Defesa de coronel alega ilegalidade e pede anulação de prisão no STJ

Advogado diz que prisão por feminicídio, cumprida pelo Tribunal de Justiça Militar, extrapola atribuições do tribunal e é inconstitucional

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O PM Geraldo Neto (no meio no banco de trás) foi preso em São José dos Campos por feminicídio - Metrópoles
1 de 1 O PM Geraldo Neto (no meio no banco de trás) foi preso em São José dos Campos por feminicídio - Metrópoles - Foto: Reprodução/TV Globo

A defesa do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso mediante duas decisões judiciais diferentes, foi até Brasília nesta quinta-feira (19/3) para apresentar uma reclamação com pedido de liminar junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Os advogados apontam possível ilegalidade na expedição do mandado de prisão pelo Tribunal de Justiça Militar (TJM).

O Metrópoles mostrou que o oficial da PM, acusado do feminicídio da esposa, a soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi preso em cumprimento a um mandado de prisão preventiva, expedido pelo TJM, na manhã dessa quarta-feira (18/3) em São José dos Campos, interior paulista.

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No mesmo dia em que ela morreu, caso passou a ser investigado como morte suspeita
Coronel afirma desde o dia da morte da esposa que ela teria se matado
Soldado foi ferida com a arma do marido
Oficial teria comportamento controlador e ciumnto segundo testemunhas
Soldado era casada com tenente-coronel, que estava no apartamento no momento do tiro
Gisele foi socorrida e morreu no Hospital das Clínicas
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Gisele foi socorrida e morreu no Hospital das Clínicas

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No mesmo dia em que ela morreu, caso passou a ser investigado como morte suspeita
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No mesmo dia em que ela morreu, caso passou a ser investigado como morte suspeita

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Coronel afirma desde o dia da morte da esposa que ela teria se matado
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Coronel afirma desde o dia da morte da esposa que ela teria se matado

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Soldado foi ferida com a arma do marido
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Soldado foi ferida com a arma do marido

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Oficial teria comportamento controlador e ciumnto segundo testemunhas
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Oficial teria comportamento controlador e ciumnto segundo testemunhas

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Soldado era casada com tenente-coronel, que estava no apartamento no momento do tiro
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Soldado era casada com tenente-coronel, que estava no apartamento no momento do tiro

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A soldado Gisele deixou uma filha de 7 anos, fruto de outro relacionamento
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A soldado Gisele deixou uma filha de 7 anos, fruto de outro relacionamento

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Gisele Alves Santana tinha 32 anos
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Gisele Alves Santana tinha 32 anos

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Soldado da Polícia Militar, Gisele Alves Santana foi encontrada morta
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Soldado da Polícia Militar, Gisele Alves Santana foi encontrada morta

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Caso foi tratado inicialmente como suicídio e, depois, alterado para morte suspeita
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Caso foi tratado inicialmente como suicídio e, depois, alterado para morte suspeita

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Gisele foi morta exatamente um mês antes da prisão do marido. Ela levou um tiro na cabeça, atribuído pela investigação ao tenente-coronel. Ele nega o crime e alega que a esposa teria se suicidado.

Determinação “nula e ilegal”

No documento apresentado pelo STJ, o advogado Eugênio Malavasi pede o relaxamento da prisão decretada pela Justiça Militar, alegando que ela é ilegal e inconstitucional.

“A determinação judicial [da PM] é nula, ilegal, ensejando em patente constrangimento ilegal, diante da ausência de competência para sua prolação [decretação]”.

O defensor ainda alega no despacho que as acusações feitas contra o tenente-coronel estão “completamente inseridas ao âmbito privado, não relacionados à Polícia Militar”.

A prisão também causou estranhamento entre fontes do Judiciário, ouvidas em sigilo pelo Metrópoles. Isso porque, em crimes contra a vida, como o feminicídio da soldado Gisele, o caso precisa ser julgado pela Vara do Júri, condição também destacada pelo advogado do tenente-coronel.

Pedido de habeas corpus

Além do relaxamento da prisão preventiva, Malavasi também iria solicitar, ainda nesta quinta-feira, um habeas corpus para o oficial responder às acusações em liberdade.

Geraldo Neto foi submetido a uma audiência de custódia no TJM, via chamada de vídeo, em que sua prisão foi mantida. Ele seguia encarcerado no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte paulistana, até a publicação desta reportagem.

Prisão na Justiça comum

Um dia antes da prisão cumprida pela PM, a Polícia Civil já havia encaminhado outro pedido de prisão preventiva contra Geraldo Neto, resultante de investigação do 8º DP (Brás).

A solicitação foi referendada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), no fim da tarde dessa quarta, quando o tenente-coronel já estava preso. A Promotoria denunciou o oficial por feminicídio duplamente qualificado por motivo torpe e feito de forma que impediu a defesa da vítima. O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) decretou a prisão no fim da tarde do mesmo dia, mais de 28 horas após o pedido da Polícia Civil.

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