Ameaça dos EUA sobre o Estreito de Ormuz faz petróleo iniciar semana em alta
Ordem de Trump para fechar “totalmente” o Estreito de Ormuz fez o preço dos barris de petróleo disparar no mercado internacional
atualizado
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Os preços do petróleo começam a segunda-feira (13/4) pressionados no mercado internacional. O motivo é o acirramento do conflito no Oriente Médio, com a ordem do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que a Marinha norte-americana feche “totalmente” o Estreito de Ormuz.
Após o fracasso nas negociações para um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, as tensões se elevaram em âmbito internacional. Primeiro, Trump ameaçou a intervenção total no Estreito de Ormuz. Até então, a Guarda Revolucionária do Irã (IRGC, na sigla em inglês) permitia apenas a passagem de petroleiros de países aliados e sob pagamento.
“A Marinha dos EUA iniciará o processo de bloqueio de toda e qualquer embarcação que tente entrar ou sair do Estreito de Ormuz. Estamos totalmente ‘travados e carregados'”, postou Trump em uma rede social.
Horas depois, o Irã ameaçou retaliar embarcações inimigas que se aproximem de Ormuz.
“Qualquer embarcação militar que tente se aproximar do Estreito de Ormuz sob qualquer pretexto ou desculpa será considerada uma violação do cessar-fogo e será tratada com rigor e firmeza”, alertou a IRGC, em uma publicação de caráter semi-oficial divulgada pela estatal de comunicação do Irã, a Fars News.
Negociação de paz
- A reunião entre autoridades dos dois países ocorreu entre sábado (11/4) e domingo (12) em Islamabad, no Paquistão, e durou cerca de 20 horas.
- O encontro tinha como objetivo avançar nas negociações para encerrar a guerra no Oriente Médio, mas terminou sem entendimento.
- Trump afirmou que o Irã não está disposto a abrir mão de suas ambições nucleares. Este ponto, afirmou Trump, era a questão central para um acordo.
- Já o Irã, culpou as “as exigências descabidas feitas pelo lado americano” pelo fracasso da negociação.
Na tarde de domingo, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom, na sigla em inglês) oficializou o fechamento do Estreito de Ormuz a partir das 11h (horário de Brasília) desta segunda-feira (13/4).
“O bloqueio será aplicado imparcialmente contra embarcações de todas as nações que entrarem ou saírem de portos e áreas costeiras iranianas, incluindo todos os portos iranianos no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã”, diz publicação do Centcom.
A declaração do Centcom foi o estopim para a subida do preço do barril do petróleo no mercado internacional.
Pouco mais de uma hora após o aviso sobre o bloqueio no Estreito de Ormuz, a cotação a preços futuros do barril de petróleo tipo brent – que é referência no mercado internacional – voltou a ultrapassar o patamar dos US$ 100.
Em pouco mais de uma hora, a cotação do item passou para US$ 102,50, uma alta de 7,7%. Por volta das 23h pelo horário de Brasília, o barril era negociado US$ a 102,05.
A guerra no Oriente Médio teve início no último dia 28 de fevereiro. Antes disto, os preços do petróleo variavam perto de US$ 70. Com o avanço do conflito, os preços chegaram a bater os US$ 120, mas recuaram diante do cessar-fogo.
O Estreito no centro da questão
Os preços do petróleo variam diante da ameaça de fechamento do Estreito de Ormuz, uma importante rota do comércio global para vários produtos. Um dos exemplos da relevância da passagem para o comércio entre os países é a quantidade de petróleo que passa pelo local — de 20% a 25% de todo combustível fóssil consumido no mundo.

O estreito é a principal via de saída do petróleo produzido na região do Golfo Pérsico, que inclui a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, o Kuwait, o Iraque e o próprio Irã.








