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Economistas veem Copom mais “explícito” e seguro para corte de juros

Segundo analistas, o ponto de maior inflexão do Copom foi excluir trecho que falava em política monetária contracionista por bastante tempo

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Imagem colorida de dado de madeira escrito Selic, que é a taxa básica de juros do Brasil - Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida de dado de madeira escrito Selic, que é a taxa básica de juros do Brasil - Metrópoles - Foto: Getty Images

Apesar de ainda manifestar preocupação em relação à inflação e à questão fiscal, no Brasil, e ao cenário externo considerado desafiador, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) se mostrou mais “explícito” e seguro para iniciar o ciclo de cortes da taxa básica de juros, a Selic, a partir da reunião de março deste ano.

Esta é a avaliação predominante entre vários economistas e analistas do mercado financeiro consultados pela reportagem do Metrópoles, no início da noite desta quarta-feira (28/1), logo após o Copom anunciar a manutenção dos juros básicos da economia brasileira no patamar atual, de 15% ao ano.

No comunicado divulgado pelo Copom, o colegiado praticamente antecipa que deve iniciar o ciclo de corte de juros a partir de março, o que confirmaria a expectativa da maioria dos analistas do mercado financeiro.

“O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. O compromisso com a meta impõe serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo, que dependerão da evolução de fatores que permitam maior confiança no atingimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a condução da política monetária”, afirma o documento do BC.

Ciclo de flexibilização vai começar

Segundo Rafaela Vitória, economista chefe do Banco Inter, “o Copom deixa claro o objetivo de iniciar o ciclo de cortes a partir de março, mas em tom ainda de cautela, mantendo a flexibilidade para definir o ritmo e sem se comprometer com a magnitude total”.

“Mesmo com o cenário mais benigno para a inflação, a projeção do BC para o IPCA se manteve em 3,2% para o horizonte relevante da política monetária. No entanto, com o cenário mais claro de redução da inflação corrente e também com revisões nas expectativas do mercado, o Copom avalia que há espaço para o início da flexibilização. Mantemos nossa expectativa de início dos cortes na Selic em 0,50 ponto percentual a partir de março, com o cenário de desinflação se consolidando, câmbio mais favorável e atividade em ritmo menor de crescimento”, avalia Vitória.

Ian Lima, gestor de renda fixa da Inter Asset, segue a mesma direção. “A manutenção do balanço de riscos e a preocupação com as medidas de inflação cheia e medidas subjacentes ainda presentes, indicam, por ora, um ciclo não muito profundo, mas uma calibragem de dosagem de juros reais correntes que veio subindo nos últimos trimestres por conta de uma trajetória de inflação mais benigna que o anteriormente projetado”, explica.

Para Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, “ao sinalizar maior confiança no processo desinflacionário, ainda que com cautela diante de expectativas desancoradas, a mensagem do Comitê foi a de que o ciclo de flexibilização está se aproximando”.

“O mercado antecipou a leitura do BC, com queda dos juros futuros na sessão de hoje e a curva passando a precificar probabilidade majoritária de um corte de 0,5 ponto percentual da Selic em março. A queda dos juros futuros conjugada ao forte fluxo financeiro vindo do exterior resultou em mais recorde de fechamento do Ibovespa com o índice fechando no patamar de 184 mil pontos”, destaca Shahini.

Copom mais “explícito”

Para José Márcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos, o ponto de maior inflexão do comunicado do Copom foi “a retirada da diretriz que mencionava a exigência de uma política monetária significativamente contracionista por um período bastante prolongado”. “A exclusão desta frase, que vinha sendo um dos pilares das decisões anteriores, indica que o BC não vê mais a necessidade de manter o rigor atual de forma tão persistente”, observa.

“Confirmando o cenário esperado, o comitê antecipou que deve iniciar o processo de flexibilização da política monetária já na próxima reunião, em março. Esta foi a parte mais surpreendente do comunicado, superando a minha expectativa inicial de que o sinal para o início dos cortes não seria tão explícito. A mudança no tom sugere que o BC adquiriu maior confiança na efetividade da política monetária e na trajetória de redução da taxa neste momento”, avalia Camargo.

Segundo o economista, “o cenário desenhado pelo BC indica que a política monetária continuará restritiva para garantir a convergência das metas, mas em um patamar menos severo do que o observado nos últimos meses”.

Felipe Salles, economista-chefe do C6 Bank, afirma que os olhos do mercado já “estavam voltados para a comunicação” do BC sobre os próximos passos e corrobora a avaliação de que o Copom foi mais explícito do que o mercado imaginava. “Já se esperava que o comunicado fosse abrir a porta para um possível corte de juros na próxima reunião. E ele foi até um pouquinho mais explícito ao não só abrir essa porta, mas deixar claro que o Copom antevê isso, confirmando o cenário esperado. Ou seja, o cenário-base do Copom atualmente é um corte de juros já em março”, aponta.

Na avaliação de Pablo Spyer, economista e conselheiro da Ancord, ao antecipar a flexibilização da política monetária, “o BC oferece um forward guidance (orientação futura) claro, mas cuidadosamente condicionado, reforçando que o compromisso com a meta impõe cautela quanto ao ritmo e à magnitude dos cortes”.

“A mensagem é de que o ciclo de aperto terminou, mas o ciclo de afrouxamento será conduzido com serenidade, dependente dos dados e da evolução do cenário fiscal, do câmbio e do ambiente externo”, ressalta Spyer.

Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, também destacou a preocupação do Copom em manter a “serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo de cortes, o que não deve provocar revisões relevantes para a taxa terminal”. “Em relação ao ritmo, permanece uma divisão entre 25 e 50 pontos-base (0,25 ou 0,5 pontro percentual) no diagnóstico”. “Dito isso, a apreciação do câmbio e a perspectiva de dados um pouco mais fracos referentes a dezembro tendem a fortalecer a hipótese de um corte de 50 pontos-base, enquanto a possibilidade de 75 pontos-base também passa a ganhar alguma probabilidade”, afirma.

Tom cauteloso ainda se mantém, dizem analistas

Lucas Constantino, estrategista-chefe da GCB Investimentos, entende que a decisão do Copom “reforça a postura conservadora adotada pela autoridade monetária em um contexto no qual a inflação ainda não convergiu para a meta, as expectativas permanecem desancoradas e o ambiente doméstico e global segue marcado por incertezas relevantes”.

“Vale destacar que o Copom preservou um tom cauteloso, reforçando que o ritmo e a magnitude dos ajustes dependerão da evolução dos dados e do grau de confiança no processo de convergência da inflação à meta, evitando sinalizações automáticas sobre os próximos passos”, diz Constantino.

“Nos últimos meses, os dados de inflação apresentaram melhora gradual, influenciados pela valorização cambial, pela queda nos preços dos alimentos e pelo arrefecimento dos custos ao produtor. Ainda assim, o Comitê destacou que os núcleos de inflação seguem pressionados e que as expectativas permanecem acima da meta, o que exige cautela adicional na condução da política monetária”, observa.

De acordo com Ariane Benedito, economista-chefe do PicPay, o comunicado do Copom reconheceu “a moderação do crescimento da atividade, ao mesmo tempo em que destaca a resiliência do mercado de trabalho e a persistência de pressões, especialmente por meio da inflação de serviços e da dinâmica do hiato do produto”.

“O ponto central da comunicação é a sinalização prospectiva: o Copom antevê, se confirmado o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária na próxima reunião, enfatizando que seguirá preservando o grau de restrição necessário para garantir a convergência da inflação ao redor da meta no horizonte relevante. Ao mesmo tempo, o Comitê reforça que, dada a elevada incerteza, o compromisso com a meta impõe serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo, que dependerão do grau de confiança na trajetória prospectiva de inflação.”

O economista Maykon Douglas, por sua vez, afirma que, “embora o cenário prospectivo do Copom esteja se materializando, a ambiguidade nos dados se concentra em um tópico sensível à autoridade monetária, que é o mercado de trabalho aquecido e seu impacto sobre a inflação”.

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