Tarcísio fala pela 1ª vez sobre morte de PM Gisele e cobra condenação. Veja vídeo
Governador Tarcísio de Freitas rompe silêncio sobre feminicídio cometido por tenente-coronel da PM e diz esperar “condenação”
atualizado
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Passado mais de um mês desde a morte da policial militar Gisele Alves Santana, assassinada, segundo a investigação da Polícia Civil, pelo marido, o tenente-coronel Geraldo Neto, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) falou pela primeira vez sobre o caso publicamente.
Questionado pelo Metrópoles sobre por que não havia comentado ainda sobre o caso, Tarcísio disse que “posicionamento é prender o criminoso”.
“O posicionamento público é prender o criminoso e apresentá-lo à Justiça. Esse é o posicionamento público. É não deixar um crime desse em vão, impune. E a gente não vai deixar”, respondeu Tarcísio, durante um evento de entregas de viaturas e de anúncio de investimentos para as polícias Civil e Militar, e o Corpo de Bombeiros.
“A melhor resposta que a gente pode dar para o caso da PM Gisele, que a gente lamenta muito, como a gente lamenta cada feminicídio, é a punição dura do responsável. O policial que cometeu o feminicídio está preso, vai ser apresentado à Justiça, vai ser julgado e a gente espera que ele seja condenado com todo o rigor da lei, que é assim que a gente vai começar a combater essa sensação de impunidade”, acrescentou.
Relembre casos em que Tarcísio lamentou morte de policiais
- Subtenente Paulino Cristovam da Silva: Policial morreu a caminho do desfile do Sete de Setembro em São Paulo, ao cair do cavalo que montava. “Que neste momento Deus conforte familiares e amigos”, disse o governador, no mesmo dia da morte.
- Ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes: Executado a tiros no litoral paulista, foi citado por Tarcísio na manhã do dia seguinte. O governador disse que Ruy foi “covardemente assassinado” e lembrou a trajetória do policial. “Estamos trabalhando para identificar e prender os criminosos”, disse.
- Delegado Josenildo Belarmino Moura Junior: Vítima de um latrocínio em Santo Amaro, na zona sul de São Paulo. O governador manifestou seus sentimentos à família e falou, um dia depois do caso, que o “crime bárbaro” não ficaria impune.
O estado de São Paulo vive um recorde de feminicídios. Em 2025, foram 266 casos, um aumento de cerca de 8% em relação ao ano anterior, quando 246 mulheres foram assassinadas.
Um levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostrou que entre 2021 e 2025 houve um crescimento de 96% no número de vítimas de feminicídio no estado.
Tarcísio afirmou que sua gestão tem prendido agressores de mulheres e investido na prevenção e alegou que esse é um problema do país.
“Essa chaga não é só de São Paulo, é uma chaga nacional e São Paulo está tomando todas as medidas, investindo em tecnologia para que a gente possa ter o melhor resultado possível”, disse.
O recorde de feminicídios no estado é um calcanhar de aquiles na gestão do governador e vem sendo apontado pela oposição como um problema grave na segurança pública de São Paulo.
Relembre o caso da PM Gisele
- A policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada gravemente ferida na manhã de 18 de fevereiro, dentro do apartamento onde vivia com o marido no Brás, região central de São Paulo.
- Ela foi socorrida por equipes do Corpo de Bombeiros e levada pelo helicóptero Águia da PM ao Hospital das Clínicas, onde morreu horas depois, em decorrência de traumatismo cranioencefálico provocado por disparo de arma de fogo, conforme o atestado de óbito.
- Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio consumado, mas depois foi alterado para morte suspeita, com “dúvida razoável” de tratar-se de suicídio.
- Com o avanço das análises periciais e a reconstituição da sequência de acontecimentos dentro do imóvel, a Polícia Civil concluiu que a dinâmica do disparo não corresponde à hipótese de suicídio inicialmente apresentada.
- Com base nesse conjunto de elementos, a Justiça autorizou a prisão do tenente-coronel, que passou a responder pela morte da policial militar.
- A Polícia Civil solicitou à Justiça, em 17 de março, a prisão preventiva do tenente-coronel. O pedido sucedeu a conclusão, com base em perícia técnica, de que ele seria o principal suspeito pela morte da esposa.
- A Justiça Militar do Estado de São Paulo decretou a prisão preventiva do tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto nessa quarta-feira (18/3). Ele foi preso no mesmo dia em um condomínio residencial de São José dos Campos, no Vale do Paraíba.
