Operação da PF apreende cigarros eletrônicos no interior de SP e MS
Polícia mira responsabilizar comerciantes dos vapes. Segundo pesquisa da USP, mercado movimenta cerca de R$ 5,8 milhões por dia no estado
atualizado
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A Polícia Federal (PF) apreendeu grande quantidade de cigarros eletrônicos durante uma operação contra o comércio ilegal do dispositivo, na manhã desta quinta-feira (12/3), em Santa Fé do Sul, no interior de São Paulo. Segundo uma pesquisa da Escola de Segurança Multidimensional da Universidade de São Paulo (ESEM-USP), o mercado ilícito movimenta cerca de R$ 5,8 milhões por dia no estado.
A apreensão faz parte da Operação Hit II, que tem o objetivo de combater o comércio dos cigarros eletrônicos. Ao todo, estão sendo cumpridos quatro mandados de busca e apreensão nas cidade de Santa Fé do Sul (SP) e de Paranaíba, no Mato Grosso do Sul.
Investigações apontaram que um comerciante da cidade paulista, que já havia sido alvo da primeira fase da operação, voltou a descumprir a proibição de venda de cigarros eletrônicos e de acessórios, conforme norma da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). As ordens de busca foram expedidas pela Justiça Federal de São José do Rio Preto e os responsáveis pelos estabelecimentos comerciais poderão responder por contrabando.
Os objetos apreendidos estão sendo encaminhados à sede da PF em Jales, responsável pela condução das investigações. A operação segue em andamento.
Mesmo proibidos, produtos seguem em expansão
Apesar de proibidos no Brasil, conforme os dados da pesquisa, os cigarros eletrônicos seguem em expansão e quase um milhão de pessoas consumiram vapes no mês de setembro do ano passado. A pesquisa utilizou uma amostra por cotas de 3.000 entrevistados, que responderam um questionário sobre a noção da ilicitude, a frequência de compra, as motivações e os meios de adquirir os produtos.
Para Leandro Piquet, coordenador da pesquisa e especialista em segurança pública e mercados ilícitos, o regime de proibição não elimina os produtos do mercado, mas transfere o controle ao crime organizado, que se beneficia de uma fonte lucrativa e estratégica de financiamento.
O que torna o vape tão perigoso?
Apesar de ser vendido como uma alternativa “menos nociva” ao cigarro tradicional, o cigarro eletrônico não é inofensivo. Os riscos aumentam de acordo com o tempo de uso, a frequência das tragadas e a composição dos líquidos vaporizados — muitos deles não regulamentados e com fórmulas desconhecidas. Entre os ingredientes, o diacetil aparece como um dos principais vilões.
Estudos mais recentes apontam para um número crescente de problemas de saúde entre jovens usuários de vape. O fator preocupante é que doenças podem se desenvolver de forma silenciosa, sem sinais evidentes nos estágios iniciais.
Um dos perigos mais graves ligados ao uso frequente dos vapes é a bronquiolite obliterante — uma doença inflamatória grave, progressiva e sem cura, que atinge as vias aéreas mais finas dos pulmões. Conhecida como “pulmão de pipoca”, a condição compromete severamente a respiração e pode deixar sequelas irreversíveis.
Cenário nacional
No âmbito nacional, o estudo estima que um em cada 21 brasileiros tenha usado vapes ou sachês de nicotina nos últimos três meses — cerca de dez milhões de pessoas. O material também detalha dados sobre o perfil e as motivações dos consumidores.
Entre as razões para o consumo, destacam-se os 29,49% dos entrevistados que fazem uso por curiosidade e os 10,71% que consomem por influência de amigos/conhecidos.
