Fictor deve R$ 3 milhões para bordel e ex-preso por tráfico de drogas

Grupo Fictor protocolou pedido de recuperação judicial com lista de mais de 13 mil credores e dívida de R$ 4,2 bilhões

atualizado

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Ramiro Brites/Metrópoles
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1 de 1 caster-club-1 - Foto: Ramiro Brites/Metrópoles

Um bordel na zona leste de São Paulo e um homem que cumpriu pena por tráfico de drogas em Campinas, no interior paulista, fazem parte da extensa lista de credores da Fictor. A holding financeira entrou com pedido de recuperação judicial no início de fevereiro, após virar alvo de investigação da Polícia Federal (PF) por suspeita de fraude na tentativa de compra do Banco Master.

Com dívida total de R$ 4,2 bilhões, a lista de credores da Fictor contém mais de 13 mil pessoas físicas e jurídicas. A maior parte da relação é composta por sócios participantes, que investiram em um modelo de Sociedade em Conta de Participação (SCP).

O grupo vendia cotas da empresa na SCP, uma modalidade comum no mercado imobiliário para contratos particulares, mas, de acordo com denúncias que tramitam na Justiça, foi vendida pela Fictor no varejo para captação de recursos, como se fosse um investimento.

Tanto a casa noturna quanto o homem detido por venda de drogas incluídos na relação de credores investiram na Fictor por meio de SCPs. Na lista de credores, eles aparecem, respectivamente, com R$ 1 milhão e R$ 2,5 milhões a receber do grupo.

Algumas empresas listadas negam que sejam credores da Fictor. Esse é o caso da American Express, que encabeçou a lista apresentada pela holding financeira à Justiça, com crédito de R$ 891,3 milhões.

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) determinou que a empresa apresente nova lista de credores. O prazo expira nesta sexta-feira (13/2).

Bordel na lista de credores

Um tradicional bordel da zona leste de São Paulo está entre os credores da Fictor. A empresa deve R$ 1 milhão para o Caster Club, casa de shows aberta desde os anos 1980.

O Caster Club fica na avenida João XXIII, reduto de prostituição nos arredores do cemitério da Vila Formosa. O estabelecimento tem estacionamento, palcos para shows, bar, restaurante e um hotel anexo. Há uma taxa de entrada consumível, e o valor dos programas é combinado diretamente com as prostitutas.

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Profissionais do sexo em frente ao endereço de credor da Fictor
A avenida João XXIII é um ponto de prostituição conhecido na zona leste de São Paulo
Uma das entradas do prostíbulo que tem R$ 1 milhão a receber da Fictor
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Uma das entradas do prostíbulo que tem R$ 1 milhão a receber da Fictor

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Profissionais do sexo em frente ao endereço de credor da Fictor
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Profissionais do sexo em frente ao endereço de credor da Fictor

A avenida João XXIII é um ponto de prostituição conhecido na zona leste de São Paulo
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A avenida João XXIII é um ponto de prostituição conhecido na zona leste de São Paulo

Ramiro Brites/Metrópoles

A reportagem esteve no bordel, na noite de quarta-feira (11/2), e confirmou que se tratava do local que estava na lista de credores da Fictor. No entanto, os funcionários não souberam informar sobre o investimento na holding e pediram para entrar em contato por telefone no dia seguinte. O Metrópoles tentou retomar o contato, mas não houve resposta. O espaço segue aberto.

Fictor deve a ex-preso por tráfico

Um outro credor listado pela Fictor já foi preso por tráfico de drogas. Segundo a relação, a empresa deve R$ 2,4 milhões na pessoa física e R$ 100 mil para uma microempresa do rapaz, que mora na periferia de Campinas, no interior paulista, e chegou a ser preso em flagrante, em 2006, vendendo cocaína no Terminal Central de Campinas.

Ao Metrópoles o credor, que foi denunciado por portar quatro pinos de cocaína e R$ 30, disse que foi vítima de armação. Segundo ele, o investimento de R$ 2,5 milhões é fruto de sua atividade empresarial, com restaurante e imóveis que aluga.

O economista que vendeu a cota da Fictor ao empresário disse ao Metrópoles que comparecia de duas a quatro vezes ao mês na sede da holding, em São Paulo, onde trabalhava, e que também tem R$ 24 mil para receber.

Ele disse que preenchia os dados cadastrais dos clientes, mas não precisava investigar antecedentes criminais. O economista também afirmou que trabalhou dois anos para a Fictor “sem nenhuma intercorrência”.

“Para nós era tudo legal. Tinha as bases operacionais, soja, milho, silo da Fictor, máquinas da Fictor”, afirmou. Ele acrescentou que participava de eventos para prospectar clientes e, ao que se lembra, conheceu o credor que já foi preso por tráfico em um “churrasco de amigos”.

O Metrópoles procurou a Fictor por meio dos advogados da holding, mas não obteve resposta até a publicação da reportagem. O espaço segue aberto.

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