Assessor investigado tinha R$ 122 mil guardados em casa de alto padrão
Operação contra fraude fiscal apreende R$ 122 mil em espécie, bloqueia R$ 20, 8 milhões de suspeitos, prende dois e afasta quatro auditores
atualizado
Compartilhar notícia

Um dos assessores alvo da Operação Mágico de Oz, deflagrada pelo Ministério Público nesta sexta-feira (13/3) contra um esquema de corrupção, fraudes tributárias e lavagem de dinheiro, em Osasco, teve cerca de R$ 122 mil em espécie apreendidos em uma casa de alto padrão, em Valinhos, interior de São Paulo.
Segundo a Polícia Militar (PM), a corporação foi acionada para três pontos distintos para cumprir mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária.
Na casa do assessor, que não teve o nome divulgado, os agentes encontraram e apreenderam, além da alta quantia de dinheiro, dois celulares, dois notebooks e uma CPU.
Além do endereço do assessor, os agentes foram também na casa de um auditor fiscal da cidade, onde apreenderam quase R$ 11 mil em espécie, três aparelhos celulares, dois notebooks, quatro pendrives, dois carimbos, cartões e documentos diversos.
O auditor também foi preso temporariamente. Ele foi conduzido ao Plantão Policial de Valinhos para formalização do cumprimento da ordem judicial.
Em um terceiro endereço, apontado pelas autoridades como um escritório ligado aos investigados, a PM apreendeu mais de R$ 39 mil em espécie, dois notebooks e documentos diversos.
Todos o material apreendido foi apresentado e permaneceu sob custódia do Ministério Público, responsável pela investigação.
Operação Mágico de Oz
Ao todo, foram cumpridos 20 mandados de busca e apreensão e dois de prisão temporária na capital, em Osasco, Valinhos e Tupi Paulista. O vice-prefeito de Tupi Paulista, Frederico Marquezim (PSD), e quatro agentes fiscais de renda foram afastados de suas funções. Dois deles foram presos. A pedido do MPSP, a Justiça paulista decretou o bloqueio de R$ 20,8 milhões dos suspeitos.
Segundo a investigação, os auditores fiscais usaram empresas em nomes de parentes, como clínicas de estética e de repouso, para lavar dinheiro fruto de corrupção.
Os quatro fiscais afastados são: Rafael Merihui Valenciano, Jorge Luiz David, Fernando Kenji Iwai e Milton Mamoru.
Fraudes fiscais
As fraudes foram identificadas a partir das investigações da Operação Ícaro, de agosto do ano passado, que prendeu o dono da rede de farmácias Ultrafarma, Sidney Oliveira. Na ocasião, um suposto esquema de corrupção envolvendo fraude bilionária em créditos de ICMS terminou com seis presos e milhões apreendidos em dinheiro e bens, além de relógios de luxo e esmeraldas (leia mais abaixo).
A Operação Mágicos de Oz, desta sexta, é realizada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Repressão aos Delitos Econômicos (Gedec). As diligências contam com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaec), do MPSP, e das Polícias Civil e Militar.
A investigação aponta a existência de uma estrutura organizada que utilizava pessoas interpostas para recebimento de propina por agentes públicos, com posterior movimentação de valores ilícitos e ocultação patrimonial.
Relembre Operação Ícaro
- Em agosto do ano passado, o MPSP deflagrou a Operação Ícaro, contra um esquema de fraude na concessão de créditos de ICMS. Na ocasião, seis pessoas foram presas:
- Artur Gomes da Silva Neto, apontado como principal operador do esquema. Ele é auditor e supervisor da Diretoria de Fiscalização da Fazenda estadual paulista e teria recebido mais de R$ 1 bi em propina.
- Sidney Oliveira, empresário dono da Ultrafarma, preso na chácara em Santa Isabel, na Grande São Paulo.
- Mário Otávio Gomes, diretor estatutário da Fast Shop, detido em um apartamento, na zona norte da capital.
- Marcelo de Almeida Gouveia, auditor da Secretaria da Fazenda que auxiliava Artur nas negociações com a Fast Shop. Com ele, o MPSP encontrou R$ 330 mil em espécie, mais US$ 10 mil e 600 euros.
- Celso Éder Gonzaga e Tatiana de Araújo, presos em Alphaville, na região metropolitana. Com o casal, foi encontrado R$ 1,2 milhão, R$ 200 mil em criptomoedas, US$ 10.700, relógios avaliados em R$ 8 milhões e 1.590 euros.
- O MPSP também cumpriu 19 mandados de busca e apreensão. Além dos valores sequestrados dos detidos, foram retidos R$ 73 mil e US$ 13 mil com uma das contadoras envolvidas no esquema.
- No centro do esquema, segundo os promotores do MPSP, estava o auditor Artur Gomes da Silva Neto, então supervisor da Diretoria de Fiscalização da Fazenda estadual. Ele tinha contato direto com os empresários e teria recebido propina por meio de uma empresa em nome da sua mãe. O esquema consistia na emissão créditos de ICMS inflacionados e funcionava ao menos desde 2021.
O Metrópoles não conseguiu resposta da prefeitura de Tupi Paulista e aguarda posicionamento a respeito do afastamento do vice-prefeito da cidade.
Em nota, a Secretaria da Fazenda e Planejamento do estado (Sefaz-SP) informou que atua desde a deflagração da Operação Ícaro, em agosto de 2025, em conjunto com o MPSP, colaborando com as investigações.
“Como integrante do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos, a Sefaz-SP tem atuado em diversas frentes e operações de combate à sonegação fiscal, à lavagem de dinheiro e a ilícitos contra a ordem tributária, em conjunto com os órgãos responsáveis pela operação deflagrada na data de hoje (13/3)”, diz o texto.






