Dólar sobe com Bolsonaro e temor por sanções de Trump. Bolsa é estável

Na véspera, o dólar terminou a sessão em leve alta de 0,07%, cotado a R$ 5,417. Ibovespa, principal índice da Bolsa, caiu 0,59%

atualizado

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Notas de dólar dos EUA - Metrópoles
1 de 1 Notas de dólar dos EUA - Metrópoles - Foto: Sheldon Cooper/SOPA Images/LightRocket via Getty Images

O dólar operava em alta na tarde desta terça-feira (9/9), dia marcado pela retomada do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros sete réus acusados de uma suposta tentativa de golpe de Estado no Brasil, pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Os investidores monitoram os desdobramentos políticos do caso, em meio a um ambiente de tensão institucional no país. Também há forte preocupação com a aplicação de possíveis novas sanções dos Estados Unidos contra o Brasil.

No cenário internacional, o mercado acompanha a divulgação de dados atualizados sobre o emprego nos últimos 12 meses até março nos EUA. Há, ainda, a expectativa em relação aos novos dados da inflação norte-americana, que saem nesta semana.


Dólar

  • Às 13h28, o dólar subia 0,36%, a R$ 5,437.
  • Mais cedo, às 12h51, a moeda norte-americana avançava 0,21% e era negociada a R$ 5,429.
  • Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 5,439. A mínima é de R$ 5,414.
  • Na véspera, o dólar terminou a sessão em leve alta de 0,07%, cotado a R$ 5,417.
  • Com o resultado, a moeda dos EUA acumula perdas de 0,09% no mês e de 12,35% no ano frente ao real.

Ibovespa

  • O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), operava perto da estabilidade no pregão.
  • Às 13h32, o Ibovespa subia 0,09%, aos 141,9 mil pontos, praticamente estável.
  • No dia anterior, o indicador fechou o pregão em queda de 0,59%, aos 141,7 mil pontos.
  • Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula ganhos de 0,26% em setembro e 17,88% no ano.

Julgamento de Bolsonaro no STF

A Primeira Turma do STF retoma nesta terça-feira o julgamento de Bolsonaro e mais sete aliados por suposta trama golpista, que teria como intenção impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2022. A retomada da análise ocorre com o voto do relator do caso, ministro Alexandre de Moraes.

Moraes é o primeiro dos cinco ministros da Turma a proferir seu voto. Em densa análise, o magistrado deve levar cerca de 4 horas para expor fatos, apontar penas ou absolvição a cada um dos oito réus. O ministro ainda responderá a questionamentos das defesas e vai deliberar sobre as chamadas preliminares, que são questões processuais a serem resolvidas.

O relator apontará as condutas de cada réu, individualmente. Cada acusado tem um papel dentro da trama golpista, conforme narra a PGR. O ministro analisará se há material probatório suficiente para condenação e se devem ser aplicados agravantes, que podem aumentar a pena. Bolsonaro, por exemplo, é apontado como líder de organização criminosa, o que pode ampliar o tempo de pena.

Todos os oito réus são acusados de atuar contra a ordem democrática. Sete integrantes do núcleo de Bolsonaro respondem a cinco crimes. O deputado federal Alexandre Ramagem (PL) responde a três.

Moraes analisará o ponto da denúncia da PGR baseado nas acusações desses crimes. Logo depois do relator, quem votará é o ministro Flávio Dino. A expectativa é a de que esses dois votos encerrem o dia de julgamento. O ministro Luiz Fux deve votar somente na quarta-feira (10/9). Nesse dia, o julgamento começa também às 9h (mas termina às 12h).

Em seguida, votam Cármen Lúcia e Cristiano Zanin. Os dois ministros terão os dias 11 e 12, das 9h às 19h, para votar. Quando todos os ministros concluírem suas considerações sobre preliminares e mérito, será feita a dosimetria da pena, uma espécie de ajuste dos votos de cada ministro para saber qual será a imputação a cada réu.

Estados Unidos ameaçam novas sanções

O subsecretário de Diplomacia Pública do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Darren Beattie, voltou a direcionar críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do STF. Em publicação nas redes sociais, nessa segunda-feira (8/9), ele aproveitou a data da Independência do Brasil para enviar um recado ao magistrado.

“Ontem marcou o 203º Dia da Independência do Brasil. Foi um lembrete do nosso compromisso de apoiar o povo brasileiro, que busca preservar os valores da liberdade e da justiça. Em nome do ministro Alexandre de Moraes e dos indivíduos cujos abusos de autoridade minaram essas liberdades fundamentais, continuaremos a tomar as medidas cabíveis”, escreveu.

As críticas de Beattie a Moraes não são inéditas. Em julho, o subsecretário já havia chamado o ministro de “coração pulsante do complexo de perseguição e censura contra Jair Bolsonaro” e disse que os EUA estavam “atentos e tomando medidas”. Na mesma ocasião, o senador Marco Rubio, chefe do Departamento de Estado, anunciou a suspensão do visto de Moraes, de seus familiares e de outros ministros da Corte.

Em agosto, Beattie voltou à carga e classificou Moraes como o “principal arquiteto do complexo de censura e perseguição” ao ex-presidente e seus apoiadores. Ele citou ainda que os supostos abusos de direitos humanos atribuídos ao magistrado motivaram a aplicação de sanções pela Lei Global Magnitsky, mecanismo usado pelos EUA para punir autoridades estrangeiras acusadas de violações graves.

O subsecretário também advertiu que aliados de Moraes poderiam sofrer retaliações caso apoiassem as decisões do ministro. “Estamos monitorando a situação de perto”, declarou, na ocasião.

As manifestações de Beattie fazem parte de um movimento mais amplo da ala “trumpista” nos EUA, que tenta se consolidar como voz internacional contra o que chama de “ditadura judicial” no Brasil. O próprio Donald Trump, em julho, enviou uma carta ao governo Lula e ao STF, prometendo consequências diante do que considerou “ataques à liberdade de expressão e ao comércio americano”.

Entre as medidas em discussão em Washington, estão a ampliação de tarifas sobre produtos brasileiros, a suspensão de vistos de autoridades ligadas ao STF e a inclusão de familiares de Moraes em novas sanções.

Juros nos EUA

Além de acompanhar atentamente o julgamento de Bolsonaro no STF, os investidores seguem monitorando indicadores da maior economia do mundo. Os EUA devem divulgar a revisão do Departamento do Trabalho para o nível de emprego no país no acumulado de 12 meses até março deste ano.

Na semana passada, uma série de dados dos EUA indicaram um esfriamento da economia, o que foi interpretado pelo mercado como um sinal claro de que o Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) já poderá começar a reduzir a taxa de juros a partir de sua próxima reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), nos dias 16 e 17.

Atualmente, os juros nos EUA estão situados no intervalo entre 4,25% e 4,5% ao ano. Todo o mercado espera que o ciclo de cortes comece já na próxima semana – a dúvida é se a redução será de 0,25 ponto percentual ou de 0,5 ponto percentual.

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