Dólar cai a R$ 5,01 e Bolsa bate 3º recorde seguido com trégua no Irã
Com expectativa de novas negociações no Oriente Médio, moeda americana acumulou três baixas seguidas. Ibovespa avançou 1,12%
atualizado
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O dólar caiu 1,02% frente ao real, a R$ 5,01, nesta sexta-feira (10/4), a menor cotação desde 9 de abril de 2024. Ou seja, quase exatos dois anos. Esse foi o terceiro recuo seguido da moeda americana. Na semana, ela desvalorizou 2,87%.
Já o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou na terceira alta consecutiva, batendo novos recordes. Nesta sexta-feira, ele anotou elevação de 1,12%, aos 197.323,87 pontos.
Com o resultado, o índice superou a marca histórica obtida na véspera de 195.129,25 pontos. Além disso, às 11h02, ele atingiu 197.553,64, rompendo o patamar histórico de 195.508,61 pontos durante uma sessão, também alcançado no dia anterior. Na semana, o Ibovespa subiu 4,93%.
Mais uma vez, o vetor dos mercados de câmbio e ações foi a guerra no Oriente Médio. E, nesse caso, o otimismo do investidor voltou com o cessar-fogo anunciado na noite de terça-feira (7/4). Isso além da informação veiculada nesta sexta-feira de que Estados Unidos e o Irã se preparam para iniciar novas negociações neste fim de semana, no Paquistão.
Nesse contexto, o petróleo fechou em queda. O barril negociado para junho do tipo Brent, referência para o mercado internacional, baixou 0,75%, a US$ 95,20. O West Texas Intermediate para maio (WTI, que baliza o preço nos Estados Unidos) caiu 1,33%, a US$ 96,57. No acumulado da semana, o Brent teve queda de 12,68% e o WTI, de 13,42%
Inflação
Nesta sexta-feira, os investidores também acompanharam a divulgação de novos dados sobre a inflação tanto no Brasil como nos Estados Unidos. No caso norte-americano, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 0,9% em abril. Esse foi o maior aumento do indicador desde junho de 2022, quando os preços dispararam com a eclosão da guerra entre a Rússia e a Ucrânia.
No Brasil, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, subiu 0,88% em março na comparação com fevereiro, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na base anual, o IPCA teve alta de 4,14%.
Os números ficaram acima das expectativas do mercado, que previam elevações de 0,77%, na comparação mensal, e de 4%, em 12 meses. Com essas informações, os juros futuros subiram na tarde desta sexta-feira, com saltos de até 0,2 ponto percentual.
Diferencial de juros
Na avaliação de Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o dólar caiu pelo terceiro dia seguido, num movimento puxado pela combinação do alívio geopolítico externo com suporte ao real.
“No exterior, o avanço das negociações entre EUA e Irã reduziu o prêmio de risco global e enfraqueceu a demanda por proteção”, diz. “Nos EUA, o CPI (o índice de inflação) veio em linha com as expectativas, com núcleos mais fracos, o que não alterou a trajetória de cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) precificados apenas para 2027.”
Além disso, nota Shahini, no Brasil, o IPCA acima do esperado reforçou a postura cautelosa do Banco Central (BC). “Isso eleva o diferencial de juros projetado, sustentando o fluxo de recursos estrangeiros para a renda fixa”, afirma. “Esse ambiente favoreceu a entrada de capital estrangeiro também na Bolsa, amplificando a força do real.”
Bolsas no mundo
Na Europa, as bolsas da Europa apresentaram resultados mistos. Em Londres, o FTSE 100 fechou em queda de 0,03% (na prática, ficou estável), mas, na semana, subiu 1,57%. Em Frankfurt, o DAX avançou 0,20%, com elevação semanal de 2,97%. Em Paris, o CAC 40 ganhou 0,17%, saldo positivo de 3,73% na semana.
Em Nova York, os resultados também não foram unânimes. O S&P 500 e o Dow Jones caíram (0,12% e 0,56% respectivamente). Já o Nasdaq, que concentra ações de empresas de tecnologia, subiu 0,35%.
