Dólar vai a R$ 5 com pesquisa e mercado em alerta após “Flávio Day”

Na véspera, o dólar terminou a sessão em queda de 0,45%, cotado a R$ 4,986. Ibovespa, por sua vez, avançou 0,72%, aos 178,3 mil pontos

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Imagem colorida de maços de notas de dólar norte-americano
1 de 1 Imagem colorida de maços de notas de dólar norte-americano - Foto: Costfoto/NurPhoto via Getty Images

O dólar opera em alta, nesta sexta-feira (15/5), com o mercado financeiro chegando ao fim da semana em estado de alerta em função da turbulência gerada por fatores políticos internos nos últimos dias.

Os investidores monitoram os números da nova pesquisa eleitoral do Datafolha sobre a disputa pela Presidência da República. O levantamento será divulgado nesta sexta e é o primeiro após a divulgação do áudio do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

No front internacional, o mercado repercute a visita do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a Pequim, onde se reuniu com o líder chinês, Xi Jinping. Os desdobramentos das negociações entre norte-americanos e iranianos em torno do possível fim da guerra também continuam no radar.


Dólar

  • Às 9h57, o dólar subia 1,3%, a R$ 5,051.
  • Mais cedo, às 9h11, a moeda norte-americana avançava 0,99% e era negociada a R$ 5,036.
  • Na cotação máxima do dia, o dólar bateu R$ 5,058. A mínima é de R$ 5,018.
  • Na véspera, o dólar terminou a sessão em queda de 0,45%, cotado a R$ 4,986.
  • Com o resultado, a moeda dos EUA acumula ganhos de 0,69% no mês e perdas de 9,16% no ano frente ao real.

Ibovespa

  • As negociações do Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), começam às 10 horas.
  • No dia anterior, o indicador fechou o pregão em alta de 0,72%, aos 178,3 mil pontos.
  • Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula baixa de 4,78% em maio e valorização de 10,7% em 2026.

Datafolha sai após novo “Flávio Day”

No cenário doméstico, o principal destaque do dia é a divulgação da nova pesquisa do Datafolha sobre a corrida presidencial. O levantamento, que ouviu 2.004 pessoas, foi feito entre terça-feira (12/5) e quinta-feira (14/5).

Na pesquisa anterior do Datafolha, em abril, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparecia na liderança do primeiro turno, com 39% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro, com 35%.

Na sequência, apareciam Ronaldo Caiado (PSD), com 5%; Romeu Zema (Novo), com 4%; Renan Santos (Missão), com 2%; Aldo Rebelo (DC), com 1%; e Cabo Daciolo, com 1% das intenções de voto.

Na última quarta-feira, o mercado financeiro viveu uma nova versão do “Flávio Day”, com forte impacto na Bolsa de Valores do Brasil (B3) após a notícia publicada pelo site Intercept Brasil que mostrou que Vorcaro pagou cerca de R$ 61 milhões para financiar o filme biográfico Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Os recursos foram solicitados por Flávio, filho de Bolsonaro e pré-candidato do PL à Presidência da República.

Assim que a reportagem foi publicada com o áudio do pedido e das cobranças de Flávio a Vorcaro, o Ibovespa, principal indicador do desempenho das ações negociadas na B3, despencou – e o dólar engatou forte alta, terminando a sessão novamente na casa dos R$ 5.

O primeiro “Flávio Day” ocorreu em dezembro do ano passado, quando o senador foi escolhido por Jair Bolsonaro como candidato ao Palácio do Planalto – e a notícia derrubou a Bolsa, com um tombo de mais de 4% na ocasião. À época, o nome preferido pelo mercado para a corrida presidencial era o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Trump encerra “visita histórica” à China

O presidente dos EUA, Donald Trump, encerrou, na madrugada desta sexta-feira, a visita oficial à China. Em comunicado divulgado pela mídia estatal chinesa, o líder chinês, Xi Jinping, classificou o encontro como “histórico e marcante”.

“O presidente Trump espera tornar a América grande novamente, e eu estou comprometido em liderar o povo chinês para realizar o grande rejuvenescimento da nação chinesa”, disse.

Já o presidente norte-americano chamou a viagem de “muito bem-sucedida” e “inesquecível”. Trump também convidou Xi Jinping a retribuir a visita aos EUA em setembro.

“Estou disposto a manter uma comunicação sincera e profunda com o presidente Xi Jinping e aguardo com expectativa recebê-lo em Washington”, afirmou Trump.

A visita de Trump foi encerrada com mais uma rodada de conversa entre os dois presidentes e um almoço em Zhongnanhai, complexo de edifícios onde está localizado o escritório central do Partido Comunista e também a sede oficial do governo da China.

Mais cedo, Trump disse que a China demonstrou interesse em ampliar as compras de petróleo norte-americano e também adquirir mais produtos agrícolas dos EUA, como soja e milho.

Além da questão comercial, Trump comentou temas geopolíticos discutidos durante a visita à China, incluindo o Irã, o combate ao tráfico de fentanil e a segurança no Estreito de Ormuz.

China quer ajudar em negociações com Irã

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o líder chinês, Xi Jinping, se ofereceu para ajudar nas negociações envolvendo o conflito com o Irã.

“O presidente Xi gostaria de ver um acordo fechado. Ele gostaria mesmo. E ele se ofereceu. Ele disse: ‘Se eu puder ajudar de alguma forma, gostaria de ajudar’”, declarou Trump. A China é considerada a principal compradora de petróleo iraniano e mantém relações diplomáticas e econômicas próximas com Teerã.

Ainda de acordo com o republicano, Xi ainda prometeu não fornecer equipamentos militares ao Irã em meio à escalada das tensões no Oriente Médio. “Ele disse que não vai fornecer equipamentos militares a eles. Essa é uma declaração importante. Ele disse isso hoje”, afirmou Trump. Segundo o republicano, o líder chinês reforçou a posição “com veemência”.

A declaração foi dada em entrevista ao apresentador Sean Hannity, da Fox News, após o primeiro de dois dias de negociações entre representantes de Washington e Pequim.

Apesar da sinalização sobre armamentos, Trump reconheceu que Xi defendeu a manutenção da relação econômica entre a China e o Irã, especialmente no setor energético. Segundo o presidente norte-americano, o líder chinês ressaltou que Pequim continua interessada na compra de petróleo iraniano.

Para China, guerra “nunca deveria ter acontecido”

O Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que a guerra com o Irã “nunca deveria ter acontecido” e defendeu a continuidade do cessar-fogo, além da reabertura das rotas marítimas afetadas pelo conflito, como o Estreito de Ormuz.

A declaração foi dada por um porta-voz do governo chinês após questionamentos sobre a conversa entre Xi Jinping e Donald Trump, em Pequim.

“Esta guerra, que nunca deveria ter acontecido, não precisa continuar”, afirmou o porta-voz, segundo a emissora estatal CCTV. “Encontrar uma solução rápida beneficiaria tanto os EUA quanto o Irã, assim como os países da região e o mundo como um todo.”

Segundo o governo chinês, o atual cessar-fogo abriu espaço para negociações diplomáticas, e essa oportunidade “não deve ser fechada novamente”. A China também pediu a reabertura das rotas marítimas impactadas pelo conflito.

“As rotas marítimas devem ser reabertas o mais rápido possível, em resposta aos apelos da comunidade internacional, e esforços conjuntos devem ser feitos para salvaguardar a estabilidade e o bom funcionamento das cadeias industriais e de abastecimento globais”, declarou o porta-voz.

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