava em uma relação considerada abusiva por familiares

Instagram/Reprodução

Fora do ambiente profissional, denúncias anônimas também apontam que o relacionamento entre Geraldo e Gisele era marcado por ameaças, perseguição e episódios de instabilidade emocional. Uma dessas testemunhas relatou que o coronel não permitia que a policial saísse maquiada quando estava longe dele.

Outros relatos indicam que Gisele não frequentava a academia sozinha, porque o marido costumava acompanhá-la nos treinos, até mesmo quando ele não ia se exercitar. Os depoimentos passaram a integrar o conjunto de elementos analisados pela investigação que busca esclarecer as circunstâncias da morte da militar.


Morte de PM levou à prisão de tenente-coronel

  • A policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada gravemente ferida na manhã de 18 de fevereiro, dentro do apartamento onde vivia com o marido no Brás, região central de São Paulo.
  • Ela foi socorrida por equipes do Corpo de Bombeiros e levada pelo helicóptero Águia da PM ao Hospital das Clínicas, onde morreu horas depois, em decorrência de traumatismo cranioencefálico provocado por disparo de arma de fogo, conforme o atestado de óbito.
  • Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio consumado, mas depois foi alterado para morte suspeita, com “dúvida razoável” de tratar-se de suicídio.
  • Com o avanço das análises periciais e a reconstituição da sequência de acontecimentos dentro do imóvel, a Polícia Civil concluiu que a dinâmica do disparo não corresponde à hipótese de suicídio inicialmente apresentada.
  • Com base nesse conjunto de elementos, a Justiça autorizou a prisão do tenente-coronel, que passou a responder pela morte da policial militar.
  • A Polícia Civil solicitou à Justiça, em 17 de março, a prisão preventiva do tenente-coronel. O pedido sucedeu a conclusão, com base em perícia técnica, de que ele seria o principal suspeito pela morte da esposa.
  • A Justiça Militar do Estado de São Paulo decretou a prisão preventiva do tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto nesta quarta-feira (18/3). Ele foi preso no mesmo dia em um condomínio residencial de São José dos Campos, no Vale do Paraíba.

O advogado Eugênio Malavasi, que defende o tenente-coronel, questiona o mandado de prisão expedido pela Justiça Militar, já que, “se houve a imputação de feminicídio e fraude processual, foi no âmbito privado, e não no âmbito da Justiça Militar”.

“Entendo que a Justiça Militar não é competente para o decreto preventivo”, argumentou Malavasi.

Justiça comum mantém prisão

Nesta quinta-feira (19/3), o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) manteve a prisão do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, após audiência de custódia. Segundo a Justiça, não foram identificadas irregularidades no cumprimento de mandado de prisão expedido pelo tribunal comum e, por isso, o coronel seguirá preso.

A Corte havia decretado a prisão preventiva de Geraldo Neto no final da tarde de quarta-feira (18/3), atendendo a um pedido da Polícia Civil, feito nessa terça-feira (17/3), após conclusão do inquérito que investiga o caso.

O Ministério Público do estado (MPSP) se manifestou favorável à prisão e denunciou o tenente-coronel por feminicídio com duas qualificadoras – motivo torpe e meio que dificultou a defesa da vítima – e fraude processual. Ele é acusado de alterar a cena do crime.

A Justiça comum aceitou a denúncia e expediu o mandado de prisão preventiva. O coronel, no entanto, já estava preso desde a manhã dessa quarta, quando foi detido em casa por agentes da Corregedoria da PM, a pedido do Tribunal de Justiça Militar (TJM).

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comSão Paulo

Você quer ficar por dentro das notícias de São Paulo e receber notificações em tempo real?