Galípolo sobre indicações de Lula ao BC: “Prerrogativa do presidente”
Há duas vagas a serem preenchidas no Banco Central: as diretorias de Política Econômica e de Organização do Sistema Financeiro e Resolução
atualizado
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O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, desconversou ao ser questionado, nesta quarta-feira (11/2), sobre as possíveis indicações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para duas diretorias da autoridade monetária.
Segundo Galípolo, trata-se de uma prerrogativa do chefe do Executivo que deve ser respeitada. As declarações de Galípolo foram dadas durante sua participação em uma conferência promovida pelo BTG Pactual, em São Paulo.
Há duas vagas a serem preenchidas na autoridade monetária – as diretorias de Política Econômica e de Organização do Sistema Financeiro e Resolução. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), sugeriu a Lula os nomes dos economistas Guilherme Melo e Tiago Cavalcanti.
“A institucionalidade do BC é o mais importante. Melhor será para o país e mais avançado será o país quanto mais a política monetária depender do arcabouço legal e institucional e menos das idiossincrasias e questões pessoais de quem compõe o Copom”, disse Galípolo. “Eu sonho em um dia termos um país em que ninguém sabe quem é o presidente do BC. Não deveria ser um tema relevante.”
Atualmente, Guilherme Melo é secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda. Tiago Cavalcanti, por sua vez, é professor da Universidade de Cambridge, do Reino Unido; “fellow” da Trinity College, da mesma universidade; e professor em meio período da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (EESP/FGV).
“É uma prerrogativa do presidente da República. Sou muito zeloso em defender quais são as prerrogativas do BC e também tento não evadir o que não é a minha prerrogativa”, despistou Galípolo.
Conversa com Lula
No evento em São Paulo, o presidente do BC confirmou que teve uma conversa com Lula, mas não detalhou o assunto que foi discutido nem deu qualquer indicativo sobre sua posição a respeito das eventuais indicações para as diretorias da autoridade monetária.
“É óbvio que eu vou preservar essa conversa com o presidente, justamente para evitar gerar qualquer tipo de ideia de que eu estou extrapolando minha função. Tenho uma excelente relação com o presidente e com o ministro Fernando Haddad”, afirmou Galípolo.
“Não conheço o Tiago, mas sei que é um nome excelente. O Guilherme eu conheço há 20 anos. Mas, de novo, esta é uma prerrogativa do presidente da República”, concluiu.
