Estudantes protestam contra juros altos antes de palestra de Galípolo

Pequeno grupo de alunos da USP criticou o Banco Central (BC) pela elevada taxa básica de juros (Selic) no país, atualmente em 14,75% ao ano

atualizado

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O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, foi alvo de um protesto organizado por um pequeno número de estudantes da Universidade de São Paulo (USP), nesta sexta-feira (10/4), antes de proferir uma palestra no local.

O grupo de alunos criticou a autoridade monetária pela elevada taxa básica de juros (Selic) no país, atualmente em 14,75% ao ano. A elevação da Selic é o principal instrumento dos bancos centrais para combater a inflação.

Em sua última reunião para definir os juros, em março, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual – foi o primeiro corte em quase dois anos.

Nesta sexta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os dados da inflação oficial do país em março. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,88%, acelerando em relação ao mês anterior (0,77%). No acumulado de 12 meses até março, segundo as projeções, o IPCA avançou para 4,14%, ante 3,81% de fevereiro.

Os resultados vieram acima do esperado pelo mercado. A média das estimativas dos analistas era de uma inflação de 0,77% (na base mensal) e 4% (anual).

Segundo o Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta de inflação no Brasil para este ano é de 3%. Como há um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, ela será cumprida se ficar entre 1,5% e 4,5%.

De acordo com analistas ouvidos pelo Metrópoles, a inflação acima do esperado em março deve fazer com que o BC mantenha uma postura mais cautelosa em relação aos juros. A maioria dos analistas acredita em um novo corte na próxima reunião do Copom, no fim de abril, novamente de 0,25 ponto percentual.

O protesto

O pequeno grupo de estudantes que criticava o BC pelos juros altos estendeu faixas e cartazes pelo caminho percorrido por Galípolo até o local da palestra. Em uma delas, os alunos escreveram: “Selic 14,7% é roubo – juros + ciência + educação”.

Os manifestantes também exibiram panfletos com o seguinte questionamento: “Para onde vai a economia brasileira – até quando seremos recordistas em juros altos?”.

O material, que foi distribuído para o público que chegava ao auditório no qual Galípolo se apresentaria, dizia que “31% dos negócios ativos no País não conseguem pagar suas dívidas e em 2025 houve aumento de pedidos de recuperações judiciais”.

Críticas do governo e do PT

Nos últimos dias, o presidente do BC – que foi indicado ao posto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com a chancela do então ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) – vem sendo alvo de críticas internas no governo federal, vocalizadas por lideranças do PT.

Na última quarta-feira (8/4), em publicação na sua conta no X (antigo Twitter), o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) fez uma série de críticas a Galípolo por supostamente se alinhar ao ex-chefe do BC Roberto Campos Neto, seu antecessor no cargo e indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

“Gabriel Galípolo escolheu o caminho de tentar blindar Roberto Campos Neto. Ao afirmar que não existe auditoria, sindicância ou conclusão interna que aponte responsabilidade do ex-presidente do Banco Central, ele demonstra que o controle interno é insuficiente e pode servir de escudo para proteger quem comandava a instituição quando decisões e omissões favoreceram o ambiente em que o caso Master prosperou”, escreveu Lindbergh, referindo-se à participação de Galípolo em uma sessão da CPI do Crime Organizado, no Congresso.

O deputado petista também é um dos principais críticos do BC por manter a Selic em patamares elevados. Reservada e publicamente, os próprios Lula e Haddad já cobraram uma maior rapidez do BC no processo de redução da taxa de juros.

Antes de ser indicado ao BC por Lula, Galípolo foi secretário-executivo do Ministério da Fazenda, o número 2 da pasta então comandada por Fernando Haddad. Ele foi indicado, inicialmente, para a diretoria de Política Monetária do BC e, em seguida, assumiu a presidência da autarquia, com a saída de Campos Neto.

Agendas em São Paulo

Gabriel Galípolo está em São Paulo desde quinta-feira (9/4), quando fez um pronunciamento na abertura da cerimônia de entrega dos prêmios aos vencedores de cada categoria anual do Top 5 da pesquisa Focus de 2025. Ele também teve uma reunião com a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP).

Nesta sexta, além da palestra aos alunos de entidades estudantis da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo (FEA-USP), o presidente do BC terá uma reunião com Tarciana Medeiros, presidente do Banco do Brasil.

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