Aliado de Bolsonaro vota contra Tarcísio e diz que PT ajuda governador
“Se diz de oposição, mas na verdade é base”, disse Gil Diniz (PL) sobre o PT após aprovação de projeto que autoriza empréstimo bilionário
atualizado
Compartilhar notícia

Defensor da família Bolsonaro, o deputado estadual Gil Diniz (PL) afirmou que o Partido dos Trabalhadores (PT) atua como se fosse aliado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo. A fala aconteceu após o PT ajudar a aprovar, nesta terça-feira (24/3), um projeto de lei que autorizou o governo paulista a obter um empréstimo de R$ 15 bilhões.
“Não tenho bola de cristal, mas em algumas sessões anunciei que o PT voaria ‘sim’ nesse projeto. Que subiriam na tribuna e ficariam achacando o governador, falando que o empréstimo não tem garantias, é muito caro, que o governador pegaria empréstimo em ano eleitoral. E desafiei a votarem ‘não’, já que são tão críticos do governador. Acontece que, em mais uma votação, o PT dá a vitória ao governador Tarcísio de Freitas”, afirmou o bolsonarista. Ele ainda afirmou que o partido vai ajudar Tarcísio a se reeleger em 2026.
“Venham aqui para a base do governo, se digam base do governo, assinem, façam parte. Saiam da minoria, parem de falar que são oposição, porque a realidade é que não são. O PT votou junto com o governador Tarcísio e a sua base aqui. Repito, o Partido dos Trabalhadores vai eleger Tarcísio Gomes de Freitas. O PT é um transpartido. Se diz de oposição, mas na verdade é base.”
O projeto de lei foi aprovado na Assembleia Legislativa (Alesp) com 54 votos favoráveis e 4 contrários. Entre os votos a favor da medida, estão seis deputados estaduais do PT, adversário político de Tarcísio.
Gil Diniz é cotado para disputar uma das duas vagas a candidatos, do lado bolsonarista, ao Senado no estado. O outro nome é o do ex-secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite (PP). Emboram compartilhem a aliança com Bolsonaro, o deputado e o governador têm rivalizado em São Paulo. Em março, o parlamentar defendeu que o PL tenha um candidato próprio ao governo do estado.
Dos outros três deputados que votaram contra o projeto de Tarcísio, dois são bolsonaristas: Guto Zacarias (Missão) e Vitão do Cachorrão (Podemos). O terceiro nome, de oposição, é Andréa Werner, do PSB.
Pacote bilionário
A Alesp autorizou a gestão paulista a obter um empréstimo de R$ 15 bilhões para financiar projetos do governo. Conforme revelado pelo Metrópoles, Tarcísio tem interesse nos recursos para tocar projetos considerados vitrine no ano eleitoral, como o programa Superação da Pobreza, a obra do trecho norte do Rodoanel e o Novo Centro Administrativo.
O Palácio dos Bandeirantes defende que a operação de crédito seja feita junto a organismos internacionais, especialmente o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que teria expertise em empréstimos voltados a programas ou políticas sociais.
Em nota, o Governo de São Paulo afirmou que possui espaço fiscal que permite contratações de operações de crédito para investimentos, mediante aprovação de leis específicas pelo Legislativo.
“O Estado tem resiliência fiscal e ampla capacidade de cumprimento de financiamentos dessa natureza, sempre observando os limites da legislação. Mesmo com aval legal, as operações só são efetivadas após tratativas inerentes ao agente financiador e concessões de garantias pela União”, disse a gestão estadual.
Financiamento de projetos-vitrine
O projeto enviado à Alesp prevê a autorização para ações consideradas estratégicas para a gestão Tarcísio:
- Investimento no programa Superação da Pobreza, tido como o “carro-chefe” de Tarcísio na área social: R$ 433,3 milhões.
- Aporte em parceria público-privada (PPP) do Novo Centro Administrativo: até o valor de R$ 3,4 bilhões.
- Melhoria da sustentabilidade da dívida do Estado de São Paulo: até o valor de R$ 5,1 bilhões.
- Trecho Norte do Rodoanel Mário Covas: até o valor de R$ 4,4 bilhões.
- Trechos Sul e Leste do Rodoanel Mário Covas: até o valor de R$ 942,2 milhões.
- Projeto de Apoio às Redes Regionais de Atenção à Saúde do Estado de São Paulo (ARAS-SP): até o valor de US$ 157.404.021,93.
Apoio e explicação do PT
Em mensagem enviada antes da votação, o PT questionou o que definiu como “falta de transparência geral quanto ao direcionamento e controle dos recursos”. A bancada destacou que o projeto tramitou em regime de urgência, o que limitou a avaliação e a possibilidade de aperfeiçoar a contratação e aplicação dos empréstimos.
Entre os pontos destacados pelo partido, está a possível destinação de cifra bilionária para o Rodoanel. “A bancada considera espantoso que os financiamentos dos trechos Norte e Leste do Rodoanel Mario Covas servirão para fazer ressarcimentos de desequilíbrios contratuais e não para novos investimentos ou melhorias na infraestrutura já implantada”, afirmou o PT.
Dez dos 18 deputados da federação PT/PC do B/PV obstruíram a votação. Outros dois estão licenciados. No entanto, seis parlamentares petistas apoiaram a medida. Os votos favoráveis vieram de Beth Sahão, Dr. Jorge do Carmo, Eduardo Suplicy, Luiz Marcolino, Paulo Fiorilo e Professora Bebel.
Durante a votação, Marcolino justificou que o partido “quer ver o estado crescer”. Ele alegou que a legenda vai cobrar que Tarcísio use os recursos corretamente.
Já a Professora Bebel afirmou que os recursos estão “longe de integrar um projeto de proteção social” e criticou a destinação de recursos para o novo centro administrativo, mas argumentou que o partido “não tem discordância de que o governo faça empréstimos”.
