Tarcísio pede empréstimo de R$ 430 milhões para “Bolsa Família de SP”

Programa Superação, carro-chefe de Tarcísio para a área social, está entre as ações para as quais o governo busca empréstimos para tocar

atualizado

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Foto: Paulo Guereta/Gov SP
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O Governo de São Paulo pretende contratar empréstimos no valor de até R$ 15 bilhões para tocar projetos considerados vitrine para o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), como o programa Superação da Pobreza, a obra do trecho norte do Rodoanel e o Novo Centro Administrativo (leia abaixo sobre outros projetos).

Para o Superação, tido como o “carro-chefe” de Tarcísio na área social, o valor pretendido é de US$ 82,3 milhões, o que equivale a R$ 433,3 milhões na cotação atual. De acordo com a gestão estadual, o programa visa “contribuir para o rompimento do ciclo da pobreza e promover a autonomia e a melhoria das condições de vida das famílias em situação de vulnerabilidade”. Em 2025, o investimento do caixa estadual foi de cerca de R$ 500 milhões.

Um projeto de lei requerendo autorização para os empréstimos foi enviado no início do mês à Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) pelo governo paulista, com pedido de urgência na tramitação. A previsão da liderança do governo na Casa é de votar o texto nas próximas semanas.

Na justificativa do pedido de empréstimo para o programa social, o governo Tarcísio argumenta que “o volume e a natureza das ações previstas no cronograma de execução do programa demandam fontes de financiamento estáveis, acessíveis e com suporte técnico especializado”.

Expertise do BID

O governo acrescenta que a operação de crédito deve ser feita junto a organismos internacionais, especialmente o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que teria expertise em empréstimos voltados a programas ou políticas sociais.

“A opção pelo financiamento externo surge como alternativa estratégica e vantajosa. Além de oferecer melhores condições financeiras quando comparado ao mercado nacional — especialmente diante da volatilidade da taxa Selic e dos custos de capital interno —, os organismos multilaterais garantem maior previsibilidade de desembolsos e maior capacidade de apoio técnico à implementação de políticas públicas complexas”, afirma o governo paulista.

A gestão cita como exemplos os estados do Ceará, Pernambuco e Bahia, que tiveram financiamento do BID em iniciativas similares, além de a instituição já possuir “histórico de cooperação técnica e diálogo institucional com o Estado de São Paulo, facilitando a convergência entre as diretrizes estratégicas do programa e as linhas prioritárias do banco”.

Em nota, o Governo de São Paulo afirmou que possui espaço fiscal que permite contratações de operações de crédito para investimentos, mediante aprovação de leis específicas pelo Legislativo.

“O Estado tem resiliência fiscal e ampla capacidade de cumprimento de financiamentos dessa natureza, sempre observando os limites da legislação. Mesmo com aval legal, as operações só são efetivadas após tratativas inerentes ao agente financiador e concessões de garantias pela União”, disse a gestão estadual.


Outras ações

O projeto enviado à Alesp prevê a autorização para outras ações consideradas estratégicas para a gestão Tarcísio:

  • Aporte em parceria público-privada (PPP) do Novo Centro Administrativo: até o valor de R$ 3,4 bilhões.
  • Melhoria da sustentabilidade da dívida do Estado de São Paulo: até o valor de R$ 5,1 bilhões.
  • Trecho Norte do Rodoanel Mário Covas: até o valor de R$ 4,4 bilhões.
  • Trechos Sul e Leste do Rodoanel Mário Covas: até o valor de R$ 942,2 milhões.
  • Projeto de Apoio às Redes Regionais de Atenção à Saúde do Estado de São Paulo (ARAS-SP): até o valor de US$ 157.404.021,93.

Projeto Tamoios dobra valor

Além das iniciativas previstas para os empréstimos de R$ 15 bilhões, na última terça-feira (10/3), os deputados aprovaram um projeto do governador que aumenta o limite autorizado de tomada de empréstimos para o Projeto Tamoios.

O valor que antes poderia chegar até R$ 2,2 bilhões saltou para R$ 4,2 bilhões. O texto já foi sancionado por Tarcísio.

Segundo o governo, a atualização foi necessária após inclusão do Sistema Rodoviário Ubatuba-Caraguatatuba (SP-055) no escopo da concessão da Rodovia dos Tamoios. O contrato prevê que o Estado deve aportar dois terços do valor total da obra.

Ainda de acordo com a gestão estadual, o dinheiro do empréstimo será usado para duplicar trechos da rodovia, implementar túneis e fazer a “modernização da infraestrutura existente e da implantação de operação rodoviária permanente com padrões elevados de atendimento ao usuário”, segundo justificativa enviada pela Secretaria de Parcerias em Investimentos aos deputados.

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