Dólar cai a R$ 4,89, menor valor desde janeiro de 2024. Bolsa sobe
Bom humor voltou aos mercados de câmbio e ações, que reagiram bem a declarações de Trump sobre o Irã e a dados sobre emprego nos EUA
atualizado
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O dólar registrou queda de 0,59% frente ao real nesta sexta-feira (8/5), a R$ 4,98. Essa é a menor cotação da moeda americana desde janeiro de 2024, há 28 meses, portanto.
O Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou em alta de 0,49%, aos 184.113,30 pontos. Com o resultado, o indicador reverteu, ainda que parcialmente, a queda de 2,38% anotada na véspera.
O bom humor do mercado voltou com declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a guerra no Irã. Ele afirmou que o cessar-fogo continua, apesar de novos confrontos registrados na região do Estreito de Ormuz, um dos principais pontos de escoamento do petróleo produzido no Oriente Médio.
No meio da tarde, Trump também anunciou um novo cessar-fogo. Desta vez, entre a Rússia e a Ucrânia, válido por três dias. A trégua vai ocorrer entre o sábado (9/5) e a segunda-feira (11/5).
Petróleo sobe
Apesar do alívio parcial nos conflitos, os choques em Ormuz mantiveram a pressão sobre o petróleo, cujo preço voltou a subir no mercado internacional. O barril do tipo Brent, a referência internacional, aumentou 1,23%, a US$ 101,29. O West Texas Intermediate (WTI, que baliza o mercado americano), avançou 0,64%, a US$ 95,42 por barril.
Emprego
Nesta sexta-feira, os investidores também acompanharam a divulgação de novos dados sobre o emprego nos Estados Unidos. O “payroll”, como é chamada a pesquisa do Departamento de Trabalho americano, mostrou que, em abril, foram criadas 115 mil vagas de emprego. O número foi muito superior (quase o dobro) ao das expectativas dos agentes econômicos, que projetavam a abertura de 55 mil postos.
A taxa de desemprego ficou estável em 4,3%, em linha com o consenso. No acumulado dos quatro primeiros meses do ano, a média de vagas abertas foi de 76 mil, ante 42 mil no mesmo período do ano passado.
Na leitura de analistas, as informações mostram um mercado de trabalho aquecido, mesmo em meio a um ambiente de incerteza geopolítica, provocado pela guerra no Irã, e a pressão comercial do tarifaço decretado pelo presidente Donald Trump.
Juros americanos
A força na criação de empregos também alterou a discussão sobre cortes da taxa de juros dos Estados Unidos, fixada no intervalo entre 3,50% e 3,75%, por parte do Federal Reserve (Fed, banco central americano). Para Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o debate começa a migrar de “quando o Fed vai cortar” para “o Fed precisará subir a taxa?”.
Bolsas no mundo
De qualquer forma, o payroll foi bem-recebido pelos investidores. Em Nova York, os principais índices subiram. Às 16h30, o S&P 500 e o Nasdaq, que concentra ações de empresas de tecnologia, avançavam em direção a novos recordes. Eles subiam, respectivamente, 0,71% e 1,46%. Já o Dow Jones, composto por 30 empresas de um bloco considerado tradicional, operava estável, mas com leve queda de 0,11%.
Na Europa, os indicadores recuaram. Eles foram especialmente afetados por declarações sobre o “tarifaço” do presidente Trump. Na quinta-feira (7/5), o republicano afirmou que a União Europeia poderá enfrentar sobretaxas “muito altas” caso não cumpra, até 4 de julho, os compromissos definidos no acordo comercial firmado com Washington.
Com isso, o índice Stoxx 600, que reúne 600 grandes empresas do continente, caiu 0,77%. O FTSE 100, de Londres, baixou 0,36% e o DAX, de Frankfurt, recuou 1,35%. No CAC 40, de Paris, a baixa foi de 0,89%.
Dólar no exterior
O dólar também caiu no mundo. Às 16h40, o índice DXY, que mede a força da moeda americana frente a uma cesta de seis divisas fortes (como euro, iene e libra esterlina), recuava 0,41%, aos 97,88 pontos.
Análise
Shahini, da Nomad, observa que no Brasil, a combinação entre um dólar mais fraco globalmente, o diferencial de juros ainda elevado, o fluxo para emergentes e a melhora dos termos de troca — favorecida pelo petróleo acima de US$ 100 — sustentou a apreciação do real. “Esse conjunto de fatores levou o câmbio a voltar a operar próximo das mínimas do ano, refletindo um ambiente ainda favorável para moedas ligadas a commodities e ao carry trade”, diz o analista.
Carry trade, grosso modo, é a estratégia por meio da qual os investidores tomam empréstimos em uma moeda com juros baixos (em países desenvolvidos, por exemplo) e investem esses recursos em uma economia com juros altos (no caso, o Brasil).
O analista observa que, no mundo, apesar do dado do payroll reforçar a resiliência da economia americana, a combinação de bolsas em alta e recuo dos retornos longos das Treasuries (os títulos da dívida dos Estados Unidos) pressionou a moeda americana e favoreceu o fluxo para ativos de risco, como ações.
