Dólar cai e Bolsa sobe com relativa calmaria na cotação do petróleo

Tempestade, contudo, pode voltar a qualquer momento. Moeda americana caiu 1,60%, a R$ 5,22. Ibovespa, o principal índice da B3, subiu 1,25%

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Imagem de notas de dólar, empilhadas umas sobre as outras, com uma lupa sobre elas - Metrópoles
1 de 1 Imagem de notas de dólar, empilhadas umas sobre as outras, com uma lupa sobre elas - Metrópoles - Foto: Faga Almeida/UCG/Universal Images Group via Getty Images

O dólar registrou queda de 1,60% frente ao real, cotado a R$ 5,22, nesta segunda-feira (16/3). Já o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou em alta de 1,25%, aos 179,8 mil pontos. Com isso, ele interrompeu uma sequência de três sessões seguidas de baixas.

O fato é que os mercados de câmbio e de ações viveram um dia de relativa calmaria. Não se sabe, porém, se a tempestade voltará e com qual intensidade ao longo da semana.

O principal vetor dos indicadores continua sendo a guerra no Oriente Médio. Para os agentes econômicos, o aspecto mais relevante do conflito é o impacto que ele provoca no preço internacional do barril de petróleo. Como a cotação da commodity recuou nesta segunda-feira, a tensão geral seguiu a mesma toada. Ela diminuiu.

Queda do petróleo

Às 16h50,o barril do tipo Brent, referência para o mercado internacional, recuava 3,20%, a US$  99,7nos contratos para maio. No início da manhã, o preço havia alcançado US$ 106. Ou seja, ao longo do dia, a baixa foi expressiva. No caso do barril tipo West Texas Intermediate (WTI), que baliza os valores nos Estados Unidos, a queda era de 4,80%, a US$ 92,1, no mesmo horário.

A cotação da commodity disparou com o início dos confrontos no Oriente Médio, no sábado (28/2). Ela passou do patamar de US$ 73 por barril para mais de US$ 100. Chegou a encostar nos US$ 120.

Boletim Focus

E tal elevação já provocou os primeiros estragos no frágil equilíbrio das economias globais. No Brasil, por exemplo, os economistas alteraram a previsão de inflação para este ano.

Foi isso o que constatou o Boletim Focus, o levantamento semanal realizado pelo Banco Central com economistas do mercado, divulgado nesta segunda-feira. Segundo a pesquisa, a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu de 3,91% para 4,10% no fim deste ano.

Juros

Em paralelo, os analistas estão diminuindo suas estimativas de corte dos juros, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), que ocorre nesta quarta-feira (18/3). Agora, eles acreditam que, até o fim de 2026, a taxa vai ficar em 12,25%. Na semana passada, o número era de 12,13%. Embora as variações pareçam pequenas, elas indicam tendências.

O real efeito imediato do choque de petróleo na economia global, no entanto, será conhecido na próxima quarta-feira (18/3). Nessa data, os bancos centrais tanto do Brasil como nos Estados Unidos vão definir os valores das novas taxas. Por isso, o dia é chamado de “superquarta”.

Menor otimismo

No Brasil, o otimismo das estimativas está caindo pelas tabelas. A previsão era de uma redução de 0,50 ponto percentual da Selic, que está fixada em 15% ao ano. Essa projeção dominava o mercado até o início da guerra. Agora, as novas apostas concentram-se em 0,25 ponto percentual, ou mesmo, na manutenção dos juros.

Intervenção do Tesouro

Nesta segunda-feira, os investidores também acompanharam duas intervenções do Tesouro Nacional no mercado. Na primeira, ele cancelou os leilões de papéis prefixados e indexados à inflação, previstos para esta semana. Além disso, anunciou leilões de recompra.

Na segunda, o órgão anunciou à tarde uma nova intervenção, ao propor a recompra de NTN-Bs, títulos indexados à inflação. De acordo com os editais das operações, a intenção era recomprar até 10 milhões de títulos e vender até 1,5 milhão.

Com isso, no início da tarde, os juros futuros estavam em queda. A taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2027 recuava de 14,29% para 14,14%. O DI para janeiro de 2028 baixava de 13,85% para 13,69%.

Cenário externo

Os principais índices da Europa também se recuperaram, embora de forma modesta, nesta segunda-feira. O Stoxx 600, que reúne empresas de 17 países do continente, fechou em alta de 0,45%. O DAX, de Frankfurt, subiu 0,50%, e o FTSE 100, de Londres, avançou 0,55%. O CAC 40, de Paris, teve pequena alta de 0,31%.

Wall Street animou-se com a baixa do petróleo, mostrando maior apetite por ativos de risco. Os principais índices das bolsas de Nova York subiam às 16h30. As altas eram de 1%, no S&P 500; de 0,90% no Dow Jones; e de 1,21% no Nasdaq, que concentra ações de empresas de tecnologia.

Duração do confronto

O conflito, entretanto, não dá sinais reais de trégua. Sob a ótica do mercado, o ponto nevrálgico da disputa continua sendo a navegação pelo Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% da produção mundial de petróleo.

E os combates na região não devem terminar tão cedo. Nesta segunda-feira, o governo de Israel afirmou que tem planos para manter a guerra por pelo menos três semanas. Bombardeios israelenses contra o território iraniano foram mantidos durante a noite de domingo (15/3).

Análise

Para Nickolas Lobo, especialista em investimentos da Nomad, os mercados globais operaram em alta, impulsionados pela expectativa de que petroleiros consigam atravessar o Estreito de Ormuz, aliviando o gargalo gerado pelo conflito. “Somado a isso, a sinalização de que nações desenvolvidas podem liberar mais reservas estratégicas da commodity ajudou a melhorar o humor dos mercados”, diz. “A Agência Internacional de Energia (AIE), que recentemente aprovou uma liberação recorde de estoques de emergência, reiterou que possui recursos adicionais disponíveis.”

Para Lobo, outro ponto positivo sob a ótima do mercado registrado nesta segunda-feira no foi uma entrevista concedida à CNBC pelo secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent. “Ele afirmou os preços do petróleo podem recuar para patamares inferiores a US$ 80 em alguns meses, dependendo do efeito da liberação das reservas e da duração do conflito”, afirma.

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