Dólar permanece estável em R$ 5,28 e Bolsa bate quarto recorde seguido
Moeda americana registra leve alta de 0,05% e se mantém no menor valor em sete meses. O Ibovespa sobe 1,86%, aos 178.858,54 pontos
atualizado
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O dólar registrou leve alta de 0,05%, cotado a R$ 5,28, nesta sexta-feira (23/1). Como a variação foi pequena, na prática, a moeda americana manteve-se estável. Já o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou com elevação de 1,86%, aos 178.858,54 pontos, batendo o quarto recorde nominal seguido. Durante o pregão, às 17h25, ele atingiu os 180.532,28 pontos, outra marca histórica.
No caso do dólar, apesar do pequeno avanço, os R$ 5,28 ainda representam a menor cotação da divisa desde junho de 2024. Ou seja, em sete meses.
Na avaliação de analistas, os resultados do Ibovespa têm sido puxados pelo fluxo de capital estrangeiro. Até quarta-feira (21/1), ele havia somado R$ 12,3 bilhões, metade do volume registrado em todo o ano passado. Christian Iarussi, economista e sócio da The Hill Capital, observa que o Ibovespa subiu na sessão desta sexta-feira impulsionado, principalmente, pelo avanço das commodities e pela continuidade do fluxo estrangeiro para a B3.
“A alta do petróleo, estimulada pelas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o Irã e pelo aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio, favorece diretamente ações do setor de energia, enquanto a valorização do minério de ferro nos mercados asiáticos sustenta os papéis ligados à mineração”, diz o especialista.
Bolsas americanas
Para Iarussi, esse cenário, somado à percepção de que a Bolsa brasileira ainda negocia a múltiplos baixos, tem mantido o apetite do investidor estrangeiro e permitido ao Ibovespa se aproximar novamente de máximas históricas. “Em contraste, as bolsas americanas operam em leve queda, pressionadas por indicadores de atividade mais fracos, incertezas sobre a política monetária e pela imprevisibilidade do ambiente político nos Estados Unidos, fatores que reduzem o apetite por risco em Wall Street”, afirma.
Na avaliação de Iarussi, as maiores altas do dia do Ibovespa refletiram esse pano de fundo favorável às commodities e ao fluxo externo. “Ações como Prio, Petrobras e Vale lideraram os ganhos, acompanhando a disparada do petróleo e a alta do minério, enquanto papéis de empresas mais sensíveis ao ciclo doméstico ou a margens pressionadas, como varejo, figuraram entre as principais quedas, como CVC e Pão de Açúcar.”
Câmbio estável
“No câmbio, o dólar operou estável, com leve viés de alta após uma queda recente, refletindo ajustes e ruídos domésticos”, diz Iarussi. “Esses fatores, no entanto, têm sido parcialmente compensados pela fraqueza global da moeda americana, pela valorização das commodities e pelo fluxo de positivo para a Bolsa, o que limita movimentos mais intensos.”
Matheus Amaral, especialista em Renda Variável do Banco Inter, nota que a B3 manteve o otimismo da véspera, com determinantes globais trazendo mais dinheiro para países emergentes. “O aumento da tensão entre EUA e Irã trouxe alta no petróleo e ajudou petroleiras aqui”, afirma. “Fora isso o fluxo do investidor global no Brasil beneficia blue chips (as ações das grandes empresas) e consequentemente os bancos tiveram bom desempenho na sessão.”
Salto latino-americano
A ascensão do Ibovespa em 2026 não ocorre, porém, de forma isolada. Um levantamento realizado pela consultoria Elos Ayta, que monitora 21 dos principais índices de bolsa ao redor do mundo, mostra que bons resultados também têm sido obtidos por outros mercados acionários da América Latina.
De acordo com a análise, o índice da B3 ocupa a quarta posição no ranking global deste ano, medido em dólares, com dados reunidos até quinta-feira (22/1). Peru, Colômbia e Chile estão à frente do Brasil. O México vem a seguir, na quinta colocação.
A lista feita pela consultoria é liderada pelo S&P/BVL General, do Peru, com ganho de 20,06% em dólares em 2026. Ele é seguido pelo MSCI Colcap, da Colômbia (18,90%). A seguir, aparece o IPSA, do Chile (13,91%). O Ibovespa está em quarto lugar, com 12,89%, e o IPyC, do México, com 9,43%, fecha a lista dos primeiros cinco colocados.
Apetite por risco
Para Einar Rivero, sócio da Elos Ayta, o salto do Ibovespa mostra o “forte movimento de reprecificação dos ativos brasileiros no início de 2026, em um contexto de maior apetite ao risco por parte de investidores internacionais”.
Entre os mercados desenvolvidos, os principais índices norte-americanos aparecem apenas na metade inferior do ranking. O Dow Jones, por exemplo, ocupa a 13ª posição, com alta de 2,75%, enquanto o S&P 500 figura em 18º lugar (0,99%) e o Nasdaq Composite aparece na 19ª colocação, com elevação de 0,83%.
Na Europa, os desempenhos são mais modestos, com ganhos próximos ou inferiores a 5%, enquanto o S&P Merval, da Argentina, registra valorização positiva de 2,77% em dólares no acumulado de janeiro.
O levantamento da Elos Ayta considera a rentabilidade nominal, na moeda local de cada país, e a rentabilidade ajustada pela variação do dólar.
IPCA-15
Os investidores acompanharam nesta sexta-feira a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado uma prévia da inflação oficial no Brasil.
Em dezembro, o indicador apresentou elevação de 0,25%, ficando 0,05 ponto percentual (p.p.) acima do resultado de novembro (0,20%). Com o resultado, ele fechou o ano com alta de 4,41%. A expectativa do mercado era de um aumento de 0,27% no mês e de 4,43% em 12 meses.
