Bilionário por trás da Raízen, Ometto doou R$ 37 milhões em 4 eleições

À frente do conselho da Raízen, que atravessa grave crise com R$ 65 bilhões em dívidas, Rubens Ometto é o maior doador de campanhas do país

atualizado

metropoles.com

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Rayan Ribeiro/IDP
Rubens Ometto
1 de 1 Rubens Ometto - Foto: Rayan Ribeiro/IDP

Presidente do Conselho de Administração da Raízen, gigante de biocombustíveis que entrou com pedido de recuperação extrajudicial nesta semana para renegociar dívidas estimadas em R$ 65 bilhões, o empresário Rubens Ometto notabilizou-se no meio político por suas generosas e suprapartidárias doações em eleições municipais, estaduais e nacionais.

Levantamento feito pelo Metrópoles, com base nas prestações de contas de campanhas apresentadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostra que Rubens Ometto (foto em destaque) doou R$ 36,8 milhões nas últimas quatro eleições brasileiras (2024, 2022, 2020 e 2018). Em todas elas, o empresário bilionário foi o maior doador do país.

Segundo os registros, foram 342 doações feitas por Ometto, sendo o maior número (217) e a maior quantia (R$ 19,3 milhões) nas eleições municipais de 2024. Na ocasião, o dinheiro do empresário, que é acionista controlador da Cosan e tem uma fortuna estimada em R$ 7,6 bilhões, abasteceu uma vasta lista de candidatos que inclui nomes do PT, PL, PSD, PP, PSB, MDB, União Brasil e Republicanos.

Nas últimas eleições gerais, em 2022, Ometto doou R$ 7,4 milhões a 28 partidos ou candidatos. O maior beneficiário foi o diretório nacional do Republicanos, com R$ 1,5 milhão. Entre os candidatos, a maior quantia (R$ 200 mil) foi transferida para a campanha do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, do mesmo partido.

A soma que atinge quase R$ 37 milhões em doações eleitorais não inclui transferências feitas por Ometto a partidos políticos em anos não eleitorais. Em 2025, por exemplo, o bilionário doou R$ 1,7 milhão para o Republicanos, que também é a legenda do atual presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta.


Crise da Raízen

  • Fruto de uma joint venture entre a Cosan, de Rubens Ometto, e a multinacional Shell, de origem anglo-holandesa, a Raízen surgiu em 2011 e se consolidou como a maior empresa de biocombustíveis do país e a maior produtora mundial de etanol de cana-de-açúcar.
  • Em 2024, a Raízen começou a registrar resultados financeiros decepcionantes. No primeiro trimestre da safra 2025/2026, o prejuízo líquido já chegava a R$ 1,8 bilhão, ante um lucro de R$ 1,1 bilhão registrado no mesmo período da safra anterior (2024/2025).
  • Já no período entre outubro e dezembro de 2025, o balanço financeiro da companhia apontou um buraco de R$ 15,6 bilhões, um aumento de 508% em relação às perdas de R$ 2,5 bilhões acumuladas no quarto trimestre do ano anterior. Nesse mesmo período, a dívida líquida cresceu 43,4%, alcançando R$ 55,3 bilhões.
  • Na segunda semana de fevereiro deste ano, a Raízen informou, em suas demonstrações financeiras do terceiro trimestre da safra 2025/26, a presença de eventos e circunstâncias que “indicam a existência de incerteza significativa quanto à continuidade operacional da companhia”.
  • De acordo com a companhia, tal incerteza era resultado do fato de a “estrutura de capital permanecer pressionada pelo nível de endividamento e pelos respectivos encargos financeiros”.
  • Gigante dos biocombustíveis, a continuidade da operação da companhia preocupava tanto o governo brasileiro, pela dimensão da empresa no mercado, como a Shell, que tem na Raízen parte substancial de seus planos de energia limpa e, no Brasil, um dos mercados mais importantes para a petrolífera britânica.
  • Diante desse quadro, as ações da Raízen negociadas na Bolsa brasileira (B3) se desvalorizaram mais de 60% em 12 meses e passaram a ser negociadas a centavos. A empresa também perdeu sua classificação de crédito de investimento seguro das principais agências avaliadoras de risco. A Shell e o conglomerado brasileiro detêm, cada um, participação de 44% na Raízen.
  • No início deste mês, uma semana antes de entrar com pedido de recuperação extrajudicial, a Raízen apresentou ao mercado uma proposta de contribuição de capital no valor de R$ 4 bilhões por parte de seus controladores, sendo R$ 3,5 bilhões do Grupo Shell e R$ 500 milhões da família do empresário Rubens Ometto, controlador da Cosan.

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