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Dólar e Ibovespa passam a cair, à espera de juros no Brasil e nos EUA

Na sessão da última sexta-feira (23/1), o dólar terminou praticamente estável, em leve alta de 0,05%, cotado a R$ 5,287. Bolsa bateu recorde

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1 de 1 Imagem de notas de dólar dos EUA - Metrópoles - Foto: Olena Malik/Getty Images

O dólar operava em baixa, nesta segunda-feira (26/1), abrindo uma semana na qual os investidores estão em compasso de espera pelo anúncio das taxas básicas de juros no Brasil e nos Estados Unidos.

Na próxima quarta-feira (28/1), a primeira “superquarta” do ano, os bancos centrais brasileiro e norte-americano definirão a nova taxa de juros. A expectativa da maioria dos analistas do mercado é pela manutenção do patamar atual dos juros tanto no Brasil quanto nos EUA.


Dólar

  • Às 14h12, o dólar caía 0,22%, a R$ 5,274.
  • Mais cedo, às 12h16, a moeda norte-americana recuava 0,18% e era negociada a R$ 5,277.
  • Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 5,29. A mínima é de R$ 5,261.
  • Na sessão da última sexta-feira (23/1), o dólar terminou praticamente estável, em leve alta de 0,05%, cotado a R$ 5,287.
  • Com o resultado, a moeda dos EUA acumula perdas de 3,68% frente ao real em 2026.

Ibovespa

  • O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), continuava operando em queda no pregão.
  • Às 14h14, o Ibovespa recuava 0,16%, aos 178,5 mil pontos.
  • No último pregão, o indicador teve um novo dia de recordes e fechou em forte alta de 1,86%, aos 178,8 mil pontos – nova máxima histórica de fechamento. Durante a sessão, ultrapassou, pela primeira vez, os 180 mil pontos.
  • Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula valorização de 11,01% neste ano.

À espera de Copom e Fed

O mercado financeiro continua à espera da decisão dos bancos centrais do Brasil e dos EUA sobre a taxa de juros. “Superquarta” é o termo usado no mercado financeiro para o dia em que coincidem as divulgações das taxas básicas de juros nos dois países.

É o caso desta quarta-feira, data na qual tanto o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), quanto o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), do Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA), anunciam o resultado de suas reuniões, que começaram na terça-feira (9/12).

A taxa básica de juros é o principal instrumento do Banco Central (BC) para controlar a inflação. A Selic é utilizada nas negociações de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas da economia.

Quando o Copom aumenta os juros, o objetivo é conter a demanda aquecida, o que se reflete nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem conter a atividade econômica.

Ao reduzir a Selic, por outro lado, a tendência é de que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a atividade econômica.

No Brasil, a ampla maioria dos analistas do mercado espera a manutenção da Selic no patamar atual, de 15% ao ano – trata-se da mais elevada taxa de juros em quase duas décadas no país.

O foco das atenções ficará voltado para o teor do comunicado do Copom, que pode indicar “pistas” sobre as próximas reuniões. Há grande expectativa em torno do corte de juros a partir de março.

Em nota pré-Copom, os analistas do C6 Bank projetam uma Selic estável em 15%, mas cortes futuros no radar.

“As expectativas de inflação para horizontes mais longos permaneceram estáveis, acima da meta estabelecida. Considerando as sensibilidades dos modelos do BC, acreditamos que as projeções de inflação para o horizonte relevante devem registrar estabilidade, permanecendo ainda acima da meta. No entanto, considerando a comunicação recente do Copom e suas projeções para o horizonte relevante, acreditamos que um início de ciclo de cortes está próximo”, afirma o banco.

Segundo a nota do C6, o Copom “deve justificar a manutenção da taxa de juros diante do cenário ainda marcado por desancoragem das expectativas de inflação, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho, o que exige uma política monetária contracionista”. “O texto, no entanto, deve reconhecer que a política monetária tem contribuído de forma determinante para a desinflação observada, abrindo a possibilidade para o início do corte de juros a partir da próxima reunião, a depender da evolução do cenário. O Copom deve reforçar a necessidade de perseverar com uma política monetária contracionista até que se consolide não apenas o processo de desinflação, mas também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas”, afirma a nota.

“Projetamos que o Copom irá manter os juros estáveis em 15% na primeira reunião de 2026. Nossa expectativa é de que o ciclo de cortes da Selic comece em março, com um corte de 0,25 ponto percentual, e ganhe tração em abril, com redução de 0,50 ponto percentual. Ainda assim, diante de um cenário de inflação acima da meta, projetamos que a taxa de juros termine 2026 em 13%”, diz a instituição financeira.

Segundo Eduardo Amorim, especialista em investimentos da Manchester Investimentos, “o Copom deve continuar enfatizando que a preocupação principal não é a inflação corrente, mas o comportamento das expectativas para 2026 e 2027”. “A leitura do Focus ajuda a sustentar esse ponto: as projeções seguem acima do centro da meta (3%), o que indica que o mercado ainda não enxerga uma convergência clara para a meta no horizonte relevante”, observa.

“Por isso, explica Amorim, “o cenário-base segue sendo a manutenção da Selic em janeiro e, mais do que a decisão em si, o mercado deve reagir ao tom do comunicado: se o Copom reforçar cautela, juros altos por mais tempo”.

“Na precificação, a referência mais comum para início do ciclo de cortes continua sendo março, com base de 0,25 ponto percentual, embora exista um indicativo menor de 0,50 ponto percentual, o que mostra que o debate está menos no ‘se’ e mais no ‘quando’ e ‘qual ritmo’, condicionados a expectativas e câmbio”, completa.

Já nos EUA, atualmente, a taxa de juros está no intervalo entre 3,5% e 3,75% ao ano (após redução de 0,25 ponto percentual nas três últimas reuniões do Fed), e a maioria dos analistas do mercado aposta na interrupção do ciclo de cortes.

De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, a probabilidade de manutenção dos juros no patamar atual é de 97,2%. Apenas 2,8% dos investidores apostam em uma nova redução de 0,25 ponto percentual.

O mercado também espera, para os próximos dias, o possível anúncio do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre quem sucederá o atual chefe do Fed, Jerome Powell, cujo mandato se encerra em maio. Trump, que é desafeto de Powell, disse que pode fazer esse anúncio ainda nesta semana.

Mercado reduz estimativa de inflação

No cenário doméstico, o maior destaque desta segunda-feira é a divulgação da nova edição do Relatório Focus, pelo BC, que reúne as principais projeções do mercado para a economia brasileira.

Os analistas consultados pelo BC reduziram a estimativa de inflação para 4% em 2026, ou seja, abaixo do teto da meta. Em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), houve manutenção.

De acordo com o relatório, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, deve terminar este ano em 4%, ante 4,02% da semana anterior. Em relação ao PIB de 2026, a projeção foi mantida em 1,8%.

Segundo o Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta de inflação para este ano é de 3%. Como há intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, a meta será cumprida se ficar entre 1,5% e 4,5%.

Os preços de bens e serviços do país avançaram 0,33% em dezembro. No ano de 2025, a inflação acumulou alta de 4,26%, o que representa o estouro do centro da meta em 2025, mas valor abaixo do teto. Para 2027, o índice esperado foi mantido em 3,8%.

Ainda segundo o Focus, o PIB do Brasil para 2026 deve ter crescimento de 1,8%, a mesma projeção da semana passada.

Para 2027, a previsão de crescimento da economia foi mantida em 1,8%. Para 2028, a estimativa segue em 2%. Em 2024, o PIB brasileiro fechou em alta de 3,4%, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Já em relação à taxa básica de juros da economia, a Selic, o mercado financeiro manteve a estimativa para o fim de 2026 em 12,25% ao ano.

Para 2027, a projeção foi mantida em 10,5% ao ano. Para 2028, ela segue em 10%.

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