Fictor: sede de empresa que daria lastro a investidores é uma pousada

Dona de empreendimento em endereço informado como empresa de energia subsidiária da Fictor desconhece a holding em recuperação judicial

atualizado

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1 de 1 pousada_2 - Foto: Reprodução/Instagram

O local apontado como endereço de uma empresa de energia elétrica subsidiária do Grupo Fictor, que foi usada para dar lastro financeiro às suas operações, abriga, na prática, uma pousada no interior de Goiás. A firma faz parte do “ecossistema estruturado” que vendedores da Fictor usavam para atrair investidores antes de o grupo que tentou comprar o Banco Master entrar em recuperação judicial, neste mês.

Como mostrou o Metrópoles na terça-feira (10/2), a perícia feita por ordem do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) no processo de recuperação judicial (RJ) da Fictor Holding e da Fictor Invest não encontrou sete subsidiárias do grupo em cinco estados.

Uma perita da Laspro Consultores, indicada pela Justiça paulista para analisar a situação econômica das empresas no pedido de RJ, visitou o endereço que seria da Dynamis Clima SPE Ltda., em Cocalzinho (GO). No local, foram encontrados uma pousada e um depósito sem identificação (veja abaixo).

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Foto da pousada no interior de Goiás
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Foto da pousada anexada na perícia

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Foto da pousada no interior de Goiás

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O Metrópoles entrou em contato com a dona da pousada Riacho dos Pirineus, que confirmou a visita da perita e demonstrou total desconhecimento sobre a Fictor, tendo, inclusive, dificuldade de pronunciar o nome da holding financeira. Ela afirmou que não sabe como o endereço de sua pousada foi parar no processo de recuperação judicial.

A reportagem entrou em contato com a Fictor para se manifestar sobre o resultado da perícia, mas não obteve resposta. O espaço segue aberto.

Sala vazia e boletos atrasados

Em outra visita no estado de Goiás, os peritos encontraram uma sala comercial da Fictor Agro vazia e o chão tomado por boletos intocados.

A Fictor Agro é a principal empresa usada para passar confiança aos investidores que compraram cotas da holding em contratos de Sociedade em Conta de Participação (SCP). Até o fim de 2024, os sócios recebiam relatórios da Fictor Agro com faturamento bilionário.

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Foto da Fictor Agro anexada na perícia
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A empresa é localizada em um prédio comercial, em Rio Verde, no interior goiano. Lá, os peritos não encontraram ninguém, nem equipamentos de trabalho.

“No local indicado, não foi encontrada qualquer pessoa, tampouco indícios de atividade em funcionamento. Verificou-se apenas mobiliário básico, como cadeiras, mesa, frigobar, aparelho de televisão e aparador, sem identificação de equipamentos operacionais”, diz trecho da perícia sobre a Fictor Agro.

A reportagem do Metrópoles chegou a visitar o local, mas não conseguiu entrar na sala. A colunista Gabriella Furquim, do Metrópoles, constatou que o espaço não era frequentado há meses.

Os peritos, embora não tenham encontrado ninguém, conseguiram acessar o 8º andar do prédio comercial, onde fica a sede da empresa, e encontraram boletos, do primeiro semestre de 2025, em nome de um consultor de agronegócios. Contatado, ele afirmou que aluga o local para a Fictor Agro.

O Grupo Fictor é alvo de investigação da Polícia Federal (PF) pela tentativa de comprar o Banco Master, em novembro do ano passado. No início deste mês, a Associação Brasileira dos Assessores de Investimentos (Abai) também protocolou denúncia, em processo administrativo, na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) contra a Fictor Holding e a Fictor Agro.

 

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