
Mendonça e ministro da Justiça se reúnem para discutir relação com PF
Reunião foi articulada pelo ministro da AGU, Jorge Messias, que tem boa relação com Mendonça e com o ministro da Justiça, Wellington Silva

O ministro do STF André Mendonça se reuniu, na manhã desta quinta-feira (6/8), com o ministro da Justiça do governo Lula, Wellington César Lima e Silva. O encontro foi uma tentativa de reduzir a tensão entre o magistrado e a Polícia Federal (PF), subordinada à pasta.
A reunião foi articulada pelo atual advogado-geral da União, Jorge Messias, que tem boa relação tanto com Wellington quanto com Mendonça. A conversa, segundo apurou a coluna, ocorreu no gabinete de Mendonça no TSE, onde o magistrado também atua.
Tanto Mendonça quanto Wellington consideraram a conversa como positiva. Segundo relatos, os dois combinaram de manter uma “interlocução permanente” para o aperfeiçoamento dos procedimentos institucionais, evitando novos ruídos entre o gabinete do ministro do STF e a PF.
Messias decidiu articular o encontro para tentar distensionar a relação entre Mendonça e a cúpula da PF, que azedou nos últimos meses em meio aos desdobramentos da investigação sobre fraudes bilionárias no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Igor GadelhaA crise escalou desde que Mendonça determinou que a PF encaminhasse a seu gabinete no Supremo todos os documentos brutos produzidos na investigação, além de informar previamente qualquer alteração na equipe de delegados do caso.
A decisão foi tomada no âmbito do inquérito que apura o esquema de descontos indevidos no INSS. O despacho de Mendonça foi enviado ao Ministério da Justiça e à direção da PF há cerca de dois meses. Até agpra, porém, as determinações não foram integralmente cumpridas.
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Como revelou o Metrópoles, na coluna Andreza Matais, Mendonça avalia que o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, pode ter incorrido em obstrução de Justiça ao não executar a decisão judicial nos termos estabelecidos pelo ministro do Supremo.
A avaliação provocou forte incômodo dentro da corporação. Integrantes da PF sustentam que a ordem de Mendonça ultrapassa os limites da supervisão judicial e invade prerrogativas dos delegados responsáveis pela condução das investigações.
Nos bastidores da Polícia Federal, o entendimento é que a determinação do ministro contraria a legislação que assegura autonomia funcional aos delegados para definir estratégias investigativas, organizar equipes e conduzir diligências sem interferências externas.
Diante do impasse, o encontro entre Mendonça e o ministro da Justiça foi visto por interlocutores dos envolvidos como uma tentativa de abrir um canal de diálogo e evitar que o embate institucional entre o gabinete de Mendonça e a PF se agrave ainda mais.
Messias já vinha atuando como bombeiro. O titular da AGU, contudo, decidiu incluir Wellington nas tratativas após o ministro da Justiça ser criticado dentro do governo por evitar se posicionar na guerra entre a PF e Mendonça, embora a corporação seja vinculada à pasta.








