Galípolo defende “serenidade” e “movimento suave” do BC sobre juros

O presidente do BC, Gabriel Galípolo, confirmou redução da Selic em março, mas não se comprometeu com novos cortes para o resto do ano

atualizado

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1 de 1 Imagem de Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, vestindo terno azul escuro e camisa clara, com gravata azul clara, e gesticulando - Metrópoles - Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, reiterou, nesta quarta-feira (11/2), a posição já antecipada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) de iniciar o ciclo de cortes da taxa básica de juros (a Selic) a partir da próxima reunião do colegiado, em março.

Entretanto, Galípolo preferiu não se comprometer com novos cortes para o resto do ano e disse que o Copom seguirá tomando suas decisões com base em dados e indicadores econômicos.

As declarações do chefe da autoridade monetária foram dadas durante sua participação em uma conferência promovida pelo BTG Pactual, em São Paulo.

“A partir de janeiro, sinalizamos que antevemos o início dessa calibragem, desse ajuste da política monetária, a partir de março, justamente para podermos reunir mais confiança para iniciar esse ciclo. Em um ambiente de maior incerteza, a própria confiança que podemos atribuir a esse ajuste fino das projeções também cai”, disse Galípolo.

Segundo o chefe da autoridade monetária, antecipar cenários para o restante do ano representaria um enorme “risco de darmos algum tipo de sinalização que pode ser frustrada e causar mais dano do que ajudar”. “Sobre o resto do ano, o que podemos dizer é muito mais sobre nossa função de reação. Vamos consumir os dados e encará-los com serenidade”, afirmou.

Para Galípolo, “o BC está mais para um transatlântico do que para um jet-ski”. “Ele não pode fazer grandes movimentos e mudanças. Ele se move de maneira mais comedida e segura”, observou. “O BC tem de tentar suavizar os ciclos. Faz parte do nosso mandato fazer movimentos mais suaves. Temos que ter serenidade para separar o que é ruído e o que é sinal.”

Na última reunião do Copom, no fim de janeiro, a Selic foi mantida no patamar de 15% ao ano – o mais elevado em quase duas décadas. No comunicado divulgado pelo Copom, o colegiado antecipou que iniciará o ciclo de corte de juros a partir de março, o que confirmou a expectativa da maioria dos analistas do mercado financeiro.

Neste momento, a dúvida do mercado é sobre a magnitude da redução dos juros – se o corte de março será de 0,25 ou de 0,5 ponto percentual.

A taxa básica de juros é o principal instrumento do BC para controlar a inflação. A Selic é utilizada nas negociações de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas da economia.

Quando o Copom aumenta os juros, o objetivo é conter a demanda aquecida, o que reflete nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem conter a atividade econômica.

Ao reduzir a Selic, a tendência é a de que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a atividade econômica.

Mercado de trabalho resiliente

Em sua fala no evento do BTG, Gabriel Galípolo também admitiu que a resiliência do mercado de trabalho brasileiro vem surpreendendo o mercado e a própria autoridade monetária. Mesmo com os juros altos, a atividade econômica do país segue em ritmo forte e o índice de desemprego está nas mínimas históricas.

“É uma questão conjuntural e estrutural. Essa não é uma discussão só do Brasil. Você soma isso a questões sobre os programas sociais e os programas que sucedem a Covid e, além disso, há transformações estruturais que são as novas formas de empregabilidade e trabalho conectadas às novas plataformas e, agora, a chegada da inteligência artificial”, disse Galípolo ao tentar explicar o fenômeno.

“O que acontece com o Brasil é que, apesar de tudo isso, tem algumas questões que são difíceis de refutar. Temos um mercado de trabalho que segue bastante apertado. Estamos com níveis de desemprego extremamente baixos. E um segundo problema é que ainda somos uma economia que vê poucos ganhos de produtividade. E seguimos vendo reajustes acima da inflação e acima da produtividade”, completou.

Meta de inflação

No seminário do BTG, o presidente do BC também defendeu a manutenção da meta de inflação do país, estipulada em 3% para este ano, com variação de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Com isso, o índice tem piso de 1,5% e teto de 4,5%, conforme estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A inflação cumprirá a meta se ficar dentro desse intervalo.

Assim como o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), disse na véspera, no mesmo evento do BTG, Galípolo afirmou que a meta não deveria ser alterada.

“Faço coro ao ministro Haddad. A nossa meta está totalmente em linha com o que observamos em outros países. Essa atualização nos deixa mais próximos de outros países, com o regime de meta contínua”, disse o chefe do BC.

“O que precisa ser mais bem debatido é: por que o Brasil precisa sustentar taxas de juros mais elevadas para, com muito esforço, conseguir uma convergência maior para a meta? Por que, mesmo com taxas de juros mais elevadas, continuamos assistindo a essa dificuldade de convergir a inflação para a meta?”, indagou Galípolo.

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