Com votos do PT, Alesp aprova pacote bilionário da gestão Tarcísio
Tarcísio de Freitas enviou projeto para obter empréstimo de R$ 15 bilhões e financiar projetos considerados vitrine em ano eleitoral

A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) autorizou a gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) a obter um empréstimo de R$ 15 bilhões para financiar projetos do governo. A votação ocorreu no final da tarde desta terça-feira (24/3).
Conforme revelado pelo Metrópoles, o Tarcísio tem interesse no empréstimo para tocar projetos considerados vitrine no ano eleitoral, como o programa Superação da Pobreza, a obra do trecho norte do Rodoanel e o Novo Centro Administrativo.
O Palácio dos Bandeirantes defende que a operação de crédito seja feita junto a organismos internacionais, especialmente o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que teria expertise em empréstimos voltados a programas ou políticas sociais.
Em nota, o Governo de São Paulo afirmou que possui espaço fiscal que permite contratações de operações de crédito para investimentos, mediante aprovação de leis específicas pelo Legislativo.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SP“O Estado tem resiliência fiscal e ampla capacidade de cumprimento de financiamentos dessa natureza, sempre observando os limites da legislação. Mesmo com aval legal, as operações só são efetivadas após tratativas inerentes ao agente financiador e concessões de garantias pela União”, disse a gestão estadual.
Financiamento de projetos-vitrine
O projeto enviado à Alesp prevê a autorização para ações consideradas estratégicas para a gestão Tarcísio:
- Investimento no programa Superação da Pobreza, tido como o “carro-chefe” de Tarcísio na área social: R$ 433,3 milhões.
- Aporte em parceria público-privada (PPP) do Novo Centro Administrativo: até o valor de R$ 3,4 bilhões.
- Melhoria da sustentabilidade da dívida do Estado de São Paulo: até o valor de R$ 5,1 bilhões.
- Trecho Norte do Rodoanel Mário Covas: até o valor de R$ 4,4 bilhões.
- Trechos Sul e Leste do Rodoanel Mário Covas: até o valor de R$ 942,2 milhões.
- Projeto de Apoio às Redes Regionais de Atenção à Saúde do Estado de São Paulo (ARAS-SP): até o valor de US$ 157.404.021,93.
Apoio e explicação do PT
O projeto de lei que autoriza Tarcísio a contratar operações de crédito foi aprovado com 54 votos favoráveis e 4 contrários. Entre os votos a favor da medida, estão seis deputados estaduais do Partido dos Trabalhadores (PT), adversário político de Tarcísio.
Em mensagem enviada antes da votação, o PT questionou o que definiu como “falta de transparência geral quanto ao direcionamento e controle dos recursos”. A bancada destacou que o projeto tramitou em regime de urgência, o que limitou a avaliação e a possibilidade de aperfeiçoar a contratação e aplicação dos empréstimos.
Entre os pontos destacados pelo partido, está a possível destinação de cifra bilionária para o Rodoanel. “A bancada considera espantoso que os financiamentos dos trechos Norte e Leste do Rodoanel Mario Covas servirão para fazer ressarcimentos de desequilíbrios contratuais e não para novos investimentos ou melhorias na infraestrutura já implantada”, afirmou o PT.
Dez dos 18 deputados da federação PT/PC do B/PV obstruíram a votação. Outros dois estão licenciados.
Os apoios petistas vieram de Beth Sahão, Dr. Jorge do Carmo, Eduardo Suplicy, Luiz Marcolino, Paulo Fiorilo e Professora Bebel.
Durante a votação, Marcolino justificou que o partido “quer ver o estado crescer”. Ele alegou que a legenda vai cobrar que Tarcísio use os recursos corretamente.
Já a deputada Professora Bebel afirmou que os empréstimos estão “longe de integrar um projeto de proteção social” e criticou a destinação de recursos para o novo centro administrativo, mas argumentou que o partido “não tem discordância de que o governo faça empréstimos”.
Voto contrário de bolsonarista
O bolsonarista Gil Diniz (PL) foi um dos quatro deputados que votaram contra a autorização para o empréstimo.
Ele, no entanto, criticou o apoio petista na aprovação do projeto de Tarcísio e ironizou que o PT atua em conjunto com a base do governo, não como oposição. Para ele, o PT vai “reeleger Tarcísio de Freitas no primeiro turno“.
O parlamentar é cotado para disputar uma das duas vagas a candidatos, do lado bolsonarista, ao Senado no estado. O outro nome é o do ex-secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite (PP).
Os outros três deputados que votaram contra o projeto de Tarcísio, dois são bolsonaristas: Guto Zacarias (Missão) e Vitão do Cachorrão. O terceiro nome, de oposição, é Andréa Werner, do PSB.



