Dólar fecha estável e Bolsa bate mais um recorde em dia de Fed e Copom

As atenções do mercado financeiro se voltaram para a política monetária de Brasil e EUA, com decisão sobre as taxas de juros nos dois países

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Getty Images
Notas de dólares empilhadas umas sobre as outras - Metrópoles
1 de 1 Notas de dólares empilhadas umas sobre as outras - Metrópoles - Foto: Getty Images

Em um dia movimentado nos mercados globais, o dólar terminou estável a sessão desta quarta-feira (28/1), depois de ter recuado, pela manhã, ao menor patamar em quase dois anos.

Nesta “superquarta”, termo usado pelo mercado financeiro para o dia em que coincidem as divulgações das taxas básicas de juros no Brasil e nos Estados Unidos, os investidores voltaram suas atenções ao Banco Central (BC) e ao Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano).

Em decisão já esperada, a autoridade monetária dos EUA manteve a taxa de juros inalterada, interrompendo uma sequência de três cortes consecutivos. No Brasil, o mercado seguia à espera da decisão do BC brasileiro – que, como se esperava, manteve a Selic inalterada., mas indicou o início do ciclo de cortes na reunião de março.


Dólar

  • Nesta quarta-feira, a moeda norte-americana fechou a sessão em estabilidade (com variação de 0%), negociada a R$ 5,206.
  • Na cotação máxima do dia, o dólar bateu R$ 5,225. A mínima foi de R$ 5,172.
  • Na véspera, o dólar fechou em queda de 1,41%, cotado a R$ 5,20.
  • Com o resultado, a moeda dos EUA acumula queda de 5,16% frente ao real em 2026.

Ibovespa

  • O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores dos Brasil (B3), encerrou o pregão em alta firme e voltou a bater recordes.
  • Ao final da sessão, o indicador avançou 1,52%, aos 184.691,05 pontos, sua nova máxima histórica de fechamento.
  • Como tem sido recorrente nas últimas semanas, o índice voltou a bater seu recorde histórico intradiário (durante o pregão), cravando 185.064,77 pontos. Foi a primeira vez que o Ibovespa superou a marca dos 185 mil pontos.
  • No dia anterior, o Ibovespa fechou em forte alta de 1,79%, aos 181,9 mil pontos.
  • Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula valorização de 14,43% neste ano.

BC dos EUA interrompe série de cortes de juros

O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Fed decidiu manter os juros básicos do país inalterados. Com isso, a taxa americana permanecerá no intervalo entre 3,5% e 3,75%, o menor nível desde setembro de 2022.

A decisão anunciada pelo Fomc já era amplamente esperada pelo mercado. De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, as chances de permanência dos juros no atual patamar eram de 97,2% para a reunião desta quarta-feira, a primeira de 2026. No próximo encontro do Fomc, em 18 de março, a possibilidade de uma nova manutenção da taxa chega a 82,2%.

Com a decisão desta quarta, o Fed interrompeu uma série de três cortes seguidos dos juros, todos de 0,25 ponto percentual, iniciada em 17 de setembro de 2025. Antes disso, eles foram mantidos no intervalo entre 4% e 4,25% por um período de nove meses, com cinco reuniões seguidas do Fomc nas quais não houve alteração do valor.

Segundo Paula Zogbi estrategista-chefe da Nomad, o Fed “cumpriu o script precificado” ao não mexer na taxa de juros da economia norte-americana. “Mas os dois votos dissidentes expõem uma dificuldade de tomada de decisão entre a visão majoritária de ‘soft landing perpétuo’ e uma minoria preocupada com riscos inflacionários persistentes, em meio a dados mistos como desemprego em 4,1% e núcleo do PCE (inflação do consumo) acima de 2,6%, além das tensões políticas com Donald Trump”, analisa.

André Valério, economista sênior do Banco Inter, observa que o Fed “reconheceu que o mercado de trabalho perdeu dinamismo na geração de emprego, ao mesmo tempo em que a taxa de desemprego se estabilizou e a inflação continuou moderadamente elevada”. “Com os dados econômicos não apontando uma direção clara, o comitê optou por não fazer nada, até ter maior clareza”, explica.

“Foi mais uma reunião em que não houve consenso entre os membros votantes. Na reunião de hoje, dois membros votaram por um corte adicional de 25 pontos-base. Além de Steve Miran, que era membro do governo Trump e defende por um ciclo de cortes mais intenso, chama a atenção o voto de Chris Waller, que é um dos cotados para assumir a vaga de Jerome Powell (atual presidente do Fed) a partir de maio. Especulava-se que ele pudesse divergir nessa reunião justamente como uma sinalização ao governo Trump”, afirma Valério.

Para o economista, “o tom do comunicado veio em linha com uma mudança de decisão que era de cortar para uma de pausar”. “O comunicado omite os riscos de queda para o emprego, enquanto afirma que a atividade segue crescendo a um ritmo robusto e a inflação segue elevada. Tal linguagem é consistente com o que vimos nas divulgações recentes”, observa.

“Entretanto, mantida a tendência atual do mercado de trabalho, esperamos que o comitê volte a cortar na reunião de março, tendo em vista o baixo dinamismo na geração de emprego e uma estabilização da taxa de desemprego em patamar elevado. Para o restante do ano, a dinâmica da política monetária americana será altamente dependente em que será escolhido para substituir Powell”, completa.

Copom também define taxa de juros

No Brasil, o mercado financeiro passou o dia em compasso de espera pela definição da taxa básica de juros, a Selic, anunciada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC.

A taxa básica de juros é o principal instrumento do Banco Central (BC) para controlar a inflação. A Selic é utilizada nas negociações de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas da economia.

Quando o Copom aumenta os juros, o objetivo é conter a demanda aquecida, o que se reflete nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem conter a atividade econômica.

Ao reduzir a Selic, por outro lado, a tendência é de que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a atividade econômica.

A ampla maioria dos analistas do mercado já esperava a manutenção da Selic no patamar atual, de 15% ao ano – trata-se da mais elevada taxa de juros em quase duas décadas no país.

Análise

Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, a alta do dólar “reflete a combinação de fatores externos na sessão, com destaque para o tom cauteloso do Fed após a manutenção dos juros, que reforçou a percepção de que a inflação segue elevada e que eventuais cortes permanecem dependentes da evolução dos dados, apesar da dissidência de dois dirigentes no Fomc”.

“O movimento foi reforçado pela alta dos juros dos ‘treasuries’, que aumentou a atratividade relativa dos ativos denominados em dólar, e pela perda de fôlego das bolsas americanas, indicando uma reprecificação do apetite ao risco após a decisão”, explica Shahini. “Com esse cenário, o dólar se fortaleceu de forma generalizada no mercado internacional, com avanço frente a pares relevantes como o iene e o euro, refletido na alta do índice DXY.”

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNegócios

Você quer ficar por dentro das notícias de negócios e receber notificações em tempo real?