Petróleo recua com possível cessar-fogo, mas segue acima de US$ 100

Contrato futuro para maio do barril de petróleo do tipo WTI (referência para o mercado dos EUA) recuava 0,63% e era negociado a US$ 110,84

atualizado

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Campo petrolífero com plataformas ao pôr do sol. Indústria petrolífera mundial - Metrópoles
1 de 1 Campo petrolífero com plataformas ao pôr do sol. Indústria petrolífera mundial - Metrópoles - Foto: Anton Petrus/ Getty Images

Os preços internacionais do petróleo operavam em queda na manhã desta segunda-feira (6/4), após a apresentação de uma proposta de cessar-fogo para o conflito entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio.

Mesmo assim, a cotação do barril de petróleo ainda se mantinha acima dos US$ 100. Diante da escalada da guerra nas últimas semanas, os preços da commodity fecharam o mês de março registrando a maior alta mensal em quase 40 anos, desde 1988.


O que aconteceu

  • Por volta das 9h15 (pelo horário de Brasília), o contrato futuro para maio do barril de petróleo do tipo WTI (referência para o mercado norte-americano) recuava 0,63% e era negociado a US$ 110,84.
  • Às 9h20, o contrato futuro para junho do petróleo do tipo Brent (referência para o mercado internacional) registrava queda de 0,39%, a US$ 108,60.

Entrevista de Trump e proposta de cessar-fogo

A semana começa da mesma forma que a última terminou: com os olhos dos investidores voltados ao Oriente Médio, acompanhando os desdobramentos político-econômicos do conflito envolvendo EUA, Israel e Irã.

Nesta segunda-feira, o Irã rejeitou uma proposta de reabrir o Estreito de Ormuz em troca de um “cessar‑fogo temporário”. Segundo Teerã, os EUA não demonstram disposição para negociar uma trégua permanente.

A tensão entre os dois países aumentou após uma sequência de declarações de Trump, que intensificou as ameaças contra o regime iraniano. Em sua plataforma Truth Social, o republicano afirmou que poderá ordenar ataques contra usinas de energia e pontes iranianas caso o Estreito de Ormuz não seja reaberto.

“Abram a porcaria do estreito, seus lunáticos, ou vocês vão viver no inferno – vocês verão!”, escreveu Trump. Durante entrevista à Fox News, porém, ele também afirmou acreditar haver “uma boa chance” de se chegar a um acordo.

Ainda nesta segunda, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) confirmou a morte de seu chefe de inteligência, Majid Khademi. Em comunicado divulgado em seu canal no Telegram, a Guarda afirmou que o general morreu durante uma ofensiva atribuída a Israel e aos EUA.

Khademi ocupava o cargo desde que Mohammad Kazemi foi morto em um ataque israelense em 15 de junho de 2025, durante a guerra de 12 dias entre Irã e Israel. A substituição ocorreu em um contexto de confronto direto entre os dois países.

De acordo com informações da agência Reuters, Irã e EUA receberam uma proposta para encerrar as hostilidades, com previsão de reabertura do Estreito de Ormuz, com um prazo de 15 a 20 dias. O plano teria sido elaborado pelo Paquistão e apresentado aos dois países. A proposta prevê uma estratégia em duas etapas, um cessar-fogo imediato, seguido por um acordo mais amplo.

Segundo a Reuters, o chefe do Exército do Paquistão, marechal Asim Munir, mantém contato com o vice-presidente dos EUA J.D. Vance, o enviado especial Steve Witkoff e o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi.

Opep+ confirma aumento da produção

Nesse domingo (5/4), a Opep+, grupo que reúne os maiores exportadores de petróleo do mundo, reafirmou que aumentará a produção da commodity em 206 mil barris por dia em maio. Neste momento, a elevação, contudo, é simbólica, uma vez que ela não poderá ocorrer enquanto a guerra entre EUA e Israel contra o Irã estiver em curso no Oriente Médio.

Com os confrontos, o Estreito de Ormuz, por onde circulam cerca de 20% da produção mundial do petróleo, foi fechado. Desde a eclosão dos combates, a cotação dos barris da commodity dispararam. Ela deixou a casa dos US$ 70 por barril, alcançando máximas de quase US$ 120.

A cota adicional de 206 mil barris por dia representa menos de 2% do suprimento interrompido pelo fechamento de Ormuz. Ela, no entanto, mostra disposição por parte dos produtores de ampliar a oferta, assim que a circulação de navios voltar ao normal em Ormuz, no Golfo Pérsico.

Em 1º de março, os países membros da Opep+ já haviam anunciado o aumento da produção, também especificando o número de 206 mil barris por dia. A previsão, no entanto, era de início da entrega da nova cota a partir de abril de 2026. Agora, a disposição para realizar o aumento foi mantida, mas a execução, adiada para maio.

De acordo com comunicado oficial divulgado no início do mês passado pela Opep+, os 206 mil barris diários representavam uma reversão parcial dos cortes de produção de 1,65 milhão de barris por dia, fixados em abril de 2023.

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