“Conversa fiada”, diz Nunes sobre risco a soberania em decisão dos EUA. Veja vídeo

Nunes também criticou o governo federal pela nota emitida repudiando a decisão do governo Trump de classificar PCC e CV como terroristas

atualizado

metropoles.com

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O prefeito Ricardo Nunes (MDB) em coletiva de imprensa após evento da LIDE.
1 de 1 O prefeito Ricardo Nunes (MDB) em coletiva de imprensa após evento da LIDE. - Foto: LIDE/Reprodução

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), classificou como “conversa fiada” os questionamentos a respeito de possíveis ataques à soberania do Brasil, levantados após a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

“Eu acho que essa história de que a soberania é uma conversa fiada. Um trabalhador que tem que ter a sua soberania de poder viver com tranquilidade. Soberania do povo brasileiro de se ver livre dessas organizações criminosas e agora organizações terroristas. Essa é a nossa verdadeira soberania”, afirmou o prefeito.

A declaração foi dada em uma coletiva de imprensa realizada após um evento, nesta sexta-feira (29/5). Na sequência, Nunes também afirmou que os integrantes dessas facções devem ser “tratados como terroristas porque assim os são”, e que “se for para interferir, para levar integrantes do PCC e do Comando Vermelho para a cadeia, fique muito à vontade”.

“Nós temos que contar com todos os poderes da República, dos estados, de outros países para que o trabalhador, as pessoas de bem tenham um sossego”, acrescentou o prefeito. Veja:

Nunes estendeu as críticas ao governo federal, que emitiu uma nota por meio da Secretaria de Comunicação Social para questionar a decisão do presidente americano, Donald Trump.

“Eu lamento que o governo federal, ao invés de fazer uma atuação firme com relação a esse tema, tente minimizar, colocando na cabeça das pessoas algo que é totalmente incompreensível de dizer sobre soberania. Na soberania, a gente não abre mão de jeito nenhum da soberania nacional”, disse Nunes.

“Estamos falando de poder fazer uma ação com relação às organizações criminosas que atuam internacionalmente e têm lastro em outros países e o governo brasileiro se demonstrou absolutamente incapaz de fazer o seu papel, que é eliminar essas organizações criminosas. O importante dessa história toda é que PCC e Comando Vermelho estão na linha, estão no alvo do governo americano, estão no alvo da justiça para que a gente possa romper com esse ciclo de crescimento dessas organizações aqui no nosso país”, concluiu o prefeito.

Entenda a decisão dos EUA

O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou, na quinta-feira (28/5), que classificará o PCC e o CV como organizações terroristas estrangeiras. A medida faz parte da estratégia do governo do presidente Donald Trump de endurecer o combate ao crime organizado internacional e ampliar sanções contra grupos ligados ao narcotráfico.

Segundo o Departamento de Estado, as duas facções, classificadas por Trump como duas das “organizações criminosas mais violentas do Brasil”, serão oficialmente incluídas na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs, na sigla em inglês) na próxima sexta-feira (5/6).

Segundo o Departamento de Estado, as redes das facções “se estendem muito além das fronteiras do Brasil” e afetam diretamente a segurança dos Estados Unidos.

“O governo Trump continuará a usar todas as ferramentas disponíveis para proteger nossa nação e nossos interesses de segurança nacional, mantendo as drogas ilícitas longe de nossas ruas e interrompendo o fluxo de receita que financia narcoterroristas violentos”, afirmou a pasta.

As facções brasileiras foram incluídas em duas listas: a de “organizações terroristas estrangeiras” e a de “terroristas globais especialmente designados”.

Embora as duas designações frequentemente sejam aplicadas aos mesmos grupos, os enquadramentos como Organização Terrorista Estrangeira (FTO, na sigla em inglês) e Terrorista Global Especialmente Designado (SDGT) possuem diferenças jurídicas e operacionais dentro da legislação norte-americana.

Pedido de Flávio Bolsonaro

O anúncio ocorre um dia após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) revelar que pediu pessoalmente a Trump que classificasse as facções brasileiras como organizações terroristas. O encontro entre os dois ocorreu no Salão Oval da Casa Branca.

“Enquanto o Lula vai de joelhos, rastejando para implorar ao presidente americano Trump que não declare organizações criminosas como CV e PCC como terroristas, eu faço o contrário”, declarou Flávio.

Segundo o senador, Trump não deu uma resposta definitiva na ocasião, mas afirmou que avaliaria o pedido.

Reação do governo brasileiro

O governo brasileiro condenou a ofensiva dos Estados Unidos que classifica organizações criminosas brasileiras como terroristas. Em nota oficial, a Secretária de Comunicação do governo avalia que a medida “enfraquece o combate aos criminosos” e afeta áreas internas do país.

O governo Lula também relacionou o enquadramento anunciado pelo Departamento de Estado dos EUA à atuação da família Bolsonaro no país comandado por Trump. Em nota, o órgão chamou de “deplorável” que membros da família vão ao exterior para “defender intervenção estrangeira no Brasil“, como ocorreu com o tarifaço anunciado contra o Brasil no último ano.

“A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos. Por falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que pedem a autoridades estrangeiras a interferência em assuntos brasileiros”, diz trecho do posicionamento.

Ainda de acordo com a nota, medidas unilaterais e não negociadas, como a anunciada pelo Departamento de Estado nos Estados Unidos na quinta-feira (28/5), podem “enfraquecer o combate aos criminosos e gerar ações que colocam em risco a vida das pessoas que nada têm a ver com o crime”.

“Podem reduzir a capacidade de compartilhamento de informações entre as polícias. Podem afetar nosso sistema financeiro e inovações nacionais, como o Pix, que incomodam interesses estrangeiros. Em resumo, trata-se de possível retrocesso no combate ao crime, risco à vida das pessoas e prejuízos econômicos ao país. A soberania nacional é inegociável. O Brasil rejeita qualquer forma de interferência externa em seus assuntos internos”, diz outro trecho do comunicado divulgado.

A nota reafirma ainda que a colaboração internacional “será bem-vinda“, mas que não será aceito o “uso de medidas arbitrárias vindas do estrangeiro como pretexto para atacar a nossa soberania e a nossa economia”.

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