Dólar cai abaixo de R$ 5 e Bolsa bate recorde após nova fala de Trump

Na sessão da última sexta-feira (10/4), o dólar fechou em queda de 1,02%, cotado a R$ 5,011. Ibovespa subiu 1,12% e bateu novo recorde

atualizado

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1 de 1 Imagem de notas de dólar dos EUA - Metrópoles - Foto: Witthaya Prasongsin/Getty Images

O dólar mudou o sinal e passou a operar em baixa, nesta segunda-feira (13/4), mesmo com o sinal de alerta novamente aceso no mercado financeiro após o fracasso das negociações de paz entre Estados Unidos e Irã.

Com a nova escalada nas tensões no Oriente Médio, diante da decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de bloquear totalmente o Estreito de Ormuz nesta segunda, os preços internacionais do petróleo voltaram a disparar e operavam acima dos US$ 100 pela manhã.

Ormuz é o canal marítimo estratégico localizado entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, considerado o “gargalo” mais importante do mundo para a energia por concentrar cerca de 20% a 30% do petróleo mundial e grande parte do gás natural liquefeito (GNL). O estreito é crucial para a economia global.

No início da tarde, após Trump declarar que o Irã quer fazer um acordo com os EUA, as trajetórias se inverteram: o dólar passou a cair e o Ibovespa, principal indicador do desempenho das ações negociadas na Bolsa de Valores do Brasil (B3), apagou as perdas.


Dólar

  • Às 15h20, o dólar caía 0,3%, a R$ 4,997.
  • Mais cedo, às 14h30, a moeda norte-americana recuava 0,42% e era negociada a R$ 4,991.
  • Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 5,041. A mínima é de R$ 4,983.
  • Na sessão da última sexta-feira (10/4), o dólar fechou em queda de 1,02%, cotado a R$ 5,011, o menor valor em dois anos.
  • Com o resultado, a moeda dos EUA acumula perdas de 3,23% frente ao real em abril e de 8,7% em 2026.

Ibovespa


Trump bloqueia Ormuz

Entrou em vigor a partir das 11h desta segunda-feira (pelo horário de Brasília) o “bloqueio total” no tráfego marítimo na região do Estreito de Ormuz, anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O governo norte-americano afirma que o bloqueio abrangerá todas as embarcações de qualquer país, que tenham “origem ou destino em qualquer porto iraniano”, incluindo o Golfo de Omã e o Mar Arábico, ao sudeste do Estreito de Ormuz.

Em 28 de fevereiro, o Irã iniciou o fechamento da passagem do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo usado no planeta. A Guarda Revolucionária do Irã (IRGC, na sigla em inglês) permitia apenas a passagem de petroleiros de países aliados e sob pagamento.

Com o fracasso das negociações de um acordo de paz, Trump decidiu subir o tom e garantir que nem mesmo os petroleiros do Irã atravessem a passagem de Ormuz.

De acordo com o site de monitoramento marítimo Hormuz Strait Monitor, sete embarcações atravessaram a rota marítima nas últimas 24 horas. O comunicado do Exército americano ainda alega que navios que não tenham destino ou origem em portos iranianos não serão afetados pelo bloqueio.

“As forças do Exército americano não impedirão a liberdade de navegação para embarcações que transitam pelo Estreito de Ormuz com destino ou origem em portos não iranianos”, diz a nota do Comando Central dos EUA.

Quem furar bloqueio será “eliminado”, diz Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que os navios iranianos que furarem o bloqueio imposto pelos Estados Unidos ao Estreito de Ormuz serão “eliminados”.

Em post nas redes sociais, o chefe da Casa Branca ameaçou qualquer tentativa do regime iraniano de romper com o bloqueio. “A Marinha do Irã jaz no fundo do mar, completamente destruída – 158 navios. O que não atingimos foi o pequeno número de seus chamados ‘navios de ataque rápido’, pois não os consideramos uma grande ameaça”, disse.

“Aviso: Se algum desses navios se aproximar do nosso BLOQUEIO, será imediatamente ELIMINADO, usando o mesmo sistema de eliminação que usamos contra os traficantes de drogas em barcos no mar”, continuou Trump.

Em sua conta oficial no X, a Casa Branca reafirmou a posição do presidente norte-americano.

Irã rebate ameaças de Trump

A Guarda Revolucionária do Irã (IRGC, na sigla em inglês) rebateu a ameaça feita por Trump. “Qualquer embarcação militar que tente se aproximar do Estreito de Ormuz sob qualquer pretexto ou desculpa será considerada uma violação do cessar-fogo e será tratada com rigor e firmeza”, alertou a IRGC, em uma publicação de caráter semi-oficial divulgada pela estatal de comunicação do Irã, a Fars News.

Ainda na publicação, a IRGC frisa que a passagem está sob “controle e gestão inteligentes” e aberta para embarcações civis em uma “passagem segura”, mas que estas precisam cumprir as normas impostas.

Um entendimento sobre o Estreito de Ormuz era um dos pontos mais delicados nas negociações fracassadas de paz, mas Trump também destacou os diálogos sobre a questão nuclear. “O único ponto que realmente importava, o nuclear, não foi (acordado)”, afirmou o republicano.

Anteriormente, o Irã havia fechado a passagem do Estreito de Ormuz. A IRGC permitia apenas a passagem de petroleiros de países aliados e sob pagamento. Com o fracasso das negociações de um acordo de paz, Trump decidiu subir o tom e garantir que nem mesmo os petroleiros do Irã atravessem a passagem de Ormuz.

Trump culpa o Irã

Trump também culpou o Irã pelo fracasso nas negociações de paz. Segundo o republicano, o país foi “inflexível” na principal demanda americana no acordo: o fim do programa nuclear iraniano.

“Meus três representantes foram muito amigáveis ​​e respeitosos com os representantes do Irã, mas isso não importa, porque eles foram inflexíveis quanto à questão mais importante e, como sempre disse desde o início, há muitos anos, o Irã nunca terá uma arma nuclear”, escreveu.

A reunião entre autoridades dos dois países ocorreu entre sábado (11/4) e domingo (12/4) em Islamabad, no Paquistão, e durou cerca de 20 horas. O encontro tinha como objetivo avançar nas negociações para encerrar a guerra no Oriente Médio, mas terminou sem entendimento.

“O Irã não está disposto a abrir mão de suas ambições nucleares! Em muitos aspectos, os pontos acordados são melhores do que continuarmos nossas operações militares até o fim, mas nada disso importa comparado a permitir que a energia nuclear esteja nas mãos de um povo tão volátil, difícil e imprevisível”, acrescentou Trump.

Petróleo volta a disparar

Com o recrudescimento da crise no Oriente Médio, os preços internacionais do petróleo voltaram a subir forte na manhã desta segunda-feira, preocupando o mercado.

Por volta das 9 horas (pelo horário de Brasília), o contrato futuro para maio do barril de petróleo do tipo WTI (referência para o mercado norte-americano) avançava 7,91% e era negociado a US$ 104,21.

No mesmo horário, o contrato futuro para junho do petróleo do tipo brent (referência para o mercado internacional) subia 7,43%, a US$ 102,27.

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