Haddad sobre nomes para o Banco Central: “Não é indicação, é sugestão”
O ministro Fernando Haddad confirmou que sugeriu a Lula os nomes dos economistas Guilherme Melo e Tiago Cavalcanti para diretorias do BC
atualizado
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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), minimizou as críticas de parte do mercado financeiro às indicações feitas pelo chefe da equipe econômica ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para ocuparem diretorias do Banco Central (BC).
As declarações de Haddad foram dadas durante sua participação em uma conferência promovida pelo BTG Pactual, em São Paulo, na manhã desta terça-feira (10/2).
Há duas vagas a serem preenchidas na autoridade monetária – as diretorias de Política Econômica e de Organização do Sistema Financeiro e Resolução. Haddad confirmou que sugeriu a Lula os nomes dos economistas Guilherme Melo e Tiago Cavalcanti.
“O presidente (Lula) consulta os seus principais interlocutores na área econômica e pergunta se a pessoa tem alguma sugestão. Não é uma indicação, é uma sugestão. Eu fiz chegar tanto ao presidente do BC (Gabriel Galípolo) quanto ao presidente da República cerca de 90 dias atrás”, afirmou Haddad no evento do BTG.
“Quando a gente sugere um nome, é para avaliação. Eu conheço o Tiago Cavalcanti há muitos anos, conheço o trabalho que o Guilherme fez há três anos e me senti muito à vontade em dizer que essas duas pessoas tinham pretensões nessa direção”, completou o ministro da Fazenda.
As falas de Haddad acontecem após uma reação inicialmente negativa de parte do mercado aos nomes especulados para o BC, em meio ao temor de que houvesse uma tentativa de ingerência do governo na condução da política monetária.
Atualmente, Guilherme Melo é secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda. Tiago Cavalcanti, por sua vez, é professor da Universidade de Cambridge, do Reino Unido; “fellow” da Trinity College, da mesma universidade; e professor em meio período da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (EESP/FGV).
Crítica aos juros altos
No evento em São Paulo, Fernando Haddad também voltou a defender uma redução da taxa básica de juros (a Selic) pelo BC. Em sua última reunião, em janeiro, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve os juros básicos em 15% ao ano – a maior taxa em duas décadas –, mas indicou que o início do ciclo de cortes será em março.
“É muito importante cuidar do BC. Porque ele pode contribuir muito ou prejudicar muito os governos e o país. Eu sou muito atento a tudo o que o BC diz e faz”, afirmou Haddad.
“Não vejo muita razão para o juro real continuar subindo. Não estou querendo macular a reputação da autoridade monetária. Eu estou fazendo uma reflexão que qualquer pessoa pode fazer”, completou.
