Ano de eleição aumenta “incerteza” no cenário econômico, diz Galípolo
Segundo o presidente do BC, Gabriel Galípolo, a postura da autoridade monetária não mudará ao sabor dos acontecimentos eleitorais
atualizado
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O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, reconheceu, nesta quarta-feira (11/2), que um ano eleitoral como o de 2026 acrescenta uma dose de incerteza ao cenário macroeconômico do país.
As declarações do chefe da autoridade monetária foram dadas durante sua participação em uma conferência promovida pelo BTG Pactual, em São Paulo.
As eleições de 2026 estão programadas para os dias 4 de outubro (primeiro turno) e 25 de outubro (segundo turno). Os brasileiros vão escolher deputados estaduais, federais e distritais (estes últimos, apenas no Distrito Federal), senadores, governadores e o presidente da República.
“Estamos em um ambiente com diversas fontes de incertezas. Tem incerteza do cenário geopolítico internacional, há também a fonte de incerteza que é inerente e própria de um ano de eleição. E há uma incerteza que decorre de uma correlação de variáveis econômicas que não tem sido bem comportada”, disse Galípolo.
“O próprio mandato do BC e o horizonte que estamos olhando perpassam o horizonte da eleição. É óbvio que, a depender dos desdobramentos, isso vai influenciar as percepções e precificação de mercado. E isso é incorporado com a mesma institucionalidade que a gente já tem. Temos de ter serenidade para consumir tudo isso sem mudar a nossa função de reação, que segue a mesma.”
O presidente do BC destacou que a autoridade monetária não tem “nenhuma visão dogmática”. “Nossa visão é agnóstica e vamos responder dentro do ‘framework’ do que é a função do BC e da política monetária. Não vamos ficar mudando a nossa função de reação em função de cada pesquisa eleitoral que vai sair. Não é o papel que o BC deve desempenhar”, defendeu Galípolo.
Segundo o chefe do BC, a postura da autoridade monetária não mudará ao sabor dos acontecimentos eleitorais. “Ainda que não esteja no mandato do BC reduzir incertezas, especialmente em anos como este, quando o BC pode colaborar e ser uma fonte que reduz a incerteza para o mercado, é saudável”, observou.
Galípolo complementou, fazendo um alerta sobre o ambiente de incertezas domésticas e internacionais. “Ainda que a política monetária tenha conseguido trazer o nível de crescimento da economia brasileira e as expectativas de inflação para um patamar mais baixo, temos ainda uma correlação de variáveis que dificulta extrair uma tendência mais clara”, afirmou.

