Tarcísio ameaça encerrar contrato de BRT do ABC atrasado desde 2022
Governador Tarcísio de Freitas reforça pressão da Artesp contra empresa contratada desde 2022 para construir corredor de BRT do ABC até SP
atualizado
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O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) reforçou a intenção de encerrar o contrato de R$ 237 milhões para a construção do BRT do ABC com a empresa Next Mobilidade, marcando mais um capítulo de um imbróglio iniciado em 2014.
O modal com veículos elétricos pretende ligar as cidades da região do ABC paulista com a capital. A promessa que 12 anos atrás seria de construção do metrô entre os dois pontos se transformou em um contrato de BRT, que é o transporte de ônibus por corredor exclusivo, assinado em 2022.
Em razão do atraso da conclusão da obra prometida para meados de 2023, a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) cobrou celeridade da Next Mobilidade em uma deliberação publicada no Diário Oficianl no dia 3 de fevereiro.
“É um assunto que nos preocupa bastante, a antiga linha 18, o BRT, e a gente deve tomar medidas mais firmes. A gente deve, realmente, encaminhar para uma decretação de caducidade. A gente tem um acordo que não está sendo honrado, não está sendo honrado, não está sendo cumprido”, disse o governador em agenda na quarta-feira (11/3).
A concessionária informa que a obra será entrega até outubro deste ano.
“Foi feita uma prorrogação do contrato de concessão daquela bacia de transporte, levando-se em consideração que havia uma vantajosidade e a vantajosidade estava justamente no investimento que deveria ser feito no BRT. Esse BRT não está andando, está muito aquém do esperado. A gente está vendo aí mais uma postergação de prazo. Então, aquele compromisso que nós tínhamos para este ano, inclusive, que era para iniciar a operação, ainda que com uma transferência para a linha 2, eles não vão honrar, não vão conseguir executar. Então, não nos resta outra alternativa senão partir para uma medida mais firme com relação a esse contrato”, completou Tarcísio.
Como é no papel
O trajeto de 17,3 km de extensão, entre o centro de São Bernardo do Campo e a capital, prevê passagem pelos municípios de Santo André e São Caetano do Sul e inclui paradas nos terminais Tamanduateí e Sacomã, ambos em São Paulo.

A expectativa é de que o percurso entre o Terminal São Bernardo e o Terminal Sacomã, na capital, seja feito em 40 minutos na modalidade expressa.
Além do serviço expresso, com menos paradas e velocidade média de 25 km/h, o passageiro poderá escolher outras duas opções: semi-expresso, com percurso previsto de 43 minutos, e parador, de 52 minutos.
As estações prometem ser envidraçadas, climatizadas com ar-condicionado e equipadas com internet wi-fi e painéis que mostrarão a previsão de chegada dos ônibus. A cobrança da tarifa será feita nas estações e o piso dos veículos será em nível da plataforma.
Novela
O BRT-ABC teve a construção iniciada em fevereiro de 2022, durante o governo de João Doria, que escolheu o corredor como solução para substituir o projeto da Linha 18-Bronze, cujo contrato de parceria público-privada havia sido assinado na gestão de Geraldo Alckmin, em 2014, e que tinha custo de cerca de R$ 4,2 bilhões para o estado.
Em 2020, o então governador anunciou a decisão de que a linha seria substituída por um projeto de BRT, alegando impossibilidade de execução do projeto. Dois anos depois, o contrato foi assinado. Desde então, a empresa ganhadora do contrato, Next Mobilidade, e o governo de São Paulo não avançam casas com esse trajeto de obstáculos.
