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Negócios

Dólar sobe com mercado com um olho na guerra e outro na inflação

Moeda americana opera em leve alta de 0,16%, cotada a R$ 5,17. Já o Ibovespa iniciou o pregão em queda de 0,43%, embora oscilando bastante

29/06/2026 10:54, atualizado 29/06/2026 12:13
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Artem Priakhin/SOPA Images/LightRocket via Getty Images
Imagem de notas de dólares dos Estados Unidos - Metrópoles

O dólar opera estável frente ao real na manhã desta segunda-feira (29/6), oscilando entre leves variações de alta e queda. Às 12h05, ele subia 0,16%, cotado a R$ 5,17.

Na comparação com divisas de economias desenvolvidas, no entanto, o movimento era de queda. Às 10h30, o índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes (como o euro, o iene e a libra esterlina), anotava queda de 0,10%, aos 101,26 pontos.

Já o Ibovespa, o principal índice da Bolsa de Valores (B3), iniciou o pregão em queda, embora flutuasse bastante. Às 12h05, ele baixava 0,26%, aos 172,8 mil pontos.

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Nesta segunda-feira, os mercados de câmbio e ações estão sob influência, notadamente, de dois vetores: a guerra no Oriente Médio e as perspectivas dos juros no Brasil e nos Estados Unidos.

Novos confrontos registrados neste fim de semana entre Estados Unidos e Irã mostraram a fragilidade do cessar-fogo. Ainda assim, o acordo entre os dois países continua em vigor e a circulação de navios pelo Estreito de Ormuz, passagem de cerca de um quinto da produção mundial de petróleo, caminha para a normalização.

Petróleo

Tal fato tem sido decisivo para manter os mercados em um estado de “calma relativa”, uma vez que o preço do petróleo oscila diante do vaivém dos conflitos, mas, no geral, delineando uma tendência de queda.

Na manhã desta segunda-feira, às 9h40, o barril do tipo Brent, a referência internacional da commodity, registrava leve alta de 0,80%, a US$ 73,18. O tipo West Texas Intermediate (WTI), que baliza o comércio nos Estados Unidos, avançava 1,10%, a US$ 69,99. Os dois valores estão dentro do patamar de preço da commodity, vigente antes do início da guerra, em 28 de fevereiro.

Juros

Com o Oriente Médio dando sinais de estabilidade, ainda que sujeita a trovoadas, os agentes econômicos voltam as atenções para a perspectiva de comportamento da inflação e, por consequência, dos juros, tanto no Brasil como nos Estados Unidos.

No Brasil, os investidores acompanharam a divulgação dos dados do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Mensal, o indicador mede a variação de preços em diversas etapas da economia, desde matérias-primas até o consumidor final.

Em junho, o IGP-M recuou 0,50%, depois de ter avançado 0,84% em maio. A queda foi maior do que a esperada pelo mercado, cuja mediana das estimativas era de recuo de 0,46% no mês.

Boletim Focus

Outro sinal benéfico sobre a inflação veio do Boletim Focus, que reproduz os números da pesquisa semanal realizada com economistas do mercado pelo Banco Central (BC).

Após 15 semanas consecutivas de alta, a expectativa de inflação para 2026 estabilizou. A mediana para o IPCA deste ano ficou em 5,33% pela segunda semana seguida. A expectativa para a Selic ao fim de 2026 também se manteve em 14,00%, estável pela segunda semana.

Para Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, os números sugerem uma pausa no movimento de deterioração que marcou as estimativas de inflação no primeiro semestre.

Ele observa, porém, que o quadro segue piorando nos horizontes mais longos. A mediana para 2027 subiu de 4,15% para 4,17%, ante 4,02% há quatro semanas. A Selic esperada para 2028 avançou de 10,25% para 10,50%, ante 10,00% também quatro semanas atrás.