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Dólar anda de lado e Bolsa cai com petróleo e dados de emprego nos EUA

Depois de quatro sessões seguidas de queda, dólar oscila 0,12% e vai a R$ 5,386. Ibovespa, principal índice da B3, fica no vermelho

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1 de 1 Imagem de notas de dólar dos EUA - Metrópoles - Foto: Jackal Pan/Getty Images

Depois de quatro sessões consecutivas de queda, o dólar encerrou o dia praticamente estável frente ao real, nesta quarta-feira (7/1), em meio à repercussão de novos dados sobre o mercado de trabalho nos Estados Unidos e diante de preocupações envolvendo o comércio internacional de petróleo.

Os investidores voltaram suas atenções para a divulgação de dados importantes de emprego da maior economia do mundo. Os principais destaques foram os relatórios sobre vagas de trabalho em aberto em novembro do ano passado, além das vagas de emprego geradas no setor privado em dezembro – em ambos os casos, os números vieram mais fracos do que se esperava.

Ainda no cenário internacional, o mercado continuou monitorando a situação na Venezuela após a deposição do ditador Nicolás Maduro pelos EUA.

Se, nos dois primeiros dias da semana, os investidores haviam diminuído sua preocupação com a instabilidade no país e vinham adotando uma postura mais otimista em relação ao possível crescimento do mercado de petróleo, hoje o clima mudou diante de nova escalada nas tensões geopolíticas envolvendo EUA, Venezuela e Rússia – o que levou a uma forte queda nos preços do barril de petróleo.


Dólar

  • O dólar fechou a sessão desta quarta-feira em leve alta de 0,12%, cotado a R$ 5,386, perto da estabilidade.
  • Na cotação máxima do dia, o dólar bateu R$ 5,401. A mínima foi de R$ 5,369.
  • Na véspera, o dólar terminou a sessão em baixa de 0,48%, negociado a R$ 5,379.
  • Com o resultado, a moeda dos EUA acumula perdas de 1,87% frente ao real em 2026.

Ibovespa

  • O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), operou em queda firme durante praticamente todo o pregão, revertendo os ganhos da véspera.
  • O indicador fechou a sessão em baixa de 1,03%, aos 161,9 mil pontos.
  • No dia anterior, o Ibovespa fechou com ganhos de 1,11%, aos 163,6 mil pontos.
  • Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula ganhos de 0,55% no ano.

Dados de emprego mais fracos nos EUA

Nesta quarta-feira, a maior atenção dos investidores esteve voltada aos dados sobre o mercado de trabalho nos EUA, às vésperas da divulgação do relatório oficial de emprego, o chamado “payroll”, na próxima sexta-feira (9/1).

Entre os dados divulgados nesta quarta, os mais relevantes foram os números das folhas de pagamento do setor privado de dezembro, revelados pelo ADP Research Institute, em parceria com o Stanford Digital Economy Lab.

O país registrou a abertura de 41 mil vagas de emprego no setor privado em dezembro do ano passado, de acordo com o relatório do ADP. O resultado do mês passado veio abaixo das estimativas do mercado. O consenso Refinitiv projetava a criação de 49 mil vagas.

Em novembro, os EUA haviam fechado 29 mil vagas no setor privado (dado revisado).

Também eram esperados com grande expectativa os números do relatório “Job Openings and Labor Turnover Survey” (Jolts). Em novembro de 2025, houve um recuo de cerca de 300 mil vagas de trabalho em aberto em relação a outubro, para 7,146 milhões. Foi a maior queda desde junho do ano passado.

O resultado ficou abaixo das estimativas do mercado, que eram de cerca de 7,61 milhões de vagas em aberto.

As vagas em aberto são as posições disponíveis dentro das empresas que os empregadores buscam preencher por meio de contratações. Para participar do relatório Jolts, os empregadores recebem um formulário no qual informam o número de vagas em aberto na empresa no último dia útil do mês, além do número de contratações e demissões no período.

Em tese, portanto, o aumento na quantidade de vagas em aberto indica que as empresas pretendem acelerar suas contratações. A redução, por sua vez, indica que as companhias querem apertar o cinto e pisar no freio.

O desempenho do mercado de trabalho norte-americano é um dos indicadores considerados pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) para definir a taxa básica de juros do país.

Na última reunião do Fed, em dezembro, o corte nos juros foi de 0,25 ponto percentual, acompanhando as projeções da maioria dos analistas do mercado. Agora, os juros estão no patamar entre 3,5% e 3,75% ao ano.

Foi a terceira redução consecutiva na taxa de juros pelo BC dos EUA. Na reunião anterior do Fed, em setembro, o corte também havia sido de 0,25 ponto percentual.

O próximo encontro da autoridade monetária para definir a taxa de juros, o primeiro de 2026, está marcado para os dias 27 e 28 de janeiro.

Petróleo em queda com aumento das tensões geopolíticas

O preço internacional do petróleo segue sentindo os efeitos da escalada nas tensões geopolíticas e econômicas a partir dos ataques militares dos Estados Unidos contra a Venezuela, no último fim de semana, que levaram à deposição do ditador Nicolás Maduro.

Nesta quarta-feira (7/1), um petroleiro da Rússia que transportava óleo da Venezuela no Oceano Atlântico foi interceptado pelos EUA. A informação foi confirmada pelo Comando Europeu dos EUA e pela rede estatal russa RT, que divulgou vídeo em que um helicóptero norte-americano voa ao redor da embarcação de bandeira russa, em águas internacionais.

Por volta das 16h45 (pelo horário de Brasília), o barril de petróleo do tipo WTI (referência para o mercado norte-americano) tombava 1,63% e era negociado a US$ 56,20.

No mesmo horário, o petróleo do tipo Brent (referência para o mercado internacional) recuava 0,92%, cotado a US$ 60,14.

Segundo o Comando dos EUA, a embarcação interceptada nesta quarta-feira, a M/T Sophia, operava em águas internacionais e realizava “atividades ilícitas” no mar do Caribe. A Guarda Costeira dos EUA faz a escolta da M/T Sophia até os EUA para o destino final.

“Em uma operação realizada antes do amanhecer desta manhã, o Departamento de Guerra, em coordenação com o Departamento de Segurança Interna, apreendeu, sem incidentes, um navio-tanque ilegal, pertencente à frota clandestina, sem autorização”, diz o Comando.

Em resposta, o Ministério dos Transportes da Rússia afirmou que os norte-americanos violaram a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar de 1982. “Nenhum Estado tem o direito de usar a força contra navios devidamente registrados nas jurisdições de outros Estados,” disseram os russos em comunicado no Telegram.

Segundo o órgão, o navio tinha autorização temporária. “Em 24 de dezembro de 2025, a embarcação Marinera recebeu uma autorização temporária para navegar sob a bandeira estatal da Federação Russa, emitida com base na legislação russa e no direito internacional”, diz a nota.

“De acordo com as disposições da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, de 1982, a liberdade de navegação aplica-se nas águas do alto-mar e nenhum Estado tem o direito de usar a força contra embarcações devidamente registradas nas jurisdições de outros Estados,” completam as autoridades da Rússia.

Ações da Brava Energia caem forte no pregão

O novo recuo na cotação internacional do petróleo derrubou as ações da Brava Energia negociadas na Bolsa do Brasil. Segundo analistas do mercado, os papéis da companhia estão entre os mais sensíveis a choques no mercado de petróleo. Apesar de contar com uma diversificada base de ativos, a resiliência da empresa aos preços mais baixos é considerada reduzida.

Por volta das 16h35, as ações da Brava recuavam 2,17% e eram cotadas a R$ 15,36. Mais cedo, às 12h15, o tombo dos papéis da companhia chegou 4,71%, a R$ 14,96.

A Brava Energia é considerada mais sensível às oscilações nos preços internacionais do petróleo por causa de sua estrutura de custos e da necessidade permanente de Capex (Capital Expenditure) – os investimentos que uma empresa faz para adquirir, melhorar ou manter ativos de longo prazo.

Segundo estimativas do JPMorgan, a Brava deve registrar um fluxo de caixa livre negativo em 6,3% neste ano. Caso o preço médio do barril de petróleo do tipo Brent recue para o patamar de US$ 55, essa projeção negativa chega a 8,7%.

A Petrobras, uma das maiores empresas do país e com maior peso sobre a Bolsa do Brasil, também chegou a operar no vermelho no pregão desta quarta-feira, mas se recuperou no fim do pregão.

Às 16h33, as ações ordinárias da estatal operavam em estabilidade, a R$ 31,15. Já os papéis preferenciais da companhia subiam 0,24%, cotados a R$ 29,71.

Petróleo da Venezuela rumo aos EUA

Na terça-feira (6/1), o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o governo interino da Venezuela concordou em entregar entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo “de alta qualidade” aos norte-americanos. Segundo ele, o produto será vendido a preço de mercado, e os recursos obtidos ficarão sob seu controle direto.

“Tenho o prazer de anunciar que as autoridades interinas da Venezuela entregarão entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo de alta qualidade, sujeito a sanções, aos Estados Unidos da América”, escreveu. De acordo com o presidente, o dinheiro arrecadado será administrado pela Casa Branca para garantir que seja usado “em benefício do povo da Venezuela e dos Estados Unidos”.

Trump afirmou ainda que solicitou ao secretário de Energia, Chris Wright, a execução imediata do plano. Segundo ele, o petróleo será transportado por navios-tanque e levado diretamente aos portos de descarga em território norte-americano. De acordo com o jornal Financial Times, uma frota de petroleiros dos EUA deve começar a carregar petróleo venezuelano nos próximos dias.

Se confirmado, o volume representa entre 30 e 50 dias da produção venezuelana antes do bloqueio parcial imposto ao país. Na cotação atual, o carregamento pode alcançar cerca de US$ 2,8 bilhões, o equivalente a aproximadamente R$ 15 bilhões.

O país sul-americano detém a maior reserva comprovada de petróleo do mundo, com capacidade estimada em cerca de 303 bilhões de barris, segundo dados da Energy Information Administration (EIA), órgão oficial de estatísticas energéticas dos EUA. A produção, no entanto, despencou nas últimas décadas.

Análise

Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o setor financeiro a realizou os lucros da véspera, “criando um clima de maior aversão ao risco que pressionou o câmbio local”.

“Embora os dados do mercado de trabalho dos EUA tenham vindo abaixo das expectativas, eles não foram suficientes para gerar um movimento direcional nos ativos, uma vez que os investidores evitam grandes apostas e aguardam a divulgação do ‘payroll’ na sexta-feira para uma maior definição do cenário”, explica Shahini.

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