PM Gisele: MPSP pede que coronel preso indenize família em R$ 100 mil
Coronel Geraldo preso suspeito de matar a esposa, responde por feminicídio e fraude processual, após indícios de alteração na cena do crime
atualizado
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Preso nesta quarta-feira (18/3) por feminicídio, o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto passou a ser alvo de um pedido do Ministério Público de São Paulo (MPSP) para que a Justiça fixe uma indenização mínima de R$ 100 mil a ser paga aos familiares da soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos. Gisele, foi encontrada morta com um tiro na cabeça no apartamento onde vivia com o tenente-coronel, na região central de São Paulo. O valor deverá ser aplicado em caso de eventual condenação.
A solicitação foi feita no mesmo processo em que o oficial se tornou réu por feminicídio. A denúncia, aceita pela Justiça, também incluiu a acusação de fraude processual. Segundo o Ministério Público, além de matar a esposa, o tenente-coronel teria alterado a cena do crime com o objetivo de dificultar as investigações. A Promotoria aponta ainda agravantes, como motivo torpe e o uso de recursos que dificultaram a defesa da vítima.
Coronel preso por feminicídio
A prisão do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, ocorreu na manhã desta quarta-feira, após a Polícia Civil concluir, com base em perícias técnicas, que ele é o principal suspeito pela morte da esposa, a soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos.
O Coronel Geraldo Neto foi localizado em um condomínio residencial em São José dos Campos, no interior paulista, onde foi detido por agentes da Corregedoria da PM, com apoio de policiais do 8º Distrito Policial. A prisão preventiva foi autorizada pela Justiça Militar após pedido da Polícia Civil feito no dia anterior. Inicialmente tratado como suicídio, o caso passou a ser investigado como feminicídio após o avanço das investigações.
Morte de PM Gisele levou à prisão de tenente-coronel
- A policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada gravemente ferida na manhã de 18 de fevereiro, dentro do apartamento onde vivia com o marido no Brás, região central de São Paulo.
- Ela foi socorrida por equipes do Corpo de Bombeiros e levada pelo helicóptero Águia da PM ao Hospital das Clínicas, onde morreu horas depois, em decorrência de traumatismo cranioencefálico provocado por disparo de arma de fogo, conforme o atestado de óbito.
- Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio consumado, mas depois foi alterado para morte suspeita, com “dúvida razoável” de tratar-se de suicídio.
- Com o avanço das análises periciais e a reconstituição da sequência de acontecimentos dentro do imóvel, a Polícia Civil concluiu que a dinâmica do disparo não corresponde à hipótese de suicídio inicialmente apresentada.
- Com base nesse conjunto de elementos, a Justiça autorizou a prisão do tenente-coronel, que passou a responder pela morte da policial militar.
- A Polícia Civil solicitou à Justiça, em 17 de março, a prisão preventiva do tenente-coronel. O pedido sucedeu a conclusão, com base em perícia técnica, de que ele seria o principal suspeito pela morte da esposa.
- A Justiça Militar do Estado de São Paulo decretou a prisão preventiva do tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto nesta quarta-feira (18/3). Ele foi preso no mesmo dia em um condomínio residencial de São José dos Campos, no Vale do Paraíba.
O dia do disparo
Gisele foi encontrada gravemente ferida na manhã de 18 de fevereiro, dentro do apartamento onde vivia com o marido. Ela foi socorrida por equipes do Corpo de Bombeiros e levada pelo helicóptero Águia da PM ao Hospital das Clínicas, onde morreu horas depois, em decorrência de traumatismo cranioencefálico provocado por disparo de arma de fogo, conforme o atestado de óbito.
Desde o início da investigação, depoimentos colhidos pela polícia e registros das primeiras horas após o tiro passaram a levantar dúvidas sobre a narrativa apresentada pelo coronel.
Socorristas relataram que encontraram o oficial no corredor do prédio quando chegaram ao local, enquanto a vítima estava caída na sala do apartamento, com grande quantidade de sangue na região da cabeça. Testemunhas também afirmaram não ter visto manchas de sangue nas mãos ou nas roupas do militar, detalhe que passou a ser analisado pelos investigadores.
Outro elemento considerado pelos investigadores foi o intervalo entre o disparo ouvido por vizinhos e as ligações feitas pelo coronel às centrais de emergência. Uma moradora do mesmo andar afirmou ter sido acordada por um forte estrondo às 7h28, enquanto o primeiro telefonema registrado pelo oficial, solicitando socorro, ocorreu às 7h57.
“Macho alfa”
Segundo o Ministério Público , a análise de mensagens extraídas do celular do próprio tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto aponta para uma relação marcada por controle e submissão. Para a Promotoria, esse contexto ajuda a explicar o pano de fundo do crime, investigado como feminicídio. Além disso, o oficial também responde por fraude processual, acusação já reconhecida pelo Tribunal de Justiça Militar (TJM).
Na denúncia, obtida pela reportagem, os promotores descrevem o comportamento do coronel como “tóxico, autoritário e possessivo”, com base em diálogos atribuídos a ele. Em uma das mensagens, o oficial detalha o tipo de relação que esperava manter, afirmando que o homem deveria ser “provedor” e a mulher, “carinhosa e submissa”, para que “não haja atrito”.
“Eu te trato como todo homem macho alfa trata sua esposa – com amor, carinho, atenção e autoridade de macho alfa provedor e fêmea beta obediente e submissa. Como toda mulher casada deve ser”, escreveu Geraldo Neto.
As conversas também incluem declarações em que o coronel se coloca em posição de superioridade. Em um dos trechos, ele afirma tratar a esposa com “autoridade de macho alfa provedor” e descreve a mulher como “obediente e submissa”. Em outro momento, chega a se autodefinir como “rei”, exaltando qualidades pessoais.
Como pedir ajuda em casos de violência
Mulheres em situação de violência podem buscar ajuda por meio da Central de Atendimento à Mulher, pelo telefone 180. A ligação é gratuita e o serviço funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana.
Pelo canal, é possível receber orientações sobre direitos, leis e serviços de apoio, além de informações sobre locais de atendimento, como delegacias especializadas, centros de referência e defensorias públicas. O Ligue 180 também permite registrar denúncias, que são encaminhadas aos órgãos competentes, e fazer reclamações ou elogios sobre os atendimentos prestados.



















