Bloqueio dos EUA no Estreito de Ormuz entra em vigor
EUA afirma que irá interceptar toda embarcação de qualquer país no Mar Arábico e no Golfo de Omã, ao sudoeste do Estreito de Ormuz
atualizado
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Entrou em vigor a partir das 11h desta segunda-feira (13/4) — no horário de Brasília — o “bloqueio total” no tráfego marítimo na região do Estreito de Ormuz, anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O governo americano afirma que o bloqueio abrangerá todas as embarcações de qualquer país, que tenham “origem ou destino em qualquer porto iraniano”, incluindo o Golfo de Omã e o Mar Arábico, ao sudeste do Estreito de Ormuz.
Em 28 de fevereiro, o Irã iniciou o fechamento da passagem do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo usado no planeta. A Guarda Revolucionária do Irã (IRGC, na sigla em inglês) permitia apenas a passagem de petroleiros de países aliados e sob pagamento.
Com o fracasso das negociações de um acordo de paz, Trump decidiu subir o tom e garantir que nem mesmo os petroleiros do Irã atravessem a passagem de Ormuz.
De acordo com o site de monitoramento marítimo Hormuz Strait Monitor, sete embarcações atravessaram a rota marítima nas últimas 24 horas. O comunicado do Exército americano ainda alega que navios que não tenham destino ou origem em portos iranianos não serão afetados pelo bloqueio.
“As forças do Exército americano não impedirão a liberdade de navegação para embarcações que transitam pelo Estreito de Ormuz com destino ou origem em portos não iranianos”, diz a nota do Comando Central dos EUA.
Negociações entre EUA e Irã sem desfecho positivo
Nesse final de semana, autoridades dos Estados Unidos e do Irã se reuniram em Islamabad, no Paquistão, para tentar dar um fim à guerra no Oriente Médio por meio da diplomacia. Porém, após mais de 20 horas de conversa, não foi firmado nenhum acordo.
O vice-presidente dos Estados Unidos JD Vance afirmou que um entendimento mútuo para o fim da guerra não foi possível pois o Irã não abriu mão do enriquecimento de urânio no país – etapa necessária para produção de armamento nuclear.
O presidente do parlamento do Irã, Mohammad Ghalibaf, que liderou a delegação iraniana, disse que os EUA “falharam em conquistar a confiança do Irã”. Ghalibaf enfatizou que, “devido à experiência (com os EUA) nas últimas duas guerras, não confiamos no outro lado”.
Após o anúncio americano do fechamento de Ormuz, o chanceler iraniano Abbas Araghchi, que também participou das conversas em Islamabad, disse que as negociações foram a conversa “em mais alto nível” entre iranianos e americanos nos últimos 47 anos.
Araghchi criticou o lado estadunidense e afirmou que, “quando a apenas centímetros do ‘Acordo de Islamabad’, encontramos maximalismo, mudança de metas e bloqueio”.








